Opinião: Como o machismo afeta a vida de atletas olímpicos
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Opinião: Como o machismo afeta a vida de atletas olímpicos

Opinião: Como o machismo afeta a vida de atletas olímpicos

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Que existe machismo no esporte todos já sabemos, porém até onde ele afeta as mulheres? Desde a obrigação de usar roupas curtas e biquínis cavados até a falta de investimento e salários menores para mulheres, o peso do machismo prende a situações desconfortáveis e desnecessárias.

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Como o machismo afeta a vida de atletas olímpicos. | Foto: Reprodução.

Machismo no esporte

O uso de roupas curtas e coladas vem cada vez mais sendo discutido por atletas ao redor do mundo, essas escolhas objetificam o corpo das mulheres e não auxiliam em nada durante os jogos, enquanto os homens no vôlei e handebol de areia utilizam shorts e regata, as mulheres são obrigadas a utilizar biquínis cavados e desconfortáveis, usar saias em esporte como tênis e lacrosse também servem somente para reforçar uma estética feminina ultrapassada.

A visibilidade que roupas como essa trazem não é benéfica para as atletas, que, por muitas vezes, são usadas como manequins de corpos ao invés de serem vistas pelo talento nos esportes. Ainda em 2021, jogadoras norueguesas do time de handebol de praia foram penalizadas com uma multa de 1,5 mil euros pela Federação Europeia de Handebol, apenas por usarem shorts no lugar dos biquínis. O desconforto das atletas e os pedidos anteriores de mudança no vestuário foram deixados de lado pela Federação, as atletas só foram levadas a sério quando se impuseram contra a sexualização dos seus corpos.

Outro claro exemplo da existência da desigualdade sofrida pelas mulheres é evidenciado pela luta diária da jogadora Marta, considerada a melhor do mundo, pela igualdade salarial entre homens e mulheres. Mesmo sendo a jogadora mais premiada, Marta recebe muito menos do que jogadores do futebol masculino, que estão no mesmo nível que ela.

A necessidade de igualdade no esporte é uma batalha que todas as atletas enfatizam diariamente, tanto no financeiro, quanto na visibilidade. A diferença se torna clara quando existe falta de patrocínio para o esporte feminino, até mesmo para as mulheres consideradas melhores do mundo, as grandes marcas de esporte dão preferência para homens e acabam não patrocinando jogadoras com grande potencial.

Uma campanha chamada Go Equal, lançada pela jogadora Marta e apoiada por atletas femininas pelo mundo inteiro, vem mostrando o machismo descarado no mundo do esporte. Apenas 2,7% do futebol feminino é divulgado na mídia e esse número diminui ainda mais quando pensa-se em outros esportes. Porém, as Olimpíadas provaram a popularidade do esporte feminino, mostrando que não é a falta de público que causa essa diferença entre a divulgação do feminino e masculino, é a falta de apoio, que vem dificultando cada vez mais a vida das atletas, não só nas Olimpíadas, mas na carreira inteira.

A falta de representatividade, as roupas desconfortáveis, o pouco investimento e incentivo são os principais motivos de desistência das carreiras das atletas olímpicas que pouco são ouvidas e auxiliadas – além do machismo em si no esporte.

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Por Carolina Helena – Fala! Universidade Metodista de São Paulo

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