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SergioWagner Moura e Ana de Armas sopram vida em um material indeciso?


Em sua grande maioria, filmes biográficos encontram dificuldade em analisar e retratar, dentro de poucas horas, toda avida de seu sujeito em estudo. Alguns escolhem cobrir toda a vida de seu protagonista, como fizeram o diretor Dexter Fletcher e roteirista Lee Hall em Rocketman, seguindo Elton John desde sua infância; outros focam principalmente nos últimos dias vividos, como fizeram Rupert Goold e Tom Edge em Judy: Muito Além do Arco-Íris. No entanto, ambos formatos deixam de lado grande fatos – é inevitável – acabando por minimizar uma grande trajetória.

Aqui, em Sergio, nos primeiros minutos de filme, Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura) verbaliza exatamente a dificuldade desta tarefa quando lhe é solicitado que grave uma mensagem para as Nações Unidas. Como ele conseguiria contar sua história em tão pouco tempo?

Mesmo que o filme não foque apenas nos últimos dias do diplomata brasileiro, o plano de fundo maior segue as problemáticas surgidas após a invasão dos Estados Unidos ao Iraque e em como as Nações Unidas devem lidar com a situação, balanceando sua independência e colaboração com o governo estadunidense. É neste campo minado que, durante 120 minutos, vamos descobrir as intenções, motivações e o passado de Sergio de Mello.

Sergio - filme produzido pela Netflix conta com Wagner Moura e Ana de Armas em seu elenco.
Sergio – filme produzido pela Netflix conta com Wagner Moura e Ana de Armas em seu elenco.

O protagonista, por assim dizer, interpretado por Wagner Moura traz em seu discurso e postura uma mensagem clara, sempre que lhe é dada a oportunidade de interagir com qualquer personagem: este é um homem íntegro, de caráter e consciente de seu papel para com o mundo, não apenas os Estados Unidos. Ele não se reconhece como um peão do governo estadunidense, nem aceita ser tratado como tal. Trata-se de um roteiro com bastante recurso para formular uma trama política e ideológica profunda, focando em relações internacionais e disputas por poder, no entanto, há uma segunda camada que, por todo seu espaço e relevância, faz de Wagner Moura um coprotagonista em sua própria história: Ana de Armas.

A atriz cubana, conhecida por seu trabalho em Blade Runner 2049 e mais recentemente Knives Out, traz uma aura de leveza e humanidade ainda maior para o filme. Não se trata apenas de qualidade em atuação, mas também o papel que a personagem tem na história e vida de Sergio.Ao longo dos flashbacks que retratam a trajetória do diplomata, assim como o início do relacionamento entre este e Carolina Larriera (Ana de Armas), a câmera de Greg Barker os enquadra em cenas poéticas, de iluminação evocativa de contos de fadas e cenários paradisíacos, como um sonho de verão que surge emmeio ao conflito.

Com o tempo, o constante vai e vem, pensado para humanizar as personagens e fazer dos acontecimentos futuros mais dramáticos, acaba por interferir na narrativa do grande desfecho que, por sertão diluído entre uma linha temporal passada, não encontra sua personalidade como filme. Não se trata nem de um drama político, mas também não se concretiza completamente como romance. Sergio encontra uma metade em cada gênero, mas não mergulha profundamente em nenhum.

Tratando-se ainda de uma biografia, Sergio, naturalmente, tenta elevar o status de seu protagonista frente as demais pessoas da história, pintando o diplomata em um espaço onde não é comum encontrar personagens de origem latina, o estereótipo de salvador e messias da liberdade.

 Sergio - Wagner Moura e Ana de Armas sopram vida em um material indeciso?
Sergio – Wagner Moura e Ana de Armas sopram vida em um material indeciso?

Em filmes como Um Sonho Possível, que rendeu o Oscar de melhor atriz para Sandra Bullock em 2010, temos a versão mais perpetuada do salvador em uma roupagem mais específica do “White savior”, em que a história de superação de um indivíduo ou comunidade de minorias raciais é retratada pelos olhos de um protagonista branco. Um dos grandes problemas desse tipo de filme é que contribui para histórias em que tudo se resume a uma única figura que leva a narrativa para o caminho correto.

Em Sergio não se tem o herói tipicamente branco quando se fala da representação latina em um mercado cinematográfico habituado ao branqueamento, como Emma Stone interpretando uma personagem asiática em “Aloha”. No entanto, ainda se trata de uma narrativa carregada por um símbolo e traz consigo os dilemas de acompanhar uma personagem resumida a “ser bom” em contraponto do “mal”.

Assim, Sergio traz um belo estudo de fotografia e atuação por parte de seu casal principal, mas peca principalmente em não se aprofundar em seus temas principais de política, tornando seu desfecho arrastado e quase como uma pedra no caminho da história do romance que realmente se esforça para contar. Por fim, relembrar as ações de Sergio de Mello é necessário e válido, mas o peso de sua jornada não se traduz na dramatização aqui proposta.

Sinopse e trailer oficial

Durante o período caótico após a invasão dos EUA ao Iraque, o diplomata da ONU Sergio Vieira de Mello assume a missão mais complexa e perigosa de sua carreira. Wagner Moura e Ana de Armas estrelam este drama do diretor Greg Barker.

Ficha Técnica: Sergio (Original Netflix)

Título Original: Sergio
Duração: 118 minutos
Lançamento: 17 de abril de 2020
Distribuidora: Netflix
Dirigido por: Greg Barker
Classificação: 16 anos
Gênero: Biografia, Drama
Países de Origem: EUA

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Por Vinícius Soares Pereira – Fala! Cásper

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