Movimento Manguebeat: 30 anos de história
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Movimento Manguebeat: 30 anos de história

Movimento Manguebeat: 30 anos de história

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O movimento de contracultura do Recife, que se iniciou na década de 90, completa 30 anos em 2022. Inconformados com a situação socioeconômica dos estados fora do eixo Rio-São Paulo, jovens pernambucanos promoveram uma revolução cultural a partir do Movimento Manguebeat, que misturava a cultura tradicional com a moderna.

A seguir, confira mais detalhes sobre o Movimento Manguebeat!

Movimento Manguebeat
Conheça o Movimento Manguebeat. | Foto: Montagem/ Reprodução

Conheça a história do Movimento Manguebeat

Há 30 anos, sem o uso das redes sociais, as canções do movimento protestavam contra a pobreza, a desigualdade social e a violência, já que a capital pernambucana, no início da década de 90, era uma das piores capitais brasileiras para se morar. “As músicas estimulam o pensamento crítico e geram um descontentamento necessário para a população aderir às lutas de teor social”, afirma Alice Sobreira, que é pernambucana e curte o som.

De acordo com os principais idealizadores, Chico Science e Fred Zero Quatro, naquele período as “artérias” recifenses estavam “bloqueadas” e a cidade se mantinha num descaso tanto econômico quanto cultural, havendo a necessidade de desorganizar para então organizar essa estrutura. Assim, com a finalidade de resgatar os elementos da cultura regional, o maracatu, o coco e a ciranda foram mesclados com elementos da cultura pop, trazendo uma revitalização no cenário pernambucano.

O termo “manguebeat” designa da junção da palavra mangue, que é um ecossistema típico da cidade de Recife, com a palavra beat, que, em português, significa batida. Assim, os caranguejos presentes na lama dos mangues, que são capturados e vendidos por trabalhadores que buscam sua subsistência, tornaram-se símbolo do movimento.

Hoje, 30 anos após o manifesto “Caranguejos com Cérebro” de Fred Zero Quatro, as músicas do Movimento Manguebeat ainda ecoam pelas ruas e trazem estima aos pernambucanos. “As canções do movimento despertam em mim uma sensação de pertencimento à Pernambuco, eu sinto orgulho de ser daqui”, relata Heloísa Vasconcelos que reside na capital pernambucana e é fã do Movimento Manguebeat. Além disso, o som segue se reinventando e inspirando grupos como a Academia da Berlinda e a Banda Eddie.

Muitos trechos continuam atuais, o que chama a atenção para mais uma característica do movimento: a periodicidade. “Nos últimos 30 anos, a síndrome da estagnação, aliada à permanência do mito da metrópole só tem levado ao agravamento acelerado do quadro da miséria e do caos urbano”, diz uma passagem do manifesto “Caranguejos com Cérebro” feito por Fred Zero Quatro.

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Por Cecília Calado – Fala! Universidade Federal do Alagoas

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