O mandato de Bolsonaro apresentou períodos de turbulência nas relações entre Brasil e China, seja por provocações por parte do Presidente, ou publicações nas redes sociais, como a em que seu filho, Eduardo Bolsonaro, culpou o país pela pandemia:
Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução.
Comentou Eduardo Bolsonaro em seu Twitter.
Posição de Bolsonaro perante a pandemia
Desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil, o comportamento do Presidente Jair Bolsonaro demonstrou sua subestimação da doença, com frases, como “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”, “tudo agora é pandemia, tem que acabar esse negócio, pô”, e chegou a dizer que o caso da pandemia era “histeria” criada pela imprensa.
Logo nos primeiros meses da pandemia, o Presidente recomendou à população que ingerisse a hidroxicloroquina, utilizada no tratamento de doenças como Malária e Lúpus, para “tratamento precoce” da Covid-19, mesmo sem comprovações científicas de sua eficácia, fazendo com que o governo gastasse cerca de 90 milhões em remédios ineficazes.
Com as notícias sobre a vacina chinesa, CoronaVac, Bolsonaro fez questão de expressar sua oposição à sua compra, durante uma entrevista à Jovem Pan, dia 21/10/2020:
A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população. Esse é o pensamento nosso. Tenho certeza que outras vacinas que estão em estudo poderão ser comprovadas cientificamente, não sei quando, pode durar anos (…) A China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido por lá.
Disse na entrevista.
Além das polêmicas entre a família do Presidente e o País, há uma “falta de confiança” na República Chinesa, por questões políticas e pelo fato de o vírus ter se originado no país.

De acordo com Jair Bolsonaro, a China teria um “descrédito muito grande”, “não há nada comprovado cientificamente sobre essa vacina aí (CoronaVac)”, apesar de ter sido aprovada pela Anvisa com eficácia de 50,38%.
As questões entre o Presidente e a China são muitas, e apesar da justificativa de sua objeção à tomada da vacina chinesa seja a comprovação científica e a suposta “falta de credibilidade”, os motivos parecem ser mais políticos e ideológicos, do que a representação de uma preocupação real com os efeitos à população.
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Por Amanda da Silva Meneses – Fala! Unip