Opinião: O que a saída de Moro representa à atual política brasileira
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Opinião: O que a saída de Moro representa à atual política brasileira

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Uma sexta-feira sísmica podemos definir assim, o dia 24 de Abril de 2020 entrará para os anais do atual governo.

Em coletiva, o então Ministro Sérgio Moro, abala as estruturas democráticas brasileiras, com um discurso calmo e firme o ex-Juiz demonstra chateação com a situação, preocupação para com o futuro do Brasil e uma decepção por onde se enraizou. 

Figura heroica contra a corrupção, face simbólica da Lava-Jato, abnegou toda sua carreira, todos os seus ideais (quem sabe),  para integrar o corpo de ministros de Jair Bolsonaro. Com carta branca para toda e qualquer decisão o ex-ministro vinha fazendo um bom trabalho, mesmo não conseguindo aprovar seu pacote anti-crime na câmera a instituição Ministério da Justiça caminhava bem. Mas nem só de flores é feita a vida, em Agosto de 2019 a primeira tensão entre Sergio e Jair foi vista, após aproximação da PF (então comandada por Valeixo) no caso da Fake News, o Presidente tenta sem sucesso uma ofensiva para a exoneração do comandante da Polícia Federal, sem sucesso o clima apazígua e o país caminha. 

Menos de um ano após o embate, na quinta-feira 23 de Abril, rumores sobre uma nova ofensiva vem a mídia, e aliados ao ex-Ministro da Justiça garante que ele não deixará Valeixo ser demitido, e caso fosse ele iria acompanha-lo, uma rápida tentativa de conciliação entre o’ex-Ministro e seu chefe é feita pelas bases do governo, na esperança de encontrar um nome apaziguador para a cadeira de Valeixo, todavia, na manhã seguinte na coletiva descobrimos que o problema não é “quem assume?” e sim “porque assume?”.

Após descobrir a exoneração de Valeixo por meio do Diário Oficial, Sergio Moro escancara o despotismo do atual governo brasileiro, onde o Presidente quer ter informações privilegiadas sobre as investigações da Polícia Federal e esse mesmo Presidente “falsifica” a assinatura do ex-Ministro para a exoneração de Valeixo.

Não se mede crises políticas de um país por meio da Escala Richter, mas, mas a magnitude com certeza passou dos 8 graus. A saída de Sérgio Moro pode ser entendida como um último movimento em prol da sua ombridade, para que ele não se manche com as falcatruas por ele expostas, como também alarga a cova Bolsonarista, demonstra o isolamento que o Presidente encontra-se. Nesse “all-in” de Moro ele despiu o resto de apoio que Jair possuía, apanhou  os militares de alto escalão, flertou com a direita e a esquerda (mesmo sendo o “inimigo” dessa segunda), e desmotivou os apoiadores de Bolsonaro.

Encontrar-se-á incertezas daqui e diante, não se sabe quais as garantias democráticas que nossas instituições possuem, o impeachment seria apenas um desvio de atenção ao nosso principal inimigo agora, que possui nome e sobrenome (parafraseando o brilhantíssimo Mandetta) o Covid-19. Nossa principal atenção agora deve ser na pandemia e todo risco por ela apresentada, a instituição justiça ainda vive no Brasil, e um presidente isolado é apenas um homem sem poder para exercer.

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Por Pedro Oliveira – Fala! Universidade Federal de Minas Gerais

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