Opinião - Ditadura: quais são os papéis da mídia durante o período
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Opinião – Ditadura: quais são os papéis da mídia durante o período

Opinião – Ditadura: quais são os papéis da mídia durante o período

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Militares, censura, repressão. As palavras fazem, então, uma conexão particular ao período que marcou a história do Brasil. O ano de 1964 representou um ápice para o Brasil. O golpe militar, por sua vez, trouxe consigo uma série de feridas que se transformaram em cicatrizes para vários grupos sociais do País – artistas, jornalistas, professores. A sociedade viveu às margens da informação. A população, portanto, foi privada dos meios mais importantes do conhecimento popular social. Através disso, pensamos: qual será o papel da mídia em um governo ditatorial?

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Entenda quais são os papéis da mídia durante uma ditadura. | Foto: Reprodução.

Papel da mídia em uma ditadura

Sabe-se, hoje, que não importa a situação e o lugar, a informação sempre chega. Talvez, em alguns momentos, fora de contexto, mas o núcleo informativo sempre chegará ao seu alvo. Dessa forma, temos a mídia. Essa ferramenta do conhecimento nos proporciona a interação com diferentes culturas, histórias e populações.

Mas a pergunta que muitos de nós, consumidores dos meios midiáticos, fazemos é: quando será que a mídia deixa de ser uma aliada do conhecimento e informação para se tornar a dominada do Estado, contribuindo para a disputa entre grandes vilões nacionais?

É importante, aqui, salientar que os grandes dissipadores da ditadura militar no Brasil foram os meios televisivos. Então, com isso, é provável dizer que os limites midiáticos não se encontram inclinados para o interesse social, mas, sim, para os interesses próprios, subjugando, assim, a influência que determinada ação terá para o meio social, ou seja, qual a relevância que as atitudes e decisões televisivas reverberará para os consumidores de informações derivadas da mídia.

A partir disso, o professor associado, Eugênio Bucci, em seu artigo “Televisão Brasileira e Ditadura Militar: Tudo A Ver Com O Que Está Aí Até Hoje”,  publicado na revista Rumores veiculada pela Universidade de São Paulo (USP), traz a seguinte reflexão sobre a mídia televisiva no período ditatorial:

a ditadura plantou nesta terra a televisão via Embratel, integrou o imaginário nacional-continental em novas bases e encontrou meios de fazer com que o telespaço público que disso resultou fosse gerido a seu favor.

(BUCCI, Eugênio. Revista Rumores. p.175).

Desse modo, é possível perceber o papel da mídia como fonte saciadora dos desejos de um Estado subordinador, que tem como intuito defender seus interesses aos custos da manipulação.

Contudo, apesar da rede de intervenções sociais, a saber do Estado, é consciente que o papel da mídia, independente de qual meio ela se integre, está vinculado à contribuição de informação. A mídia, portanto, adquire seu bom papel ao descaracterizar sua índole influenciável, ao assumir seus erros, ao abraçar a educação, ao identificar-se com a democracia, ao sentir a necessidade da população e servir à sociedade de maneira humanitária.

Então, até aqui, concluímos quais foram os papéis da mídia durante o período ditatorial, mas, ainda nos resta dois questionamentos: a mídia, portanto, é capaz de intervir e romper os laços com o Estado Ditador? Será possível a mídia deixar de lado, totalmente, seus interesses a fim estabelecer uma aliança social? Caso houver respostas para essas perguntas, cabe a nós nos apressarmos o quanto antes para que mais um desastre não caia em nossa geração.

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Por Sindy Guedes – Fala! UFPE

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