Sepultura usa heavy metal como ferramenta de proteção da natureza
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Sepultura usa heavy metal como ferramenta de proteção da natureza

Sepultura usa heavy metal como ferramenta de proteção da natureza

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A banda de heavy metal brasileira Sepultura lançou, em 2020, o Guardians of the Earth (em tradução “Guardiões da terra”), música e clipe que integra o álbum Quadra. Se aos povos indígenas brasileiros que protegem a natureza do país e estão perdendo suas terras por garimpeiros que poluem os rios cobiçando ouro, o desmatamento e o assassinato deles por latifundiários e grileiros. Neste contexto da vida destas comunidades e a política brasileira não defensoras das riquezas naturais, a arte da banda é lançada como forma de conscientização mundial e confronto dos acontecimentos.

A banda Sepultura usa suas canções como uma ferramenta de proteção a natureza.
A banda Sepultura usa suas canções como uma ferramenta de proteção a natureza. | Foto: Reprodução.

Como a nova canção do Sepultura é uma ferramenta de proteção para a natureza brasileira

Quando o clipe foi lançado, em 16 de setembro, estavam acontecendo devastadoras queimadas no Pantanal e o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso polêmico na ONU, no dia 22. Ele isentava a culpa do governo federal pela devastação do meio ambiente, apesar do mesmo incentivar inúmeras vezes os empresários do agronegócio, querer inocentar pessoas que cometeram crimes ambientais e outras medidas. Inclusive os membros da banda destacam “a existência da floresta amazônica e da vida selvagem está sendo ameaçada por indústrias extrativistas, indiferença governamental e desmatamento”

O Sepultura faz um apelo à humanidade usando a sua influência global a partir da música para o cuidado com o planeta Terra e a natureza. Na letra o vocalista Derrick Green canta: “A luta recomeçou/ O sangue está manchando nossas mãos/ Desejos egoístas/ Começar a matar novamente/ Ilusão de riqueza/ Incitando a raiva” se referindo ao narcisismo do ser humano e continua com súplica por urgência: “Nossa terra/ Nossa Salvação/ Escorrega/ Nossas mãos estão atadas/ Nós vendemos nossas almas/ Não há lugar para se esconder”.

O videoclipe propaga com imagens o que eles queriam dizer com ritmo e palavras. Começa mostrando a beleza da floresta Amazônica e os indígenas enquanto toca a percussão junto do coral, que são marcas musicais do grupo, e desde que Derrick volta a voz aparece imagens devastadoras das máquinas e pessoas destruindo as árvores, queimadas se entendendo, o garimpo e as manifestações dos guardiões. “A música vai crescendo e eu queria criar vários moods diferentes. Começa tudo lindo, com as imagens belíssimas da Amazônia, e termina bem pesado, com os incêndios e os brigadistas em ação, em Alter”, diz o diretor do clipe Raul Machado.

O diretor trabalhou anteriormente com o Sepultura em outras oportunidades, como a gravação do show Barulho Contra Fome, em 1998, sendo um dos primeiros shows do Derrick Green com a banda no Brasil. Ele guiou remotamente, da sua casa em Curitiba, como os integrantes da banda deveriam gravar em diferentes ângulos suas imagens, pois estava em momento de pandemia da covid-19 no mundo e cada um mora em lugares diferentes. Andreas e o baterista Eloy Casagrande moram em São Paulo, o baixista Paulo Jr. em Belo Horizonte (MG), enquanto Derrick fez os vocais em Los Angeles (EUA).

Quando Raul recebeu o convite sabia que precisava dar voz para as organizações da Amazônia ou em prol dela. Então procurou a Amazon Frontlines, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com os povos indígenas para defender seus direitos à terra, à vida e à sobrevivência cultural na Amazônia, que cedeu os arquivos para as cenas da natureza. Somando ao apoio de Caetano Scannavino, do Projeto Saúde e Alegria, da Brigada de Incêndio de Alter do Chão, e imagens produzidas pelos próprios indígenas de diferentes etnias.

Além da melodia “Guardians of the Earth” o grupo já lançou interiormente músicas e clipes em defesa dos povos da floresta e do meio ambiente. A primeira vez foi em 1996, com “Itsári” que compõe o álbum “Roots”, quando o Sepultura na formação original cantou junto do povo xavante, (falar sobre o pioneirismo). Somando a uma homenagem ao ambientalista e ativista político Chico Mendes com “Ambush” no mesmo disco, ao qual vendeu mais de dois milhões de cópias vendidas pelo mundo.

A banda passou três dias na comunidade indígena, recebidos pelo líder da Cipassé, em novembro de 1995. Mas a banda escolheu este grupo após ouvirem uma música dos xavantes em um festival em Nova York. Então, o Sepultura expandiu para o mundo a cultura deles que havia começado a receber ouvidos pelo mundo.

Em entrevista ao UOL, quem participou para ocorrer o encontro histórico contou o choque cultural inicial da chegada de quatro jovens metaleiros, tatuados e de cabelos longos, perante nativos da floresta. Inicialmente surgiu uma estranheza com o metal pesado, mas sem repulsa. Depois o quarteto imergiu a experiência e foram pintados pelos aldeados. Eles contam que na volta, ainda com tinta do corpo as pessoas do aeroporto de Goiânia o encararam, conta o ex-vocalista Max Cavalera:

 “A gente não lavou, ficou uns dias [com a tinta] no corpo (risos). Chegamos lá e o pessoal olhava estranho: ‘Por que esses caras estão pintados?’. Eu adorei. Para mim um dos lances mais legais foi mudar a cara do heavy metal. Mostramos que o metal podia ter mais liberdade do que tinha antes. Hoje você pode ir lá e fazer um som com uma tribo, por causa do ‘Roots’. Antes, não se podia nem imaginar um som com uma tribo, por causa do ‘Roots’. Antes, não se podia nem imaginar uma coisa dessas.”.

Porém, a imersão cultural de ambas as partes também ocorreu quando todos dançaram músicas tradicionais, jogaram futebol, tomaram banho de rio e dividiram a comida com os aldeados. “Foi um choque cultural para os dois lados. Mas foi tudo muito tranquilo, bom para todas as partes, porque todos deram o coração e se empenharam para fazer daquela uma boa experiência”, disse Cipassé.

Quando o Derrick Green fez a sua estreia como vocalista, até hoje, do Sepultura, foram chamados os xavantes para o palco e tentou-se reproduzir o que aconteceu a mais de 20 anos, pintando o rosto. A banda trouxe além da contribuição musical de um povo, um aprofundamento para o público da cultura deles e o reforço da sua identidade. “Foi importante essa contribuição para valorizar a música indígena, divulgar a nossa cultura e sensibilizar outras pessoas a fazerem esse tipo de trabalho, que teve o Sepultura como pioneiro”, afirma o líder indígena.

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Por Carina Gonçalves – Fala! Mack

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