Dia das Mães: uma história de ativismo
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Dia das Mães: uma história de ativismo

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A força das mães no surgimento dessa data comemorativa tão importante

Há quem diga que os primórdios da comemoração que celebra a importância da figura materna tenha suas origens em solenidades realizadas na Antiguidade Clássica — Grécia e Roma Antigas — em que eram enaltecidas figuras como Reia, a mãe dos deuses gregos. Contudo, não há relação direta entre as festividades da Antiguidade e a contemporâneas, mas alguns historiadores colocam-nas em um diálogo para mostrar que homenagens à figura materna não são exclusividade dos nossos tempos.

O Dia das Mães, como conhecemos hoje, surgiu no início do século XX, nos Estados Unidos, quando Anna Jarvis resolveu criar uma data para homenagear sua mãe, Ann Jarvis.

A mãe Jarvis

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Nascida em 1832, Ann Maria Reeves Jarvis frequentava uma igreja Metodista e foi, por um longo período de sua vida, uma ativista social e teve grande importância durante a Guerra Civil Americana.

Conhecida por organizar projetos em prol de sua comunidade na Virgínia Ocidental, Ann foi responsável por valorizar as mulheres que exerciam a maternidade.

Em 1858, e com outras mães de sua comunidade, criou o Mother’s Day Work Clubs, que tinha o objetivo de melhorar as condições sanitárias e de saúde da sua área. Esses clubes prestavam serviços de assistência e educação às famílias a fim de evitar doenças e diminuir a mortalidade infantil na região e ainda levavam dinheiro consigo para comprar remédios e contratar mulheres para trabalhar em famílias em que a mãe sofria com algum problema de saúde.

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Durante a Guerra Civil Americana, os clubes de Ann Jarvis alteraram sua missão para atender às demandas do conflito. Declarando neutralidade, prestaram serviços aos soldados de ambos os lados — confederados e da União — e se recusando a adotar e apoiar uma divisão entre norte e sul proposta pela Igreja Metodista. Quando o sarampo e a febre tifoide eclodiram nos campos militares, Ann e seus clubes foram responsáveis por cuidar dos soldados contaminados a pedido de um comandante.

Sua relevância durante esse período fez com que, ao final da guerra, funcionários públicos ainda pedissem sua ajuda nos conflitos pós-guerra que ainda persistiam entre soldados e civis do norte e do sul dos Estados Unidos.

Com o pedido, Ann e os outros membros dos clubes organizaram o Mother’s Friendship Day para os soldados de ambos os lados e suas respectivas famílias. Com músicas e uma mensagem de unidade e reconciliação, o evento, realizado em 1868, executou com sucesso seu objetivo e mostrou à comunidade que as hostilidades eram danosas e que deveriam terminar.

A homenagem de Anna

Em 9 de maio de 1905, Ann Jarvis faleceu, aos 72 anos, devido a alguns problemas cardíacos após uma vida de lutas para honrar e ajudar a figura materna.

 Isso afetou muito sua filha, Anna Maria Jarvis, que seguiu seus passos no ativismo e, em 10 de maio de 1908, conseguiu realizar uma cerimônia memorial para homenagear sua mãe e todas as mães na Igreja Episcopal Metodista que frequentava após três anos seguidos de luta, marcando a primeira celebração oficial do Dia das Mães. 

presente de dias das mães
Anna Maria Jarvis. | Foto: Reprodução.

Desde essa data, Anna Jarvis não mediu esforços para que o Dia das Mães se tornasse uma data oficial e permanente nos Estados Unidos e conseguiu que a causa fosse levada ao Senado norte-americano por Elmer Burkett, um senador do estado de Nebraska, mas não foi aprovada.

Apesar disso, a comemoração em homenagem às mães se espalhou pelo território estadunidense e, a partir de 1909, Anna dedicou-se integralmente a sua missão de conseguir oficializar o Dia das Mães.

No ano seguinte, a Virgínia Ocidental, estado em que sua mãe atuou como ativista, adotou oficialmente o Dia das Mães e logo outros estados começaram a aderir à decisão. Quatro anos depois, em 1914, o então presidente Woodrow Wilson unificou a celebração a nível nacional, estabelecendo o segundo domingo do mês de maio, sugerido pela própria Anna Jarvis.

A comercialização do Dia das Mães

Com a popularização da data, a consequente comercialização do evento seria inevitável. O segundo domingo de maio se tornou um dia lucrativo para os comerciantes — principalmente para os que vendiam cravos, consideradas flores símbolo da maternidade.

Contudo, esse processo incomodou Anna, que ficou revoltada com a cultura de consumo que se instaurou por cima de um evento que foi criado para se voltar para o lado sentimental e da conexão com as mães.

Em 1923, Anna entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães que, para ela, tinha perdido sua essência, mas sem sucesso. Em uma entrevista, Anna disse que não criou o Dia das Mães para ter lucro e criticou, por muito tempo, quem comprava cartões prontos feitos para a data, chamando de preguiçoso que não se dispunha a escrever uma dedicação à mão para a própria mãe.

No Brasil, a comercialização do evento não foi diferente. O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido no Rio Grande do Sul, pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, em 12 de maio de 1918, mas apenas instituída oficialmente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas.

Desde então, o Dia das Mães se tornou a segunda data comemorativa mais importante para o comércio brasileiro, ficando atrás apenas do Natal. Sua grandeza é tanta que, em período de isolamento social no país e com as lojas fechadas, foi proposta a transferência das celebrações desse ano para Agosto, junto com o Dia dos Pais.

Comemoração no mundo

No Brasil, como se sabe, a data é comemorada como foi instituída nos Estados Unidos, no segundo domingo de maio. Outros países, como Alemanha, Austrália, Dinamarca, Malásia e Uruguai também festejam nessa data.

Mas não são todos os países que seguem o evento datado pelo sistema estadunidense. Em Portugal e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, comemora-se no primeiro domingo de maio; na Noruega, é no segundo domingo de fevereiro; Argentina e Bielorrússia celebram no terceiro domingo de outubro. E ainda há países que estabeleceram uma data fixa no calendário, como Albânia, Rússia e Sérvia, que deixaram para celebrar no dia 8 de março, junto com o Dia da Mulher; ou a Tailândia, no dia 12 de agosto.

Assim, percebe-se que cada país comemora e homenageia a figura materna em datas e de maneiras apropriadas à sua própria cultura, não existindo um dia oficial internacionalmente, mas todos enfatizam de alguma forma a importância de se reforçar o significado do amor de mãe e recordar as lutas de Ann e Anna Jarvis ao longo da história.

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Por Fernanda Tiemi Tubamoto – Fala! UFMG

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