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Abracadabra 2: leia a crítica

A expectativa para Abracadabra 2 foi gigante. O ano era 1993 e a Disney, em parceria com o diretor Kenny Ortega pareceram ter uma das ideias mais brilhantes possíveis: juntar Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy para viver três das mais icônicas bruxas já vistas em qualquer universo cinematográfico, as irmãs Sanderson.

Abracadabra 2
Abracadabra 2: crítica. | Foto: Reprodução.

O enredo do primeiro filme de Abracadabra acompanha Winnie (Bette Midler), Sarah (Sarah Jessica Parker) e Mary (Kathy Najimy) chegarem ao século XX após seus espíritos serem evocados no Dia das Bruxas. As bruxas haviam sido banidas há 300 anos devido à prática de feitiçaria, e em seu retorno elas estão dispostas a tudo para garantir sua juventude e imortalidade, mas para isso, precisarão enfrentar três crianças e um gato falante, que podem atrapalhar seus planos.

Com notas medianas alcançadas pela crítica, o filme se tornou um marco devido ao carisma e química entre as atrizes que viviam as personagens principais e os momentos de diversão que as três proporcionaram em cena, o que foi suficiente para segurar a narrativa simplória. 

Abracadabra 2
Abracadabra 2. | Foto: Reprodução.

Com Ortega (High School Musical e a Trilogia Descendentes) em seu currículo, já era de se esperar que os números musicais fizessem parte da produção e, diga-se de passagem, foram colocados com a perspicácia e excelência que permitiram Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy brilhar, no aclamadíssimo e atemporal que seria o primeiro filme de Abracadabra.  

Abracadabra 2: A perda do encanto 

Abracadabra 2 filme
Abracadabra 2 filme. | Foto: Reprodução.

Quando anunciado em 2021 que as irmãs Sanderson retornariam 29 anos depois para uma sequência, muitas foram as dúvidas geradas, se juntariam também ao elenco do longa os personagens originais Omri Katz, Thora Birch e Vinessa Shaw? Ou acompanharíamos um cenário composto por personagens completamente diferentes? 

Pontos positivos do longa 

Podemos colocar da seguinte forma: se uma sequência não for produzida para trazer elementos novos que agreguem à narrativa original, não a produza!

Entretanto, no caso de Abracadabra 2, o próprio início do filme se torna mais interessante que o restante da obra. Isso porque apresenta a história de como as jovens – que aqui foram interpretadas por atrizes que merecem reconhecimento pela sua atuação – Winnie, Sarah e Mary adentraram no mundo da feitiçaria após serem julgadas bruxas pelo reverendo que representa a instituição repressora católica. 

Buscando refúgio na floresta proibida, as três logo encontram uma bruxa de extremo poder que presenteia Winnie com seu livro de feitiços, explicando assim a origem do amado livro da personagem. Além disso, a bruxa busca alertá-la sobre um único feitiço, usado para aumentar o poder das bruxas, que jamais pode ser usado.

Apesar das informações novas, elas funcionam como um “chiclete” que nos leva a perguntar: “Por que elas não usaram o feitiço no primeiro filme?”. É quando começam nossas problemáticas. 

Pontos negativos do longa

Estamos novamente em Salém, 29 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Declarações da nova diretora, Anne Fletcher, explicaram que após meticulosas conversas, o elenco original do filme foi incapaz de retornar, sendo assim, dessa vez acompanhamos Becca (Whitney Peak) e Izzy (Belissa Escobedo), duas jovens que planejam suas comemorações de Halloween, dessa vez com a ausência da melhor amiga de infância delas, Cassie (Lilia Buckingham).

Abracadabra 2 possui pontos positivos e negativos
Abracadabra 2 possui pontos positivos e negativos. | Foto: Reprodução.

As adolescentes fissuradas em magia e velhas clientes de uma loja de feitiçaria recebem de presente de Gilbert (Sam Richardson), o dono da loja, uma vela preta. E assim estão de volta nossas queridas e amadas irmãs Sanderson, com suas performances cativantes e poderes com melhores efeitos especiais.

Um dos principais erros grotescos do filme foi não justificar o porquê Gilbert gostaria de ver a volta das três bruxas, apesar de explicar sua presença nos acontecimentos do primeiro filme, nem como entrou em contato com o livro encantado e por que o livro se abriu para ele.

Após o retorno das bruxas, as clássicas aventuras tiram um sorriso ou outro do telespectador, como as três não sabendo utilizar corretamente as portas automáticas ou Mary precisando voar em algo tão convencional. Essas comédias baratas foram repetidas no segundo filme e realmente deram a sensação de nostalgia, mas de longe foram capazes de segurar a qualidade da obra.

Porém, de resto, sabemos exatamente o desfecho do longa, as irmãs tentam usar o feitiço para ficarem mais poderosas e para isso precisam tirar Becca e Izzy de seu caminho. É aí que mais um evento sem sentido acontece na famigerada sequência de Abracadabra, Becca, é também, uma bruxa, sem nenhum aprofundamento ou explicação.

Finalmente, conseguindo usar o feitiço, as irmãs percebem que havia um preço a se pagar e era perder uma à outra. Winnie faz um apelo para que Becca a ajude a recuperar as irmãs perdidas e as Sanderson novamente desaparecem em uma nuvem de luz brilhante após um fantástico show na praça da cidade.

Batendo o Martelo

A sequência, se é que assim pode ser chamada, de Abracadabra, está mais para um remake do que para um segundo filme. A narrativa consegue ser mais preguiçosa e desconexa do que a do primeiro, que pelo menos possuía certo glamour.

Então, a única coisa que vale a pena em Abracadabra 2 é assistir Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy elevarem ainda mais seu potencial com o carisma, unicidade e personalidade das irmãs Sanderson. Quando elas estão em tela, o filme é completamente interessante, quando não estão, é apenas uma obra mediana que provavelmente teve o orçamento tão baixo quanto parece.

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Por Eduardo Augusto – Fala! Universidade Federal de Goiás

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