Opinião: Bolsonaro, adoração ao "Kit Gay" e suas consequências
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Opinião: Bolsonaro, adoração ao “Kit Gay” e suas consequências

Opinião: Bolsonaro, adoração ao “Kit Gay” e suas consequências

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No dia 29 de abril de 2020 Bolsonaro afirmou que OMS incentiva masturbação e homossexualidade de crianças

Pelas suas redes sociais, o Presidente Jair Bolsonaro é uma pessoa bem ativa e acaba por muitas vezes falando mais do que deveria. O Presidente usa suas redes sociais como um sapato e um riacho, ele joga o sapato no riacho, se boiar, ele o deixa, mas se afundar ele corre para retirar o sapato. Foi o que aconteceu na quarta-feira dia 29 de abril, postando em seu Facebook “diretrizes” falsas ou fora de contexto da OMS (Organização Mundial da Saúde), mas pouco tempo depois, após notarem as inconsistências de sua fala, apagou o post.

O grande problema do sapato que Bolsonaro lança em direção ao riacho é que ele está quase sempre furado, assim como muitos de seus posts, cheio de furos. A frequência é alta demais para uma pessoa que ocupa o cargo de Presidente da República, porém, o último foi longe demais.

Chega a ser cômico o Presidente que não segue as orientações da maior entidade de saúde do mundo durante uma pandemia, que já ultrapassou onze mil vítimas no país, e ainda ataca com mentiras que poderiam ser fatais.

kit gay
Bolsonaro e o suposto “Kit Gay”, nas eleições de 2018, no Jornal Nacional. | Foto: Reprodução.

Na publicação em questão, Bolsonaro relativiza a importância da OMS, afirmando que não segue suas recomendações, pois ela tem “diretrizes para políticas educacionais”. Confira o post na íntegra:

Essa é a OMS que muitos dizem que devo seguir no caso do coronavírus. Deveríamos então seguir também suas diretrizes para políticas educacionais?

Para crianças de 0 a 4 anos de idade:
– satisfação e prazer ao tocar o próprio corpo *masturbação*
– expressar suas necessidades e desejos, por exemplo, no contexto de *brincar de médico*
– as crianças têm sentimentos sexuais mesmo na primeira infância.

Para crianças de 4 a 6 anos de idade:
– uma identidade de gênero positiva;
– gozo e prazer ao tocar o próprio corpo;
– masturbação na primeira infância;
– relações entre pessoas do mesmo sexo.

Para crianças de 9 a 12 anos:
– primeira experiência sexual.

A “diretriz” que o Presidente se refere, na verdade, é um guia publicado em 2010 pelo Centro Federal de Educação em Saúde da Alemanha, em conjunto com o escritório europeu da OMS, dirigido aos pais, e não às crianças, para ajudar na educação das crianças. Ele pode ser lido neste link.

Este guia é baseado numa interpretação positiva da sexualidade, a tratando como algo natural no desenvolvimento humano e encorajando os pais a tocarem no assunto com as crianças para um aprendizado correto e instrutivo, com foco principalmente na comunicação, visando evitar doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e violência sexual.

Políticas de Bolsonaro evitam a qualquer custo a educação sexual nas escolas (vale lembrar da histeria coletiva do “Kit Gay” nas eleições de 2018), o que poderia ser uma ótima saída para os problemas citados no guia. 

O perigo que poderia ser a disseminação deste post do Presidente era gigantesco, podendo enfraquecer a política de quarentena (que já possui adesão abaixo do necessário), de desinformação sobre educação sexual e aumento da homofobia que mata todo dia neste país. 

Jair Bolsonaro deveria se atentar às milhares de mortes pelo território nacional, que aumentam a cada dia e colapsam diversos setores da sociedade como os hospitais lotados, sistema funerário sobrecarregado e a economia que já vinha fraca antes do surto de Covid-19.

A fabricação de mentiras não deve ser maior que a fabricação de leitos ou testes, a informação é uma das ferramentas mais fortes no combate ao novo coronavírus, além de ficar em casa se puder.

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Por Eduardo Reis – Fala! Cásper

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