Por que não se fala da representatividade presente no seriado 'Glee'
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Por que não se fala da representatividade presente no seriado ‘Glee’

Por que não se fala da representatividade presente no seriado ‘Glee’

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A série Glee, escrita e dirigida por Ryan Murphy – mesmo criador de American Horror Story – foi lançada em 2009 e contava a história de Will Schuester, um professor de ensino médio que decide reviver o que uma vez já foi o bem-sucedido coral do McKinley High School, o Clube Glee. No desenrolar do enredo da série, muitos temas que ainda eram pouquíssimos explorados na TV americana ganharam visibilidade devido ao roteiro da trama. 

Durante o tempo em que a série foi exibida na TV americana, tivemos a chance de ver assuntos como bullying, homofobia, gordofobia, gravidez na adolescência e muitos outros temas. O que sempre chamou a atenção em Glee era a forma como os atores davam vida aos seus personagens e o que eles representavam para os fãs da série

Todos os personagens tinham suas parcelas de representatividade, mas alguns são importantes de destacar neste texto, tais como Santana Lopez, Kurt Hummel, Mercedes Jones, Artie Abrams, Becky Jackson e Wade ‘Unique’ Adam. O motivo desses papéis terem destaque nesse texto são as suas histórias e o que cada uma delas representa.

Glee
Glee. | Foto: Reprodução.

Representatividade em Glee

Santana Lopez

Santana Lopez foi interpretada pela recém-falecida atriz Naya Rivera, que desenvolveu a personagem com muita profissionalidade, tornando uma das “vilãs” da série e uma das personagens mais amadas pelo público.

A atriz deu vida a uma adolescente latina, com a língua afiada e atitude poderosa, que além de carregar a questão racial, acabou por ser tirada do armário na série, tendo sua orientação sexual exposta. Santana vinha de uma família extremamente religiosa e precisou lutar para que sua avó, a familiar com quem ela tinha contato, aceitasse quem ela realmente era.

Kurt Hummel 

Kurt Hummel foi um dos personagens principais da série e protagonizou cenas e duetos emocionantes ao lado dos seus colegas de elenco, mas o que marcou a atuação de Chris Colfer como Kurt foi a forma como ele representou os dramas e medos vividos por um adolescente abertamente gay no ensino médio.

Kurt Hummel sofreu ataques constantes dos atletas de futebol do McKinley, foi humilhado diversas vezes pela treinadora/diretora e, ainda assim, se tornou um ícone em Ohio e serviu de inspiração para outros personagens aceitarem a si mesmos como eram, como foi o caso de Karosfky e Unique.

Mercedes Jones

A terceira personagem que chama atenção pela sua trajetória é Mercedes Jones, uma estudante do Colégio McKinley. Mercedes enfrenta problemas em relação ao corpo durante a série, sendo questionada diversas vezes se não tinha desejo de emagrecer, ou sendo apontada como uma garota “feia” pelo fato de não se encaixar nos padrões das outras meninas do colégio.

Fora isso, Mercedes tinha seu talento constantemente ofuscado dentro do próprio Clube Glee, tendo que se impor inúmeras vezes e declarar que tinha vontade de cantar determinadas músicas que eram sempre dadas para os outros integrantes do grupo.

A personagem se mostra um exemplo de superação ao aceitar a si mesma como ela é e ainda ir além, indo atrás do seu sonho de ser uma cantora conhecida como Aretha Franklin, uma das suas grandes inspirações na série.

Artie Abrams

Artie Abrams era um personagem extremamente talentoso e inteligente, era encarregado de fazer muitos dos arranjos das músicas cantadas pelo Clube, cantava e se arriscava em cantar suas próprias versões de raps famosos que foram regravados na série. Além disso, o personagem interpretado por Kevin McHale era cadeirante e, durante a série, são expostas inúmeras situações onde Artie era subjugado pelo fato de ter uma deficiência física.

O interessante de toda a trama é que Artie constantemente quebrava barreiras impostas ao personagem, demonstrando que pessoas com deficiências físicas não eram debilitadas ou incapazes de realizar as atividades que eles realizavam.

Becky Jackson

Becky Jackson é a líder de torcida meio malvada do McKinley. Becky era interpretada por Lauren Potter e a personagem tinha Síndrome de Down. O fato de que Becky tinha uma “limitação” é totalmente deixado de lado por conta da forma como sua história foi escrita.

Ryan Murphy teve o cuidado de não fazer distinção na trama de Becky, atribuindo cenas e falas que não girassem em torno da sua síndrome. Durante a série, a Síndrome de Down é abordada, mas sem o peso que temos o costume de ver em outras séries ou filmes, atribuindo um ar de comédia para a personagem.

Unique Adam

E, por último, mas não menos importante, temos Unique Adam. Unique é apresentada à trama ainda como Wade, o vocalista de um dos clubes rivais. Wade era um garoto tímido para subir aos palcos e, na tentativa de superar isso, com a ajuda de Kurt Hummel, cria um persona feminino para apresentar-se em nome do Vocal Adrenaline.

Sua história começa a ser desenvolvida quando Wade ‘Unique’ se transfere para o McKinley para integrar o New Directions, o clube de coral do colégio. Durante a trama, Unique demonstra o seu desejo em ser tratada no feminino, o que não é respeitado por muitos dos personagens do colégio, gerando um grande debate em relação à transfobia, isso tudo em TV aberta e para todo os Estados Unidos.

Um dos momentos mais emocionante é quando Unique canta If I Were a Boy, de Beyoncé. Na cena em questão, Unique está tentando se achar em meio à sua transição e é brutalmente agredida verbalmente por jogadores do colégio. 

Essas são algumas histórias e alguns personagens marcantes da série, mas todos possuem sua parcela de representatividade. Mesmo fugindo da realidade de muitas escolas, Glee mostra a realidade de muitos adolescentes que lutam constantemente contra seus medos durante o ensino médio.

O importante da série é mostrar que as mais diversas situações sempre possuem uma saída e o mais interessante é que, mesmo tratando-se de uma obra de ficção, é possível perceber como se assemelha aos cenários do cotidiano das pessoas que se sentem atraídas pelo conteúdo da série.

Atualmente, as 6 temporadas da série estão disponíveis na Netflix para quem quiser assistir e entender um pouco mais do enredo que conquistou muitos espectadores pelo mundo durantes os 6 anos que a série foi exibida na TV e até depois, sendo disponibilizada em serviços de streaming.

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Por Vinícius Mendes – Fala! UFPE

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