"Não basta não ser racista, tem que ser antirracista"
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“Não basta não ser racista, tem que ser antirracista”

“Não basta não ser racista, tem que ser antirracista”

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Nas últimas semanas, iniciou-se uma grande onda de protestos por conta do assassinato de George Floyd por um policial na cidade de Mineapólis, nos Estados Unidos. Nesse cenário, a hashtag #BlackLivesMatter, ou apenas BLM, ganhou grande força em todas as redes sociais e está cada vez mais presente nos cartazes das manifestações. Mas você sabe o que ela significa?

Em julho de 2013, um movimento foi criado nos Estados Unidos por um grupo de ativistas negros, que começou com o objetivo de enfrentar a violência policial contra comunidades negras. O movimento foi batizado de #BlackLivesMatter e se transformou em um movimento global pelos direitos da população preta. O ativismo do grupo ficou famoso após a atuação em diversos casos, como a de Trayvon Martin, Michael Brown e Eric Garner.

“O movimento começou tem 7 anos. Nunca tivemos toda essa visibilidade toda na mídia. A brutalidade policial sempre existiu, mas antes não se falava de Ágatha Félix e de João Pedro Mattos. Passava batido. O Black Lives Matter foi o acordar da população negra. Cansamos de ter medo, está na hora de se levantar, nos defender, manifestar!”, afirma Manuela Calandula, angolana e ativista pelo movimento negro no Brasil.

Vários artistas e anônimos começaram a aderir ao movimento, que se espalhou rapidamente, mas não se restringiu aos negros. Muitos brancos também levantam a bandeira do BLM. No on-line e no offline, estão cobrando a maior atuação do Estado e de outras autoridades para resguardar as vidas negras, e atuam lado a lado na luta antirracista.

O que as pessoas têm que entender é que racismo não é coisa de negro. Racismo é invenção do branco. É do branco contra o negro, então tem que ser resolvida entre os brancos, entende? Eles que precisam parar de ser racistas, e de usar a estrutura da nossa sociedade para justificar atos como esse.

Afirma. 
black lives matter
Entenda a importância do Black Lives Matter. | Foto: BBC.

A importância do Black Lives Matter

São evidentes as marcas que o processo de escravização do povo africano deixou ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os brancos chegam a ser dez vezes mais ricos do que os negros, além da taxa de mortalidade entre os negros ser o dobro, e essa desigualdade se espalha por outras áreas quando analisamos questões como moradia, educação, saúde e índices de desemprego, a população negra possui sempre os piores indicadores.

“O negro em um ambiente com vários brancos fica coagido. Ele sente o tapa, sente o racismo, mas é incapaz de se expor e se defender, por conta do medo. Por isso, o branco não racista também tem que mostrar para o branco racista que ele pode mudar! Quem vê um ato desses acontecendo e não fala nada, está compactuando com o racismo, e ele se perpetua dessa forma. Não basta você não ser racista, você tem que ser antirracista! Chega! Tá na hora de mudar, e a luta é de todos nós.”, continua Manuela Calandula.

Por mais que ele tenha ganhado sua maior força pelos meios digitais, ainda há atitudes que comprometem a imagem do movimento e atrapalham sua plena atuação.

“Colocar um quadrado preto no seu Instagram não ajuda em nada. Ajuda muito mais colocar informações verdadeiras sobre o movimento, as pessoas fazem muito por mídia. Elas precisam se atentar mais sobre o que significam as coisas dentro do movimento. Usa-se as hashtags sem saber o que significa, é uma hipocrisia. O posicionamento tem que vir desde sempre, não apenas quando explode as manifestações.”, afirma Silchya Rodrigues, presidente do coletivo Africásper.

Eu não acredito que o ciberativismo mude muita coisa. Acredito que um dos únicos jeitos que traz respostas efetivas, que é possível demonstrar o poder que o povo possui, é por meio das manifestações. No meio on-line, não demonstramos nenhum tipo de força, é preciso ir para as ruas, seguindo as suas individualidades.

Conclui.

Ao unir todos nós em torno de uma das causas mais urgentes do mundo moderno, Black Lives Matter traz um pouco de esperança para aqueles que sofrem com a desigualdade e a violência estatal diariamente. Para mais informações sobre o movimento e sua história, acesse: https://blacklivesmatter.com.

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Por Anna Casiraghi – Fala! Cásper

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