'A Chegada' - confira a crítica do filme com Amy Adams
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‘A Chegada’ – confira a crítica do filme com Amy Adams

‘A Chegada’ – confira a crítica do filme com Amy Adams

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O filme A Chegada foi lançado no ano de 2016 e possui inúmeros elementos que contribuem para tornar a sua história envolvente e emocionante. O roteiro foi produzido por Eric Heisserer e a direção ficou por conta de Denis Villeneuve.

O enredo central gira em torno da chegada de seres extraterrestres à Terra em doze naves diferentes. A linguista Louise Banks (Amy Adams) foi procurada por militares e autoridades estadunidenses para, juntamente com o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner), decifrar as mensagens dos seres interplanetários e compreender se eles representam algum tipo de ameaça à humanidade. 

a chegada amy adams
Cartaz do filme A Chegada. | Foto: Reprodução/AdoroCinema.

Crítica do filme A Chegada

Trama

Um dos pontos fortes do filme é a protagonista Louise, que pode ser considerada a heroína da história, pois no início não sabia da importância que teria para o futuro de todos, e muito menos de que forma isso influenciaria a sua vida. A linguista foi chamada para a importante missão de compreender a língua dos heptapods, supostamente alienígenas, para entender o motivo real que os fez vir à Terra. Conforme ela começa a interagir com eles e aprender o seu idioma, Louise passa a entender o tempo da mesma maneira que essas criaturas, ou seja, de forma circular.

Nesse sentido, a linguagem deles está totalmente associada à noção de tempo, pois, por esta ter uma configuração circular, o tempo também é percebido desta maneira, fazendo com que eventos do passado, do presente e do futuro aconteçam simultaneamente. A relação entre língua e tempo, baseada em teorias que mostram que o formato e o vocabulário de um idioma podem mudar as percepções de quem os utiliza, são essenciais para a compreensão da história e, juntos, tornam os fatos abordados ainda mais enriquecedores e tocantes. 

Quando a protagonista entra na nave dos heptapods, eles a avisam que estão na Terra, pois daqui a três mil anos, vão precisar da união dos seres humanos no presente e a arma para essa junção será justamente o idioma e a noção de tempo deles. Dessa forma, eles afirmam que ela possui essa arma e, portanto, será responsável por unir a humanidade.

Quando linguistas traduziram uma escrita dos heptapods, notaram que eles haviam mencionado o termo arma e, por conta disso, alguns países achavam que esses seres interplanetários almejavam entrar em guerra com a humanidade. Inclusive, um general chinês queria iniciar essa guerra, mas Louise sabia que essa não era a intenção dessas criaturas e “se lembrou” de algo que tinha dito para o general que o fez desistir da guerra. Isso, porque, ao analisar o tempo de forma linear, é como se a linguista previsse o futuro, mas, na verdade, para ela, está ocorrendo ao mesmo tempo. A importância que Louise tem no filme é surpreendente, tendo em vista que, no início do filme, ninguém esperava que ela seria a grande responsável por evitar uma grande guerra de proporções mundiais. 

Construção narrativa

Embora alguns espectadores critiquem o filme por considerá-lo lento demais, é importante destacar que essa velocidade faz parte da construção da narrativa. O principal da história é mostrar o processo de aprendizagem de Louise e de que forma isso afeta a sua vida e a sua percepção de tempo. Assim, essa velocidade lenta fornece à obra a calma necessária para mostrar como esse processo se dá e como, aos poucos, isso vai mudando a vida da personagem principal.

Sem sombra de dúvidas, a surpresa é um dos principais aspectos positivos da obra. Além do fato surpreendente de ter como temas principais linguagem e tempo – algo não esperado em um filme sobre alienígenas -, a grande surpresa do filme envolve a filha de Louise.

No início do filme, ela conta que a sua filha faleceu ainda jovem em decorrência de uma doença, o que sugere aos espectadores que se trata de um fato passado, anterior à chegada dos extraterrestres. Ao longo do filme, a protagonista tem várias visões de sua filha, como se fossem lembranças e memórias do passado, mas, quando Louise entra na nave dos heptapods, descobre-se que ela consegue enxergar o futuro e, assim, a filha que parecia que já tinha morrido, ainda não havia sequer nascido. Essa é a filha que ela terá no futuro e que apenas sabe de sua existência por ver o tempo de forma circular. No final da história, Louise cumpre a sua missão, evita a guerra e decide se casar com Ian e ter a filha, mesmo sabendo que, no futuro, se separará do marido e irá perder a filha. 

Portanto, Louise não consegue mudar o futuro, pois as suas decisões do presente são tomadas simultaneamente ao futuro e que, portanto, são escolhas que já estão sendo feitas. A mensagem transmitida pela história é de que vale a pena viver cada momento que traz felicidade, mesmo que o final não seja feliz ou que desejamos.

A sequência final é conduzida de uma forma extremamente tocante e emocionante, com uma trilha sonora de arrepiar, filmagens brilhantes, falas emocionantes e uma atuação impecável de Amy Adams. Assim, é muito importante que as pessoas se permitam conhecer o filme A Chegada, pois seu enredo e seus ensinamentos vão muito além de uma simples história que retrata a chegada de extraterrestres à Terra.

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Por Camille Magri Garabosky – Fala! Cásper

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