Crítica - Quem Vai Ficar com Mário: como o filme ressignifica o LGBT
Menu & Busca
Crítica – Quem Vai Ficar com Mário: como o filme ressignifica o LGBT

Crítica – Quem Vai Ficar com Mário: como o filme ressignifica o LGBT

Home > Entretenimento > Cinema e Séries > Crítica – Quem Vai Ficar com Mário: como o filme ressignifica o LGBT

Na geração dos streamings, escolher um filme para assistir em meio a tantos catalogados parece uma missão impossível. Sabendo disso, o Prime Video, o streaming da Amazon, sempre coloca no topo, bem grande, as suas produções para que, claro, haja nelas uma boa repercussão. Não foi diferente com Quem Vai Ficar com Mário, que, desde maio, aparece na minha tela toda vez que eu abro o Prime Video. Tanta foi a insistência que eu cedi aos encantos e assisti, simplesmente por não conseguir decidir algum outro filme, já que nada me chamou a atenção e eu achava ser alguma paródia de Quem Vai Ficar com Polly ou algo do tipo. 

Em linhas gerais, o filme trata da busca de Mário (Daniel Rocha) pela sua sexualidade, enquanto tem que lidar com o pai conservador, interpretado por Zé Victor Castiel, que além de homofóbico, também quer ditar a vida profissional de Mário. Nessa busca, o protagonista se vê perdido em um triângulo amoroso entre Fernando (Felipe Abib), com quem já não tem uma relação amorosa há alguns anos, e Ana (Letícia Lima), uma mulher contratada para ajudar na administração da empresa da família.

Quem Vai Ficar com Mário
Filme Quem Vai Ficar com Mário. | Foto: Reprodução.

Quem Vai Ficar com Mário e a ressignificação de LGBTQI+ – leia a crítica

Do início para o meio o filme, não é nada mais o que parece. Uma comédia brasileira, daquelas que somos acostumados a assistir na Globo, sem qualquer inovação na direção de Hsu Chien e com um roteiro já esperado: cheio de comentários maldosos e misóginos, que deixam subentendido que uma mulher não consegue administrar uma empresa, do Seu Antônio, pai de de Mário, dirigidos à Ana, comentários esses que são rebatidos com um forte viés de lacração que, em alguns momentos, até incomoda e parece discussão de primário.

Piadas com a família tradicional brasileira que, apesar de muito boas, já eram esperadas e umas até bem conhecidas e difundidas nas redes sociais. Enfim, o primeiro momento do filme só o que me fez querer continuar assistindo foi a participação da belíssima e super talentosa Nany People, que carrega o filme nas costas com sua boa interpretação.

Entretanto, do meio para o final, as coisas começaram a ficar interessantes, não boas tecnicamente, nem mesmo inovadoras, mas o filme conseguiu trazer algo de novo nesses debates, que podem estar se tornando maçantes e repetitivos. Isso porque percebi, no roteiro de Stella Miranda, Luís Salém e Rafael Campos Rocha, a visibilidade bissexual que, por vezes, é escondida entre o homossexual e o heterossexual e, por isso, o filme não se torna maçante.

É interessante assistir ao Mário confuso por sentir atração por duas pessoas de sexos diferentes, tratando isso como uma indecisão ou algo esquisito, como se o normal fosse somente um sexo, o que sabemos que não é verdade. O filme também se diferencia por explorar um poliamor, que também não é um assunto ainda discutido como válido ou como “normal”, se é que existe algo normal. 

No fim, assistir ao filme Quem Vai Ficar com Mário vale a pena, justamente e somente por trazer visibilidade para uma categoria do LGBTQI+ que ainda está apagada e é tratada como parte do espectro da heterossexualidade e da homossexualidade, o que, de forma alguma, se faz uma verdade.

__________________________
Por Amanda Chaves – Fala! UFG

Tags mais acessadas