BBB20: A importância da presença de causas sociais
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BBB20: A importância da presença de causas sociais

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O Big Brother Brasil chegou a sua 20° edição e a produção não mediu esforços para que o reality fosse um sucesso de audiência. Além dos anônimos de costume, esse ano estão participando atletas, cantores, atores e influenciadores digitais, ainda com dois novos participantes que entraram após as duas primeiras eliminações. 

Os primeiros 18 integrantes da vigésima edição do Big Brother Brasil.
Primeiros participantes desta edição do BBB. | Foto: Reprodução.

Já no começo do programa, um grupo formado chamou a atenção. Lucas, Pétrix, Hadson, Prior, Guilherme e Chumbo, já foram mostrando suas caras com as falas machistas que emitiam constantemente. Eles, que inclusive bolaram um plano de se envolverem com as meninas comprometidas para queimá-las com o público e foram descobertos pelas mesmas.

Assim, as meninas passaram a dar visibilidade à luta do feminismo que ocorre aqui fora e também estava sendo necessária dentro da casa, causando uma boa repercussão fora do reality. Isso também proporcionou à Marcela, uma das mais engajadas na luta contra o machismo da casa, um favoritismo provisório pelo público ter passado a se identificar com esse combate que também ocorre aqui fora.

Ao passar das semanas, o movimento feminino ganhou força e isso foi se mostrando na prática. Afinal, após nove eliminações, Bianca, conhecida como Boca Rosa, foi a única mulher eliminada, sendo ainda uma das poucas que se manteve próxima dos principais alvos.

As atitudes que as participantes vêm tomando nessa edição vêm sendo muito importantes para mostrar aos telespectadores que não se deve aceitar atitudes machistas e que a luta por respeito deve ser uma luta de todos. 

As participantes mulheres se unem pra confrontar Hadson por suas atitudes machistas.
Sisters se reúnem para confrontar Hadson e suas atitudes machistas. | Foto: Reprodução.

Em paralelo a isso tudo, Babu Santana, negro e o mais velho do programa, nunca conseguiu se encaixar em nenhum dos grupos que se formou e passava boa parte do seu tempo sendo responsável pela cozinha. Muitas vezes perdendo a paciência com a imaturidade e irresponsabilidade de outros participantes, passou a ser julgado como monstruoso e violento, mesmo sem nunca ter dado indício de agressão.

O racismo cometido pelos outros membros foi ficando cada vez mais explícito em outras ocasiões ao longo das semanas. Como quando Daniel disse que não conseguia ver a imagem do Babu no Vip – grupo de pessoas, selecionado pelo líder, que desfruta de comidas melhores nas refeições. Ou quando Marcela disse que consideraria levar ele para o Vip para arrumar a cozinha, rindo, e na brincadeira onde ficaram imaginando como se o programa fosse uma escola, e a mesma disse que Babu seria o dono da cantina, enquanto falavam que ele seria o professor.

As várias ocorrências, cada vez mais recorrentes, foram fazendo com que o público se comovesse e abraçasse Babu, que hoje conta com a torcida de várias celebridades como Gabigol, atacante do Flamengo, e Anitta, cantora pop, por exemplo.

Inclusive, esse apoio pode ser notado no fato do ator ter voltado de todos os 4 paredões que disputou, até mesmo um deles contra um dos favoritos do programa que acabou sendo eliminado, Pyong Lee. 

Babu, deslocado, chora na cozinha.
Babu chora na cozinha. | Foto: Reprodução.

Contudo, Babu não foi a única vítima de racismo dentro da casa mais vigiada do Brasil. Thelma, negra e médica, também vem sofrendo com algumas atitudes de outros integrantes do reality, seja com ações explícitas ou indiretas. Logo depois de uma discussão acalorada, o integrante Lucas Gallina insinuou que ela só gritou e o xingou por “não ter berço”, o que deixou o público revoltado nas redes sociais.

Além disso, após vencer uma prova de resistência de mais de 26 horas após a desistência de Mari, que se manteve até onde pôde, Thelma viu sua vitória ser desmerecida pela mesma, que insinuou para outros participantes que a havia deixado ganhar.

O problema é que, dentro da casa, o racismo não vêm sendo combatido como deveria, diferente das atitudes que houveram contra o machismo. Isso ocorre porque, estruturalmente, o racismo ocorre de maneira mais sorrateira e velada, enquanto o machismo vem sendo mais percebido pelas pessoas, que têm se engajado mais nessa luta.

Apenas Babu e Thelma sabem as dificuldades e o menosprezo que passam, fazendo com que eles fizessem um pacto de só votarem entre si em situações extremas, “por algo que é maior que eles”, como já falaram. 

Thelma e Babu se unem na luta contra o racismo.
Thelma e Babu se unem na luta contra o racismo. | Foto: Reprodução.

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Por Gabriel Neukranz – Fala! UFPE

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