Reflexões sobre o Amor na teologia cristã
Menu & Busca
Reflexões sobre o Amor na teologia cristã

Reflexões sobre o Amor na teologia cristã

Home > Entretenimento > Cultura > Reflexões sobre o Amor na teologia cristã

A temática acerca do Amor representa o cerne de muitas discussões e considerações filosóficas, cujos prolegômenos encontram-se nas obras e reflexões de pensadores da Antiguidade. Diante disso, percebe-se a eminência do tema em questão, pois além de sua historicidade, as questões relativas ao amor ocupam uma posição de destaque nas cosmovisões contemporâneas.

 Em vista dos fatos supracitados, é importante resgatar a essência da visão cristã acerca do Amor, já que a teologia do cristianismo auxiliou, de forma nevrálgica, na construção de algumas das ideias atuais acerca da dimensão valorativa do amor. Nesse sentido, é preciso frisar os ensinamentos de eminentes filósofos e teóricos da espiritualidade cristã, tais como: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Santa Teresa de Jesus, São Padre Pio, e São Josemaria Escrivá.  Sendo assim, segue uma breve exposição de algumas das citações essenciais dos pensadores supramencionados.

Amor
Confira reflexões da teologia cristã. | Foto: Reprodução.

Amor na teologia cristã

1) “Quem ama não sofre e, se sofre, ama o próprio sofrimento.” (Santo Agostinho)

Santo Agostinho, grande Doutor da Igreja e filósofo da patrística, estabelece uma clara relação entre o amor e o sofrimento. Se amamos verdadeiramente alguém, é necessário que busquemos, de forma genuína, o bem da pessoa amada. Entretanto, a prática do bem exige renúncias, mortificações e perseverança nas instabilidades. Portanto, o amor não existe na ausência de resignação em meio ao sofrimento. Em última instância, a capacidade de suportar o mal em prol da pessoa amada revela o grau da caridade presente no coração.

2) “O Amor é a alegria pelo Bem; o bem é o único fundamento do amor. Amar significa querer fazer o bem para alguém.” (São Tomás de Aquino) 

São Tomás de Aquino, teólogo dominicano, compreende o Amor enquanto uma virtude teologal. Nesse sentido, há uma identificação entre o ele e a chamada “Caridade”. Conforme destacado na frase, o verdadeiro amor reside na busca pelo Bem. Trata-se de uma perspectiva teleológica, ou seja, que analisa uma virtude a partir de uma finalidade instituída. Amar é desejar o bem, que, na visão de Aquino, é representado por Deus. Portanto, o ato de amar alguém é tipificado, sobretudo, pelo anseio dos bens de ordem espiritual.

3) “Amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em viver com simplicidade e sofrer pelo Amado.” (São João da Cruz)

Segundo São João da Cruz, grande místico da Igreja, o Amor está atrelado aos valores da humildade e simplicidade. Nesse sentido, é possível dizer que caridade deve ser vivida, sobretudo, no aspecto ordinário da existência humana, ou seja, nas relações sociais do cotidiano e nos pequenos gestos de generosidade.

4) “Quem voluntariamente ama, voluntariamente sofre.” (Santa Gemma Galgani)

Santa Gemma Galgani frisa a relação nevrálgica entre o sentimento e o sofrimento, pois, conforme ressaltava São Tomás de Aquino: “O verdadeiro amor cresce com as dificuldades”.

5) “Amar significa dar aos outros- especialmente a quem sofre e a quem precisa- o que de melhor temos em nós mesmos e de nós mesmos.” (São Padre Pio) 

Segundo São Padre Pio, o amor existe na doação e na renúncia em prol do próximo. Não há o sentimento verdadeiro sem a abnegação, ou seja, sem o desapego de si mesmo. Portanto, a prática da caridade exige uma postura de complacência com o semelhante, zelando, assim, pelo seu bem e auxiliando-o constantemente, especialmente nos momentos de angústia e desânimo. 

6) “Quem ama faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho.” (Santa Teresa de Jesus)

Segundo Santa Teresa de Jesus, grande Doutora da Igreja, a vivência do amor só é completa quando experimentada no aspecto social, pois são os atos concretos que, em última instância, refletem a verdadeira caridade. Portanto, a convivência com o próximo é de fulcral importância para uma vida virtuosa e, sobretudo, para o exercício do amor fraterno.  

7) “Fazei tudo por amor. Assim, não há coisas pequenas: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por amor, é heroísmo” (São Josemaria Escrivá)

O Amor se manifesta na constância do exercício dos deveres de estado e na ordinariedade da vida. Não é preciso de grandes feitos ou conquistas para demonstrar a caridade. Destarte, simples ações de bondade e generosidade refletem o compromisso individual com a dimensão axiológica da ética das virtudes. Conforme ressaltava Santa Teresinha: “Não perca sequer uma oportunidade de fazer um pequeno sacrifício. Um sorriso aqui; uma palavra gentil acolá. Sempre fazendo pequenos atos de bondade; e sempre fazendo tudo por amor”.

___________________________
Por Leonardo Leite – Fala! Mack

Tags mais acessadas