Como a natureza reage à pandemia do novo coronavírus?
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Como a natureza reage à pandemia do novo coronavírus?

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Afastamento humano por conta da pandemia do Covid-19 impacta a natureza, que começa a sentir melhoras

Com todo o caos que o mundo está vivendo, medidas de isolamento social estão sendo tomadas na tentativa de conter o novo coronavírus. Com a desaceleração de grandes cidades, nos últimos tempos, houve impactos positivos na natureza, o que tem ajudado na reabilitação do meio ambiente.

Alguns registros da Agência Espacial Europeia (ESA – sigla em inglês) e da NASA mostram a redução de poluentes atmosféricos. Há uma queda significativa na emissão de dióxido de carbono e dióxido de nitrogênio, com a diminuição de transportes e a pausa em diversas fábricas.

Na China, por exemplo, ocorreu uma baixa de 25% na liberação de NO2. Na imagem abaixo, é possível ver a diferença de tamanho da mancha vermelha no Rio de Janeiro e em São Paulo, dois grandes centros urbanos do país.

impactos ambientais positivos causados pelo coronavírus
Liberação de NO2 em São Paulo e no Rio de Janeiro. | Foto: Diego Hemkemeier Silva/Divulgação/Via G1.

Outras melhorias também aconteceram no Rio de Janeiro. Com muita gente em casa, a quantidade de lixo recolhido nas praias cariocas caiu consideravelmente, cerca de 91%.

De acordo com a Comlurb, a empresa costumava recolher 120 toneladas de detritos das areias durante a semana ao longo do verão e 341 toneladas nos fins de semana. Estes números foram reduzidos a 10 toneladas em toda a orla de segunda a sexta e 15 toneladas nos fins de semana, segundo dados da companhia. O lixo retirado nas praias durante o período de afastamento se refere, principalmente, a resíduos trazidos pela maré.

Outros impactos positivos no meio ambiente

Além disso, há evidências de que abelhas, aves, lagartos, peixes e tartarugas apareceram pelo Bondinho Pão de Açúcar e pela Baía de Guanabara. Especialistas acreditam que isolamento gerou uma “liberdade” para os bichos circularem. Outros países também registraram cenas como essas.

A população flagrou as águas de algumas praias, como a de Botafogo e da Baía de Guanabara, cristalinas. Entretanto, nem tudo está atrelado somente à quarentena. Especialistas explicam que além da redução das produções industriais, o fenômeno que ocasionou o retorno da biodiversidade marinha na baía também está associado à chamada “maré sizígia” ou “oceânica” e ao processo natural conhecido por hidrodinâmica, que permite uma “autolavagem”.

“Nesse período, há um aumento no nível médio do mar e isso explica, por exemplo, que juntamente com a presença dessa biodiversidade marinha, diversos trechos e comunidades situadas à margem da Baía de Guanabara sofreram fortes inundações e alagamentos. O segundo aspecto, também natural, é a chamada hidrodinâmica da Baía de Guanabara. Esse fenômeno ocorre de 15 em 15 dias. Nele, a baía passa por um processo interno de ‘autodepuração’, ‘autolavagem’: entram bilhões de litros de água do mar e circulam a oeste e a leste até chegar ao arquipélago de Paquetá que serve como uma espécie de alavanca para empurrar para o alto mar grande parte dos poluentes, lixo, esgoto e óleo”, detalha um dos fundadores do movimento Baía Viva.

Assim, mesmo com tantos momentos ruins, basta mudar um pouco o ângulo do olhar para ter um pouco mais de esperança. Assim como a natureza está se beneficiando de alguma maneira desse episódio, as pessoas também se recuperarão e será possível, então, tirar grandes lições de tudo isso. No mais, fique em casa e lave bem as mãos. Se não for possível, use máscara e não esqueça o álcool em gel. 

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Por Eliabe Figueiredo – Fala! UFRJ

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