'Hiroshima' - O antes, o durante e o depois: uma explosão de histórias
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‘Hiroshima’ – O antes, o durante e o depois: uma explosão de histórias

‘Hiroshima’ – O antes, o durante e o depois: uma explosão de histórias

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Em 6 de agosto de 1945, uma bomba atômica atingiu Hiroshima. Entre as pessoas que sobreviveram, seis tiveram suas histórias reunidas nas 172 páginas de Hiroshima, do jornalista John Hersey (1914-1993). A Srta. Sasaki, a Sra. Nakamura, o padre Kleinsorge, o reverendo Tanimoto e os doutores Fujii e Sasaki sobreviveram, sofreram danos e continuaram a vida na cidade japonesa, que também se curava do ataque. Suas fotos ilustram as primeiras páginas.

Livro Hiroshima
Livro Hiroshima. | Foto: Reprodução.

Estrutura do livro Hiroshima

O livro, lançado em 2002 pela Companhia das Letras, não é um romance. Trata-se de jornalismo literário, também chamado de new jornalism, uma tendência da década de 1960. Esse modo de fazer jornalismo junta a narração literária ao texto jornalístico. Com esse estilo, escreveu-se reportagens mais aprofundadas, ricas em detalhes e com personagens mais humanizadas. Hiroshima é exatamente isso. O livro é, na realidade, uma reportagem feita para a revista The New Yorker, em agosto de 1946. Mostrando que Hersey é percursor do jornalismo literário.

Quando se entende a extrema qualidade da escrita do repórter, R$52,90 (ou R$ 39,05 pelo e-book) se torna uma pechincha. A escrita rápida sem perder a descrição, clássica do jornalismo, se faz presente ao longo de toda obra. Descrição esta, tão bem feita, que dá impressão de ver uma fotografia, mas uma fotografia de um momento terrível.

O livro possui cenas pesadas e não agrada pessoas sensíveis. Mesmo assim, o livro consegue explicar e fazer o leitor se sentir parte da comunidade japonesa. Hersey explica costumes e traduz termos, aproximando o leitor ocidental da distante cultura japonesa. Cabe elogiar o tradutor Hildegard Fiest, que manteve o texto com extrema fluidez e detalhamento.

Há poucas coisas para se pontuar contra o livro. As descrições dos caminhos tomados pelos personagens se tornam confusas sem conhecimento prévio do mapa da cidade. Estranhamente, não se cria confusão quando se intercalam, unem e separam as seis histórias, mostrando grande clareza na escrita. O livro parece exigir alguns conhecimentos que foram do senso comum em 1946, mas que, hoje, algumas pessoas possam desconhecer. Porém, traz explicações necessárias para assuntos mais complexos sem desviar o foco dos seis personagens.

Hiroshima, de John Hersey, é um ótimo livro que vale a leitura, mas cuidado, o retrato de uma bomba atômica não é bonito de se ver, por mais que seja interessante.

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Por Vinícius Caldeira Novais – Fala! Cásper

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