Vacinação: especialistas afirmam que Brasil pode demorar 4 anos para atingir imunidade
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Vacinação: especialistas afirmam que Brasil pode demorar 4 anos para atingir imunidade

Vacinação: especialistas afirmam que Brasil pode demorar 4 anos para atingir imunidade

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Acompanhe como está a vacinação do seu estado e os números da pandemia nas capitais

Desde o dia 18 de janeiro, com o início da vacinação em todos os estados e Distrito Federal, os corações de todos os brasileiros se encheram de esperança com a possibilidade da pandemia finalmente estar chegando ao fim.

A primeira pessoa vacinada no país, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, recebeu a primeira dose da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac, no domingo, 17/01, minutos após a CoronaVac e a vacina de Oxford/AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz, serem aprovadas para uso emergencial em reunião da diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em coletiva promovida pelo governo do estado de São Paulo para transmitir a vacinação ao vivo, Mônica defendeu a vacina e disse que a imunização é uma oportunidade de recomeço para toda a população do Brasil.

Eu tenho muito orgulho disso, dessa grande oportunidade, e falo, como brasileira, vamos nos vacinar. Não tenham medo. É disso que nós estamos precisando. É isso que a gente estava esperando, a vacina. Para a gente poder voltar à vida ao normal. Dar um abraço, um aperto de mão.

Disse Mônica.
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1,05% da população brasileira foi imunizada até o momento. | Foto: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo.

A expectativa da população é grande. A advogada Luciana Viana, 48 anos, foi infectada pelo novo coronavírus em janeiro e afirma que não vê outra saída que não seja a vacina. Para ela, “é a única esperança de nos livrarmos desse vírus”. No entanto, a imunização de pessoas como Luciana, que não possui comorbidades e nem está na lista de prioridade do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, ainda não tem previsão de acontecer.

Plano Nacional de Vacinação

Recentemente o Ministério da Saúde atualizou o Plano Nacional, incluindo trabalhadores industriais e portuários nos grupos prioritários, chegando a um total de 77,2 milhões de pessoas. Agora, o grupo prioritário abarca os seguintes públicos: pessoas com 60 anos e pessoas com deficiência que vivem em instituições de longa permanência, povos indígenas aldeados, trabalhadores da saúde, pessoas com mais de 75 anos e povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas.

Em seguida, vem pessoas de 60 a 74 anos, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente grave, moradores de rua, população privada de liberdade e funcionários dessas instituições, trabalhadores da educação do ensino básico e superior, forças de segurança e armadas. Foram acrescentados ainda trabalhadores do transporte, abarcando empregados do transporte público e coletivos, linhas aéreas e transporte metroviário, rodoviário e aquaviário.

O Brasil ainda não tem doses suficientes nem para vacinar esse público. Até o momento, foram distribuídas para os estados um total de 8,9 milhões de doses da vacina (2 milhões da vacina de Oxford/AstraZeneca e 6,9 milhões da CoronaVac), suficiente para vacinar apenas 5,3 milhões de pessoas, aproximadamente 6,8% do total do grupo prioritário.

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News, seguindo esse ritmo o Brasil pode demorar cerca de 4 anos para atingir a imunidade de rebanho, já que foram vacinadas pouco mais de 4 milhões de pessoas até o momento. O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, afirmou à BBC que já deveríamos ter utilizado todo o primeiro lote de 6,9 milhões da CoronaVac, o que mostra uma marcha abaixo das expectativas e da capacidade do nosso sistema de saúde.

Um balanço realizado pelo consórcio de veículos de imprensa, formado por G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, mostra que foram vacinados apenas 1,91% da população brasileira. A informação é fruto de uma nova parceria do consórcio, que elaborou o mapa da vacinação contra Covid-19 no Brasil, utilizando dados das secretarias estaduais de saúde.

Em números absolutos, São Paulo é o estado que mais imunizou sua população até o momento, atingindo um total de 1.017.116 vacinados. Em segundo lugar vem Minas Gerais, com 350.736 imunizados, e em terceiro lugar, a Bahia, com 332.183. Os dados foram atualizados pelo consórcio até o dia 09/02.

Em termos de porcentagem da população vacinada, São Paulo despenca para 6° lugar, tendo vacinado 2,2% de sua população. Em primeiro lugar encontra-se Amazonas, que vacinou 3,65% da população, seguido pelo Distrito Federal, com 3,45% e, por fim, Roraima, com 2,84% da população imunizada.

Transparência

Após inúmeras denúncias de fura-fila, órgãos de controle e sindicatos cobram dos estados e municípios por mais transparência e publicidade sobre a vacinação contra a Covid-19.

O caso do Amazonas, por exemplo, é preocupante. Segundo matéria do G1, até o dia 29/01, apenas 9 das 62 prefeituras do estado enviaram as listas de vacinados ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), que cobra ainda que sejam publicados no Portal da Transparência ou site específico o controle diário das pessoas imunizadas contra o novo coronavírus. A capital, Manaus, chegou a ter a entrega das 132,5 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca suspendida até que houvesse transparência na vacinação, com a publicação das listas diárias de quem foi vacinado. Tudo isso se deu para evitar que pessoas de fora do grupo prioritário tomem a vacina.   

O investimento na divulgação das informações e transparência sobre a vacinação fortalecem o controle social, algo que ajuda na repressão a desvios de vacinas como os que ocorreram em Manaus. Diversos estados e capitais do País criaram páginas específicas para a divulgação dos números da vacinação. A Agência Brasil fez um compilado com links que podem ser acessados para acompanhar a situação da vacinação em cada estado: 

Números da pandemia

No dia 09/02, o Brasil atingiu a triste marca de 233.688 óbitos confirmados por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, esse número pode ser ainda maior. Segundo dados disponibilizados pelo painel InfoGripe, iniciativa que tem objetivo de monitorar e apresentar níveis de alerta para os casos reportados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no SINAN, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação, em 2020, o Brasil teve um total de 446.806 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Em 2019, esse número foi apenas de 39.436 casos de SRAG reportados. 

Já a base de dados disponibilizada pelo Ministério da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), que desenvolve a vigilância da SRAG no Brasil desde a pandemia de Influenza A, apresenta os seguintes dados para 2020: foram reportados cerca de 1.0470.542 casos de SRAG. Desse total, 644.255 foram casos que tiveram classificação final definidas como SRAG por Covid-19, 393.198 tiveram a classificação final como SRAG não especificada, 4.299 casos de SRAG por outro vírus respiratório, 3.091 casos de SRAG por outro agente etiológico, e 2.699 de SRAG por Influenza.

De acordo com o MS, casos de SRAG não especificados se referem à Síndrome Respiratória para o qual não houve identificação de nenhum outro agente etiológico ou que não foi possível coletar/processar amostra clínica para diagnóstico laboratorial, ou que não foi possível confirmar por critério clínico-epidemiológico, clínico-imagem ou clínico. Desses casos não especificados, 74.671 vieram a óbito. Os dados sobre Síndrome Respiratória Aguda Grave podem estar incompletos ou sujeitos a grandes alterações.

A situação do Brasil é delicada e demonstra a incapacidade de dar uma boa resposta à pandemia de Covid-19. Um estudo divulgado pelo Lowy Institute, publicado no dia 28/01, avaliou o Brasil como um dos piores na gestão da pandemia. A pesquisa levou em consideração os seguintes dados: números de casos e mortes, casos e mortes por milhão de habitantes, exames feitos a cada 1.000 pessoas e diagnósticos em relação à proporção de testes. Foram avaliados 98 países e o Brasil ficou em último lugar. 

O ranking é liderado pela Nova Zelândia, seguida por Vietnã (2º), Taiwan (3º), Tailândia (4º), Chipre (5º), Ruanda (6º), Islândia (7º), Austrália (8º), Letônia (9º) e Sri Lanka (10º). Os últimos da lista são Brasil (98º), México (97º), Colômbia (96º), Irã (95º), Estados Unidos (94º), Bolívia (93º), Panamá (92º), Omã (91º), Ucrânia (90º) e Chile (89º).

Veja, abaixo, os números de mortos por estado no Brasil e os óbitos por 100 mil habitantes nas capitais.

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Por Carlos Magno Pinheiro Barreto Junior – Fala! UFBA

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