Coronavírus: Criação da vacina e percalços pela falta de investimento
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Coronavírus: Criação da vacina e percalços pela falta de investimento

Coronavírus: Criação da vacina e percalços pela falta de investimento

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O processo de criação de uma vacina já possui uma série de adversidades previstas, no entanto, no Brasil, elas são aumentadas pela falta de investimento 

O novo coronavírus está abalando as estruturas sociais e econômicas de todos os continentes. A situação, totalmente atípica, tem feito a comunidade científica de todo o mundo se dedicar, avidamente, na busca da contenção de toda a contaminação e subtração de vidas, por meio da criação de uma vacina. No entanto, o material imunológico não é algo simples de produzir. 

Segundo o doutor Andrés Galisteo Jr, pesquisador científico do Hospital das Clínicas (FMUSP), o processo é feito por meio de várias etapas, a fim de garantir que a aplicação traga eficácia e quase nenhuma reação adversa. Antes dos testes serem realizados em humanos, eles passam pelas testagens in vitro (testes feitos em células de animais fora do organismo vivo), e em animais experimentais. Quando eles são promissores nesta etapa, passam para a fase de testes controlados em pessoas.

vacina coronavírus
Vacina contra o coronavírus enfrenta falta de investimento no Brasil. | Foto: Reprodução iStock.

De acordo com o doutor, às vezes, acontece da primeira etapa ser positiva, e na segunda os resultados não serem satisfatórios. Quando isso ocorre, é preciso iniciar de novo, até que, de fato, o produto alcance imunização de forma segura. Em entrevista para o site Saúde, o médico Jorge Kalil, professor de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que não teremos uma vacina para o novo coronavírus em menos de 18 meses. Dependendo do material produzido, esse processo pode levar vários anos.

Ao ser perguntado se existe a possibilidade da ciência prever o surgimento de enfermidades infecciosas, como a Covid-19, entre outras, Andrés Galisteo informou que não há como, pois, as mutações e adaptações dos vírus em organismos da natureza não ocorrem de forma padronizada.

No entanto, há maneiras de prevenir proliferações de várias doenças, por meio de uma conscientização global de mudança de hábitos alimentares de algumas regiões, e em países subdesenvolvidos, através da democratização do saneamento básico e destinação correta do lixo. Segundo o doutor, o caminho mais seguro é precaver a saúde para não ser necessário remediar a doença. 

Além das adversidades esperadas no processo de fabricação de uma vacina, no Brasil, a pandemia trouxe à tona problemas existentes dentro dos institutos de pesquisas e laboratórios. A falta de investimento e os contingenciamentos feitos pelos governos federais, ao longo dos anos, estão  trazendo sucateamento às estruturas necessárias às criações. Consequentemente, o desenvolvimento científico no ramo imunológico, entre outros, sofre percalços.

Estamos com um déficit de pesquisadores em todas as instituições, bolsas de estudos para alunos de mestrados e doutorado estão sendo diminuídas nos últimos anos. Como resultado disso, nossas pesquisas estão sempre muito abaixo que os níveis de países desenvolvidos e por consequência nosso desenvolvimento fica comprometido.

Afirma o doutor Galisteo

No entanto, de acordo com o Dr Galisteo, apesar das dificuldades, o Brasil segue sendo o país com maior cobertura vacinal do mundo.

A pandemia do novo coronavírus evidenciou a importância de as nações destinarem seus recursos ao ramo científico, pois uma doença com altos índices de propagação pode colocar em risco toda a humanidade e, de acordo com o Dr Andrés Gaslisteo, somente a ciência pode dar respostas promissoras no desenvolvimento de ferramentas capazes de solucionar tribulações como esta.

A humanidade só chegou neste ponto de desenvolvimento graças à ciência. Não teríamos tanta tecnologia e tantos avanços médicos, com aumento de expectativa de vida, se não tivéssemos povos que em determinados momentos valorizaram a ciência.

Confirma o doutor Andrés Galisteo

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Por Bianca Rafaela da Silva – Fala! Anhembi

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