Opinião - Corporativismo: Corrupção e instrumentalização do homem
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Opinião – Corporativismo: Corrupção e instrumentalização do homem

Opinião – Corporativismo: Corrupção e instrumentalização do homem

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O Corporativismo é uma questão que vem sendo discutida há algum tempo na sociedade. Isso porque muito se atribui a esses grupos, como problemas ambientais, entre outras questões. É necessário, no entanto, frisar que existem outros fatores que agravam essas questões, mas a culpa das corporações não devem ser eximidas. Países como o Brasil, por exemplo, estão entregues a esse grupo, que visa apenas uma coisa: o dinheiro.

O corporativismo é uma forma de corrupção do homem.
O corporativismo é uma forma de corrupção do homem. | Foto: Freepik.

Dito isso, saiba o que é o corporativismo e como essas organizações estão influenciando os homens e as sociedades de maneira negativa.

Corporativismo e a corrupção do homem

A ordem político-econômica brasileira encontra-se, em grande parte, influenciada pelos elementos do chamado “Corporativismo”, uma forma de organização da realidade social marcada pela presença de grandes setores e grupos, sejam eles políticos ou econômicos, atrelados e subordinados ao Estado. Nesse sentido, o corporativismo guarda uma tendência totalitária notável, pois busca submeter diversos aspectos da sociedade ao controle do poder político, o qual se torna fraudulento e corrupto. Em vista do exposto, é imperiosa a defesa de uma economia centrada nos valores da livre iniciativa, do bem comum e da justiça social, combatendo, assim, os vestígios do totalitarismo, os quais se manifestam nas tendências corporativistas. 

Diante disso, é preciso resgatar os ideais de uma ordem econômica realmente pautada em princípios humanitários, cuja dimensão axiológica favoreça as pequenas empresas, a produção familiar e o comércio local, pois somente pela apologia a uma economia pessoal é possível a concretização da dignidade da pessoa humana, conforme diria o escritor britânico G.K. Chesterton. Portanto, as grandes corporações, as quais buscam, de forma constante, associações com o poder político, não almejam nenhum princípio moral transcendente e verdadeiro, mas tão somente o lucro. Não há problema na busca pelo lucro, já que todos os investimentos procuram, em última instância, um rendimento financeiro, contudo, o problema reside no empenho constante e exclusivo pelo acúmulo de dinheiro.

 Portanto, o problema da ordem corporativista reside no empenho exacerbado pelo acúmulo de capital, pois tal prática potencializa a instrumentalização do homem e a reificação de todas as dimensões da vida humana. Além disso, o corporativismo apresenta, em seu âmago, o exercício da corrupção, visto que a subordinação do poder político aos interesses de grandes grupos torna favorável o declínio dos princípios legais da Administração pública. 

Diante dos fatos supracitados, percebe-se que o avanço das grandes corporações representa o fomento da influência dos interesses  de grupos poderosos  sobre a vida dos indivíduos. Dessa forma, o avanço da tecnologia e o crescimento da indústria cultural, descritos por Theodor Adorno, favorecem o controle da vida humana por empresas corporativistas, que, em sua busca pelo lucro, desprezam qualquer preocupação genuína pela moralidade e, numa tentativa categórica de manipulação das massas, acabam por tratar os indivíduos como meros consumidores, instrumentalizando, assim, a própria individualidade da pessoa humana. Contudo, o que torna o corporativismo ainda mais cruel é a associação do poder econômico com o poder político, já que as grandes corporações passam a controlar a sociedade não somente pela seara da economia, mas também pela dimensão da esfera pública, sufocando o ideal valorativo da cidadania. Trata-se, conforme diria o filósofo Habermas, do declínio da esfera pública pela razão instrumental. Ademais, as práticas corporativistas favorecem a corrupção, porque o Estado se torna refém de interesses financeiros de terceiros. 

 Em vista do que foi apresentado, é imprescindível a valorização dos ideais genuínos da livre iniciativa, associada, principalmente, aos pequenos empreendedores e ao comércio local.  Não se trata de abolir a tecnologia, mas de repensar o seu uso e atenuar os abusos de empresas que se valem dos instrumentos tecnológicos em prol da corrupção, do lucro, da abolição do homem e da reificação dos princípios éticos que são imprescindíveis para a sociedade. Portanto, o corporativismo deve ser combatido, sobretudo, para que a economia cresça atrelada aos valores morais.

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Por Leonardo Leite – Reaviva Mack – Universidade Presbiteriana Mackenzie

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