Lúpus, diagnóstico e a pesquisa para novos tratamentos
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Lúpus, diagnóstico e a pesquisa para novos tratamentos

Lúpus, diagnóstico e a pesquisa para novos tratamentos

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Lúpus é uma doença inflamatória e autoimune, que faz o sistema imunológico atacar tecidos do organismo, afetando pele, articulações, cérebro e outros órgãos. A pessoa com a doença apresenta sintomas como fadiga, febre e dor nas articulações. As condições para uma pessoa desenvolver lúpus não são claras e médicos teorizam que ela pode surgir por predisposição genética ou pelo uso de medicamentos. Não há cura para a doença, assim como a maioria das doenças autoimune, porém pode ser controlada através de medicamentos e tratamentos.

Diagnóstico de lúpus

Seu diagnóstico envolve uma série de exames para identificá-la, como exame físico, anticorpos, urina, um hemograma, uma radiografia e uma biópsia renal. E, geralmente, o lúpus é mais comum em mulheres entre 14 a 45 anos e já pode apresentar sinais desde o nascimento, mas, para ser diagnosticado, pode demorar anos, apresentando-se através de uma crise de sintomas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, existem cerca de 65 mil casos de lúpus no Brasil e que uma mulher a cada 1.700 tem a doença.

De acordo com Vanessa Grandinetti, fisioterapeuta e especialista em lúpus, a maior dificuldade é a adesão do paciente por se tratar de uma doença crônica e necessitar um tratamento de longo prazo. “O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença genética. Onde o nosso corpo começa a produzir anticorpos para destruir nossos próprios tecidos, por isso ele é classificado como uma doença autoimune”, diz a doutora. “Alguns fatores podem piorar o processo inflamatório, como exposição ao sol, nervosismo, uso de álcool e fumo. Todos os tecidos podem ser comprometidos, em diferentes graus.”

lúpus
Saiba quais são os tratamentos para a doença. | Foto: Reprodução.

Tratamento

Sobre o tratamento, Grandinetti diz que se trata de uma abordagem multiprofissional, com o uso de medicamentos prescritos pelo médico, que são os anti-inflamatórios e os mediadores da imunidade. “A fisioterapia que tem como objetivo restaurar as funções comprometidas, que envolvem o sistema cardiorrespiratório, musculoesquelético, articular, nervoso, cutâneo. A psicoterapia para equilíbrio das emoções. O nutricional que trata e reequilibra as funções do sistema digestório.”

Ao conversar com Jarret Jordan, Diretor Sênior de Inovação Científica de Imunologia da Johnson & Johnson Innovation, novos estudos sobre a doença requerem um procedimento meticuloso. “Por exemplo, às vezes, um medicamento aprovado para outra indicação melhora os sinais e sintomas da doença em pacientes que também têm lúpus. Isso pode levar a investigações específicas em um grupo maior de pacientes com lúpus para determinar se a droga é realmente benéfica”, diz Jordan.

Uma abordagem comum é examinar o sangue de pacientes com lúpus e compará-lo com o sangue de pacientes saudáveis. As diferenças entre o sangue lúpico e saudável podem ajudar a levar a novos tratamentos, identificando componentes que estão desregulados e, como tal, podem ser alvos potenciais para novas terapias.

Além disso, a necessidade do desenvolvimento de novos tratamentos para lúpus é grande devido à natureza diversificada da doença. “O lúpus é uma doença muito heterogênea, portanto, também há esforços para desenvolver diagnósticos para melhor identificar os pacientes com lúpus e orientar em seus cuidados de tratamento. Apesar de todos esses esforços, ainda existem poucas opções de tratamento e diagnóstico para esses pacientes que estão atualmente aprovados.”

Os estudos sobre lúpus também podem gerar novas descobertas sobre outras doenças autoimunes já que nem todo paciente com lúpus é o mesmo. “Isso significa que uma terapia que funciona em um paciente pode não ser eficaz em outro, mesmo que ambos tenham o diagnóstico de lúpus. Pesquisas para entender essas diferenças em nível molecular podem ajudar a orientar o futuro tratamento de pacientes com lúpus.”

Jordan também diz que um diagnóstico para identificar pacientes com a doença que podem se beneficiar de uma terapia em relação a outra sem ter que administrar ambas as terapias aos pacientes para determinar isso. “Essa abordagem de medicina de precisão é necessária para doenças como o lúpus […]. Portanto, os medicamentos desenvolvidos para o lúpus ou para outra doença autoimune podem ser benéficos para alguns pacientes com outras doenças e podem informar nossa compreensão de ambas as doenças.”

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Por Guilherme Schanner e Fernando Polachinni – Fala! Mack

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