Cultura japonesa: Conheça o fantástico universo dos animes
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Cultura japonesa: conheça o fantástico universo dos animes

Cultura japonesa: conheça o fantástico universo dos animes

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 Influenciados pelos mangás, os animes japoneses conquistam fãs no Brasil e no mundo  

Animes no Brasil

Há cerca de quatro décadas, as televisões do Brasil começaram a exibir desenhos com personagens de olhos grandes, alto grau de dramaticidade, capricho visual e dinamismo narrativo.

A audiência do anime — palavra que significa animação em japonês —, com o passar dos anos, migrou para os computadores e smartphones. Hoje, o conteúdo audiovisual asiáticoestá mais disseminado do que nunca na sociedade brasileira e no mundo.

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O professor Marcos Magalhães, do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio e um dos fundadores e idealizadores do festival Anima Mundi, comenta que essas produções artísticas servem como ponte de trocas de conhecimentos entre o Japão e o Brasil.

O estudioso afirmou que o desenho com contorno bem traçado, cores vibrantes, roteiro dramático, original e exagerado são as características diferenciais na animação japonesa.

Magalhães conta que as obras japonesas estão ligadas aos mangás, surgidasna Idade Média. As histórias em quadrinhos japonesas influenciam na textura dos produtos audiovisuais e, de acordo com o designer, são quase um passo para se chegar ao desenho, porque são constantemente usados como testes do sucesso do trabalho.

Animes

Os animadores japoneses se inspiraram em manifestações cinematográficas do Ocidente, principalmente na Pop Art americana, afirma o professor.  

— Alguns curtas feitos no início do cinema seguiam o padrão existente de outros países, com personagens redondos, geralmente animais com comportamento humano. No século XX, como resultado da Segunda Guerra Mundial, o Japão foi ocidentalizado, e Osamu Tezuka foi o responsável pela implantação definitiva do mangá e do anime no país.

Fez o Astro Boy, primeira série internacionalmente distribuída, e deu um novo formato à indústria. Algumas características estéticas conhecidas no anime hoje são perpetuação do que ele fez. Os olhos grandes foram inspirados no Mickey Mouse.

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Nas 17 edições do Oscar de animação, por três vezes os prêmios foram concedidos a estúdios japoneses — A viagem de Chihiro (2003), O castelo animado (2006), Vida ao vento (2013). Destas películas, duas foram produzidas pelo estúdio de anime mais conhecido do mundo, o Estúdio Ghibli e foram dirigidas por Hayao Miyazaki que, de acordo com Magalhães, hoje é a principal referência no mundo dos desenhosjaponeses. 

Marcos Magalhães descreve o anime como uma cultura que vai além dos filmes e das séries, pois, segundo o pesquisador, são jeitos de ser. Há uma influência, sobretudo, nos fãs mais novos.

— Esse movimento no qual as pessoas acompanham as temporadas das obras na internet e em festivais é subterrâneo. O fenômeno representa uma força muito grande, pois todos os jovens de hoje, em algum momento da vida, tiveram contato e foram influenciados por este tipo de desenho.

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Celebração das raízes japonesas

Curadora da mostra Anime: o fantástico mundo das animações japoneses, no CCBB, Juliana Melo comenta que a interação com a cultura japonesa é positiva, porque serve como meio de redução dos estereótipos existentes em relação ao segmento.

Segundo Juliana,o propósito da mostra é reduzir a visão rígida e incompatível sobre as obrase os fãs. De acordo com a organizadora, a animaçãojaponesa representa uma celebração do folclore do país e das raízes do Japão.

Para ela, os brasileiros não costumam valorizar as produções artísticas e sociaise precisam aprender a proteger a própria tradição.

— Acredito que o anime seja importante porque é o primeiro contato que se tem com o Japão. Parte da população ainda tem visão estereotipada, geralmente por não ter o contato com o conteúdo. Os mais jovens, por outro lado, não enxergam dessa forma.

O encontro busca tirar a ideia dissimulada do conteúdo audiovisual asiático e mostrar as diversas possibilidades da animação. A internet nos permite ver as culturas no mundo como mais complexas do que os preconceitos.

Bancária aposentada de 71 anos, Maria Cristina Merquior diz que foi introduzida no universo dos animesa partir da paixão sentida pelos filmes. Por ser cinéfila, a ex-bancária, descobriu as obrasjaponesas aos 20 anos de idade e, desde então, acompanha a maioria dos lançamentos. 

— Acho as animações, como um todo, maravilhosas. Sou apaixonada há 50 anos por essas animações, são muito bonitas e não são filmes bobinhos. Em geral, os desenhos passam grandes mensagens, são muito cuidadosos ao fazer o filme, colocam vida realmente nas telas.

Você vê sentimento ali. Fazer a animação deve ser uma coisa muito complicada.  Para mim, é uma coisa de extraterrestre.  

Anime e Infância

Estudantes de Design da UFRJ Flora Sobral e Clarice Lima. Foto: Paula Veiga 

As animações japonesas são milhares e marcaram a vida de diversas pessoas, como a daestudante do segundo período de Design na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Flora Sobral, de 21 anos.

Flora assumiu que a escolha profissional ocorreu por conta do interesse que ela tem nos filmesjaponeses. Para a universitária, as obras foram parte formadora da própria individualidade dela.

— Anime é um pouco da base da personalidade que tenho, assisti muito na infância e na adolescência. Escolhi meu curso porque gosto de moda japonesa e queria trabalhar no Japão, na área de criação. Quando vejo anime, tento pegar essa parte da cultura deles.

Acho divertido que tenha a mostra, porque há um público-alvo bem grande, muita gente que gosta e que cresceu vendo anime, além de ser uma oportunidade de assistir fora da internet. 

Clarice Lima, de 19 anos, também estudante do segundo período de Design da UFRJ, ingressou nos animes por causa dos canais fechados de televisão, que, de acordo com a fã, passavam muito do produto durante o período da infância dela. Clarice afirma ter aprendido muito sobre a cultura japonesa por meio dos desenhos.

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— Assistindo anime, conheci muitos estereótipos, descobri como é uma cultura que respeita os mais velhos, sobre a culinária e os gostos que os japoneses têm por mulheres.

Mas acredito que o Brasil é um país muito preconceituoso e as pessoas pensam que quem gosta de anime é muito infantil e ignorante. Qualquer grupo e cultura que seja diferente do nosso padrão sofrerá com essa visão. 

Por Gustavo Magalhães – Fala! Puc Rio

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