A intensa troca de técnicos no Campeonato Brasileiro
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A intensa troca de técnicos no Campeonato Brasileiro

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Os treinadores ficam sob constante pressão no campeonato com uma das maiores rotatividades

O Corinthians demitiu o técnico Fábio Carille, após a derrota para o Flamengo por 4 a 1, em jogo válido pela 30ª rodada do Brasileirão. Em seguida, Thiago Nunes decidiu não renovar contrato com o Athlético Paranaense. Com isso, o campeonato chega ao 20º técnico despedido, com média de um comandante dispensado a cada duas rodadas.

Entre os clubes da série A, somente Santos e Grêmio mantiveram o mesmo comandante do inicio do ano até o atual momento. Inclusive, o técnico do tricolor de Porto Alegre, Renato Gaúcho, é o que está há mais tempo no cargo, desde setembro de 2016.

Renato Gaúcho está no comando do Grêmio desde 19 de setembro de 2016. Fonte da Imagem: Getty Images.

A troca frequente de técnicos tem relação com a cultura do imediatismo existente no futebol brasileiro. Quando um comandante começa seu trabalho, é necessário que haja um tempo para que os jogadores se adaptem a essa nova filosofia de jogo e para que o técnico possa conhecer todo o elenco que tem a sua disposição, dessa forma extraindo o melhor de seu time. Aqui no Brasil esse período de adaptação tem que ser bem curto, pois, caso contrário, as cobranças são intensas.

O técnico Fernando Diniz é um exemplo claro de como a falta de paciência que habita os campos no Brasil é prejudicial. Diniz comandou o Fluminense durante 44 jogos, e obteve um aproveitamento de 49%. São números razoáveis, considerando as peças que ele tinha em seu elenco e a qualidade de seus adversários, como, por exemplo o Flamengo. O tricolor do Rio jogava um futebol muito bonito, sem a tão popular retranca moderna e muita insistência no ataque. Nenhum dos fatores positivos foi capaz de salvar o técnico, que foi demitido após 8 meses de trabalho. Acontece que o Fluminense não obteve melhora com a saída de Diniz, e continua inconstante, lutando contra o rebaixamento no Brasileirão.

Fernando Diniz, ex-treinador do Fluminense que atualmente comanda o São Paulo. Fonte da Imagem: Lucas Merçon/ Fluminense FC/ Divulgação.

Assim como Diniz, diversos técnicos com um grande potencial são dispensados simplesmente por não conseguirem fazer mágica. É importante lembrar que esse imediatismo não é o único causador de tantas demissões e contratações.

O Cruzeiro é um exemplo nesse caso. O técnico Mano Menezes foi bicampeão da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro, mas vinha enfrentando uma grande pressão pois os resultados do time em 2019 não correspondiam ao esperado. A culpa foi despejada nele, que foi demitido após a derrota para o Internacional no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil.

Mano Menezes, ex-treinador do Cruzeiro e atual comandante do Palmeiras. Fonte da Imagem: Super Esportes

Mas, os problemas no time celeste estão escancarados e fica claro que Mano não era o único responsável pelas atuações ruins do clube. Os jogadores tinham, e ainda têm, grande parcela de culpa e a diretoria também, afinal, após os escândalos de corrupção envolvendo o Cruzeiro, que o fizeram ser alvo de investigação da Polícia Civil, o time entrou em uma queda, da qual está sofrendo para se recuperar.

O futebol europeu e o sul-americano possuem inúmeras diferenças, e por isso a comparação nunca é completamente justa. Mas, de acordo com um levantamento feito pelo Globo Esporte, a troca de técnicos aqui no Brasil é três vezes maior do que nas principais ligas europeias, como as da Espanha e da França. Essa diferença tão grande tem relação com as diferentes filosofias aplicadas ao times, onde um tem mais investimento financeiro, estrutura e suporte, enquanto o outro vive nesse sistema de constante eliminação de técnicos, onde sempre que uma crise aparece, o mais fraco é quem cai.     

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Por Geovanna Dourado Hora – Fala! PUC

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