As diferenças entre o desenho 'Avatar' e o filme 'O Último Mestre do Ar'
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As diferenças entre o desenho ‘Avatar’ e o filme ‘O Último Mestre do Ar’

As diferenças entre o desenho ‘Avatar’ e o filme ‘O Último Mestre do Ar’

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Avatar: a lenda de Aang continua sendo relevante desde de sua estreia em 2005. Seja por ter uma história comovente e divertida, por abordar temas complexos e atuais ou por ter lutas muito bem coreografadas em sua animação. Recentemente, surgiu a notícia de que seria adaptada para a série live-action pela Netflix.

Para os fãs, a possibilidade de isso acontecer traz de volta más lembranças. Avatar já teve uma adaptação como filme, O Último Mestre do Ar, e não teve muito sucesso. Quais foram os erros de direção do longa? Irei comparar a série da animação original com o O Último Mestre do Ar

O Último Mestre do Ar netflix
As diferenças entre o desenho Avatar e o filme O Último Mestre do Ar.

Diferenças entre Avatar e O Último Mestre do Ar

1) Elenco 

O mundo de Avatar é separado entre quatro povos, cada um representando um elemento e uma nação do nosso mundo: os Nômades do Ar representam os monges budistas; as Tribos da Água representam os indígenas Inuit; o Reino da Terra tem influências chinesas e coreanas; a Nação do Fogo é inspirada pela cultura japonesa. Cada personagem pertencente a um desses grupos apresentava uma etnia diferente na série.

O filme, por outro lado, coloca atores caucasianos para fazer os papéis de personagens influenciados pela cultura asiática, como Sokka e Katara. O que chamou a atenção dos fãs também foi a escolha de inverter as cores dos heróis e dos vilões da série, como a Nação do Fogo ser representada por indianos e a Tribo da Água, por brancos. A distorção da etnia dos personagens gerou bastante revolta na época e prejudicou muito a imagem do filme. 

2) Lutas 

Como fã de Avatar, o que me prendia mais eram as lutas usando os elementos como o fogo e o ar. O que era interessante eram os movimentos usados para a dobra elemental, que pareciam técnicas de artes marciais com a aplicação de elementos e que variavam os movimentos conforme a dobra, como a Dobra de Água ter um ritmo suave e harmônico, enquanto a Dobra de Terra era firme e dura como a própria terra.

O que é doloroso de ver são as lutas recriadas em 3D durante O Último Mestre do Ar, que usam efeitos de má qualidade e nenhum esforço na coreografia. O uso dos elementos pelos personagens se torna apenas para exposição ao invés de criar grandes cenas de combate e gerar empolgação pela história.  

3) Narrativa 

A história da série é sobre Aang, que é o último dominador de ar e o Avatar. Sua missão é aprender os outros três elementos e restabelecer o equilíbrio no mundo desde o ataque da Nação do Fogo.

A primeira temporada, com o nome de Livro 1: Água, é composta por 20 episódios e conta a jornada que Aang teve para aprender o elemento da água. Cada “capitulo” desse livro nos contava momentos engraçados e de aventura de Aang, Katara, Sokka, Momo e Appa, acrescentando mais para a história e o desenvolvimento dos personagens.

O problema de adaptar uma temporada completa em um filme é o limite de tempo, sendo que o longa pode omitir partes importantes e/ou agilizar com sua narrativa. Isso que ocorreu com o O Último Mestre do Ar, com a duração de 1 hora e 43 minutos. A decisão de deixar a sua adaptação com o formato de série é mais sensata, porque previne o risco de encurtar demais a aventura, deixa um ambiente melhor para a construção da história. A adaptação para filme não é algo impossível, mas a produção de um filme requer uma narrativa mais fechada e autossuficiente. O que não foi o caso de O Último Mestre do Ar

4) Temas abordados 

O mais difícil de ensinar para uma criança é sobre temas que nem adultos entendem direito, como racismo, discriminação, xenofobia. Um dos méritos de Avatar é apresentar esses temas de maneira compreensível e palatável para uma audiência mais jovem, sendo com os eventos da série ou a ações dos personagens. Poucos desenhos para crianças conseguem falar sobre esses assuntos de maneira bem natural como Avatar fez. Sua sequência, A Lenda de Korra, continuou esse esquema, dessa vez, abordando sobre sexualidade e movimentos extremistas.

Na adaptação live-action, isso é deixado de lado. O filme é tão apressado que foca mais no uso de efeitos especiais do que qualquer outra coisa. Embora as menções sobre o estado do mundo de Avatar sejam bem breves e esquecíveis. O único ponto que aborda, indiretamente, é o problema da indústria cinematográfica nas adaptações de escolher atores caucasianos para interpretar personagens de diferentes etnias. Bom trabalho. 

A adaptação de uma obra para outro meio sempre apresentará mudanças, mas sejam essas mudanças boas ou ruins, será uma questão para os produtores da série. Estou empolgado para ver essa série em breve! 

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Por Guilherme Schanner – Fala! Mack

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