Saiba como os easter eggs contribuem para a teoria Pixar
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Saiba como os easter eggs contribuem para a teoria Pixar

Saiba como os easter eggs contribuem para a teoria Pixar

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Não é segredo nenhum que a Pixar adora colocar alguma referência escondida em seus filmes, os conhecidos easter eggs. Desde o clássico carro do Pizza Planet até o código A113, com um olhar atento, é fácil encontrar várias outras “surpresinhas” que remetem até mesmo a outros filmes da empresa, como a própria já confirmou a teoria em um vídeo, postado em suas redes sociais em 2017.

Mas mesmo antes do vídeo, essas referências já chamavam a atenção do público. Em 2013, por exemplo, o escritor Jon Negroni se baseou nos easter eggs espalhados pelas animações para desenvolver a Teoria Pixar, amplamente conhecida e atualizada pelos fãs a cada novo lançamento da empresa. Segundo a teoria, todos os filmes produzidos pela Pixar se passam em um mesmo universo e, juntos, contam uma única grande história sobre ele.

Teoria Pixar

A ideia surgiu a partir de um episódio da websérie After Hours, em que um grupo de amigos tenta conectar os diferentes filmes da Pixar. No episódio, eles não chegam a uma conclusão, mas Jon abraçou o desafio e começou a desenvolver a base da complexa teoria que conhecemos hoje.

Segundo o escritor, as animações se passam em um universo à parte, muito semelhante ao nosso, com a diferença que esse alternativo é permeado por magia. Podemos reconhecer essa magia na habilidade de animais e objetos em agirem como humanos, por exemplo, presente em quase todo filme da empresa. Tendo essa como base principal da teoria, ele desenvolve uma linha do tempo, por meio da qual busca explicar a história desse universo, que não se limita à existência humana.

Teoria Pixar linha do tempo
Linha do tempo da Teoria Pixar. | Foto: Reprodução.

Boa parte da teoria deve-se à interpretação pessoal de Jon, mas nada disso seria possível sem os easter eggs presentes nos filmes. Vamos ver alguns exemplos?

Um único universo

Como vimos antes, a base da teoria é que todos os filmes ocorrem em um mesmo mundo. Os acontecimentos, assim, são apenas separados pela época em que cada um ocorre. Jon afirma isso se baseando especialmente nas referências escondidas nos filmes como, por exemplo, em Procurando Dory, onde há a aparição da personagem Riley, de Divertida Mente. Neste último, também, a personagem Colette Tatou, de Ratatouille, aparece em uma capa de revista na sala da menina.

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Colette Tatou. | Foto: Reprodução/Twitter/Disney Easter Eggs.

Outro exemplo é a tapeçaria que aparece em Carros 2, muito semelhante àquela presente em Valente. De acordo com a teoria, o filme se passaria em um futuro onde a humanidade não habitaria mais a Terra, fazendo com que a comunidade de máquinas se desenvolvesse no lugar, mas ainda com elementos da cultura humana que veio antes. Assim, a tapeçaria, adaptada a essa nova “cultura”, seria um reflexo do passado humano que existia no lugar. 

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Tapeçaria em Carros 2. | Foto: Reprodução/Disney Pixar.

A BNL

A teoria alavanca a partir do surgimento da Buy n Large, empresa fictícia dentro do universo Pixar. É no filme Wall-E que a companhia ganha destaque, sendo responsável por acomodar os humanos em um cruzeiro espacial pós-apocalíptico, mas, bem antes disso, ela já era referenciada em alguns filmes, como em Toy Story 3, na marca das pilhas usadas nos brinquedos, e, segundo Jon, em Up – Altas Aventuras, sendo a crescente empresa responsável pela profunda mudança na vida de Carl (lembrando que, no filme, o nome da companhia não aparece explicitamente, mas é levado em conta pelo escritor no desenvolvimento da teoria).

Para o escritor, a BNL é uma organização (literalmente) sem face, controlada por máquinas que desenvolveram uma consciência própria e exercem seus próprios interesses sobre os humanos sem que estes percebam. Essa lógica se encaixa nos filmes por meio desses easter eggs, mostrando que a empresa existia, segundo a linha temporal, antes e depois da extinção humana em massa, querendo até mesmo, em Wall-E, impedir que os humanos retornem à Terra.

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Empresa BNL. | Foto: Reprodução/Disney Pixar.

Monstros S.A. e a viagem no tempo

Em um futuro distante, onde a humanidade já não existe mais, monstros passam a dominar a Terra e construir civilizações inteiras. Para tanto, desenvolvem uma tecnologia que os permite transformar gritos humanos em energia. Mas como conseguir esses gritos já que não existem mais humanos? A solução: viagem no tempo.

Para Jon, os monstros de Monstros S.A desenvolveram essa tecnologia com o auxílio das máquinas. Por meio das portas, é possível viajar pelo tempo e espaço, assustando crianças que um dia existiram no planeta. Como forma de comprovar isso, o escritor compara o mesmo ambiente em dois filmes diferentes.

viagem no tempo
Mesmo ambiente com o passar dos anos. | Foto: Reprodução/Pixartheory

Na primeira imagem, do filme Monstros S.A., é mostrado o local onde uma das portas levou Randall, o vilão do filme, para a época onde os humanos ainda existiam. Já na outra imagem, de Vida de Inseto, que se passa em um período futuro à primeira, o mesmo trailer é apresentado, porém mais envelhecido e abandonado, já que, teoricamente, não existiam mais humanos nessa época. 

Com essa ideia, Jon encaminha para o ponto final e mais inusitado de sua teoria…

A bruxa da floresta

bruxa da floresta
Bruxa da floresta. | Foto: Reprodução/Disney Pixar.

Voltamos ao começo da linha do tempo original. Ou seria o fim? Tudo depende do seu ponto de vista já que, segundo a teoria, a bruxa de Valente é ninguém mais ninguém menos que a Boo, de Monstros S.A.! Para o escritor, a garota teria ficado intrigada com tudo aquilo que viu no futuro monstro e passou anos tentando reencontrar seu amigo Sullivan, conseguindo desenvolver sozinha uma magia que a permitiu voltar no tempo até a Idade Média, possivelmente para buscar a origem desse poder mágico nos chamados “espíritos da floresta”. 

Como sabemos disso? Jon se baseia justamente em dois easter eggs presentes no ateliê da bruxa: a imagem de Sullivan talhada em um tronco de madeira e o carro do Pizza Planet esculpido em madeira. Afinal, a bruxa só poderia ter criado essas imagens se já as tivesse visto em algum lugar, certo? Assim, tanto sua conexão com Sullivan e sua relação com o futuro são explicadas.

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Sullivan esculpido na madeira. | Foto: Reprodução/Disney Pixar.

Infelizmente, nada da teoria foi confirmado pela empresa. Mas, como o próprio Jon disse, o intuito é, além de fazer essas conexões entre os filmes, exercitar a imaginação e se divertir! E, mesmo ainda estando no campo da dedução, é certo que a Teoria Pixar conquistou o coração de várias pessoas ao redor do mundo! É possível acessar a teoria original completa no site do escrito Jon Negroni.

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Por Giulia S. P. Lozano – Fala! Cásper

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