No mundo contemporâneo, a mídia é de suma importância para a construção da opinião popular a respeito de determinados assuntos. A Teoria do Agendamento (proposta por Maxwell McCombs e Donald Shaw) explicita bem esse ponto, já que aborda sobre a tendência da sociedade a considerar mais importantes os assuntos que são mais pautados pela mídia. Frente a isso, as agendas populares e debates de sociais foram invisibilizados por muito tempo. Isso porque não era de interesse da mídia que essas informações chegassem à grande massa.
Com as redes sociais e a facilidade da distribuição do conhecimento, essas pautas foram difundidas mais facilmente, fazendo com que a mídia compreendesse a relevância do posicionamento quanto a essas questões.

Representatividade e a mídia
Agora, graças à luta dos movimentos sociais, isso vem mudando, mesmo que a pequenos passos. A mídia tem contribuído para que esses grupos sejam ouvidos e não mais silenciados. Um exemplo disso é a novela A Força do Querer – que está sendo reprisada atualmente –, nela há um personagem que mostra a realidade dos homens trans.
Além disso, a maior representatividade nos desenhos infantis tem colaborado para a formação de futuros adultos mais conscientes. Animações como She-ra – remake da Netflix – e Steven Universo, da Cartoon Network, apresentam grande diversidade, contando com fortes personagens femininos, além de negros e LGBTQIA+.
Âmbito político
Com isso, começou-se a refletir sobre essa representatividade em outros âmbitos, principalmente o político. Toda democracia tem como regra a representação de seu povo, ou seja, o corpo político deve ser o mais diverso possível.
Considerando um país como o Brasil, Estado laico e multicultural, esse fator é ainda mais importante, é preciso que os governantes reproduzam as multiplicidades da população, uma vez que foram eleitos para representá-la. Graças ao preconceito e a desigualdade, o que vemos na política há muito tempo é que a maioria é composta por homens brancos cisgêneros (que se identificam com o gênero com qual nasceu).
As eleições de 2020, embora ainda tenha perpetuado essa desigualdade, foi uma das eleições mais otimistas quando se trata de representatividade. A eleição de pessoas trans e travestis triplicou, pela primeira vez o número de candidatos negros ultrapassou o de brancos – chegando mais próxima da realidade brasileira, em que negros são maioria.
O Brasil tem ainda muito a aprender com os movimentos sociais, sobre representatividade e o verdadeiro significado de democracia. Mas é inegável que o pensamento da população está mudando, só nos resta esperar que essa mudança mostre-se significativa no decorrer dos anos.
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Por Bárbara Moraes – Fala! UFPE