Crítica: 'Porque esta é minha primeira vida' fala sobre relacionamentos
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Crítica: ‘Porque esta é minha primeira vida’ fala sobre relacionamentos

Crítica: ‘Porque esta é minha primeira vida’ fala sobre relacionamentos

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O que é casamento para você? Amor e casamento são a mesma coisa? O dorama de 2017, Porque esta é minha primeira vida, procura responder essas perguntas durante seus 16 episódios. Confira, a seguir, a crítica sobre a série coreana que está fazendo sucesso.

Porque esa é minha primeira vida fala sobre amor, amizade e a complexidade dos relacionamentos.
Porque esa é minha primeira vida fala sobre amor, amizade e a complexidade dos relacionamentos. | Foto: Reprodução.

Porque esta é minha primeira vida aborda as complexidades da vida de casado

A trama apresenta Yoon Ji Ho (Jung Somin), uma escritora frustrada de 30 anos que não tem perspectiva nenhuma em seu trabalho ou amor, e Nam Se Hee (Lee Min Ki) um técnico na área de TI de 37 anos, que está perfeitamente satisfeito com sua vida e deseja que fique assim até sua morte – morando na mesma casa, no mesmo emprego e sozinho.

A família de Ji Ho é patriarcal, e sua mãe e ela sempre viveram nas sombras de seu pai e irmão mais novo. Ao perder sua casa para seu irmão, precisa encontrar agora um lugar para viver. Já Se Hee precisa de ajuda para pagar sua hipoteca, após expulsar seu último inquilino por “mau comportamento”. Por amigos em comum e uma série de desentendimentos, os dois acabam morando juntos sem saber.

Após a revelação, os dois se casam por interesses exclusivamente financeiros e pressão familiar.

O diferencial desse dorama é que ele é mais realista do que os outros. Da mesma forma que pode alegrar o espectador por ter partes leves e clichês, existem partes inovadoras e até mesmo ousadas para algo desse gênero. A escrita consegue deixar claro quando quer que o público fique feliz, surpreso, pensativo e triste.

As personagens são tão reais e com relações tão orgânicas, que cativam quem assiste à obra e mesmo as secundárias têm seu destaque e história.

A amizade e o figurino

Yoon Ji Ho, Yang Ho Rang e Woo Soo Ji são melhores amigas desde o ensino médio. A marca do trio é como as diferenças entre as três são bem notáveis, porém, deixadas de lado quando uma precisa de ajuda. Para deixar claro suas personalidades e suas evoluções como personagens, os figurinistas da série fizeram muito uso de suas roupas. Começando por Ji Ho, no começo da série ela adota um estilo mais prático e confortável, roupas largas e cores claras, combinando com o momento em que sua vida está estagnada. Ji Ho não prevê nenhuma melhora em qualquer aspecto de sua vida; seu trabalho não é valorizado, perdeu sua casa para seu irmão e não tem condições para entrar em um relacionamento. Porém, ao passar da série, notamos cada vez mais o uso de acessórios e tons mais escuros em seu guarda roupas.

As amigas Yoon Ji Ho, Yang Ho Rang e Woo Soo Ji.
As amigas Yoon Ji Ho, Yang Ho Rang e Woo Soo Ji. | Foto: Reprodução.

Woo Soo Ji almeja um cargo alto na empresa em que trabalha para poder ajudar sua mãe que mora no interior e tem uma deficiência que a impede de trabalhar, além disso, Soo Ji não pretende, e até mesmo evita, entrar em um relacionamento amoroso; e após passar mais da metade da obra sendo vista com roupas formais e salto alto, conseguimos ver a personagem de moletom e chinelo. Já Ho Rang, a mais romântica das três, é representada por roupas femininas e elementos fofos, como laços e saias, e seu sonho é casar e ter uma família. Ao contrário das outras, Rang não muda tanto seu vestuário, mas sim o cabelo, uma peça importante de sua personagem.

Nam Se Hee

Se Hee é apresentado como uma pessoa séria, sem emoções e que claramente está confortável com sua vida. Ele é um dos personagens mais velhos e muitas vezes mais sábios da trama, rendendo frases como a que originou o título da série no primeiro episódio: “Se anime, afinal, todos nós estamos vivendo essa vida pela primeira vez”. Vive uma vida solitária, com apenas um amigo e contato mínimo com sua família, como se evitasse qualquer interação humana o máximo que conseguisse. Por trás dessa fachada de homem sério e autossuficiente, está um Se Hee de 12 anos antes, com um trauma após sua ex-mulher, Jung Min, deixá-lo. Durante o percurso de sua história, vemos ele desabrochar novamente e acabar com suas inseguranças e intrigas do passado.

Yoon Ji Ho e Nam Se Hee não são o casal perfeito, mas sim perfeitos um para o outro.
Yoon Ji Ho e Nam Se Hee não são o casal perfeito, mas sim perfeitos um para o outro. | Foto: Reprodução.

Porque esta é minha primeira vida e a inovação do dorama

Após anos assistindo doramas que usam a mesma fórmula e retratam o final feliz com casamento, é inovador receber uma obra que acompanha três casais e como o amor e casamento não são necessariamente sinônimos. Não entenda mal, existem sim partes clichês que o público é acostumado, mas em uma dose significantemente menor do que os outros que precederam. Um bom exemplo é a entrada de Jung Min, ex-mulher de Se Hee; em uma outra obra ela seria considerada uma vilã e rival de Ji Ho, porém, ela é, na verdade, uma aliada e amiga da atual esposa de seu ex. Jung Min em momento nenhum parece guardar rancor de nenhum dos dois e realmente torce para que eles sejam felizes juntos.

A história flui naturalmente e não deixa pontas soltas em nenhum momento, mesmo quando o episódio termina sem explicar determinada situação, o próximo resolve esse problema nos primeiros minutos. Um ponto importante são as referências literárias e suas conexões com a trama, como o livro O Quarto 19, e deixa o espectador com vontade de comprar na livraria mais próxima. Cada vez que se assiste, se consegue uma nova interpretação na história e personagens.

A direção de arte apostou em cores bem vivas e cenários bem iluminados sempre, mesmo as cenas noturnas contam com muita iluminação, representando a leveza da história, e que não é algo difícil de assistir. A trilha sonora é impecável, e conta com nomes renomados como Hae Bin, do grupo Gugudan, e Melomance.

Porque esta é minha primeira vida está disponível na Netflix e Viki.

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Por Fernanda de Andrade Silva – Fala! Cásper

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