Apesar do juramento de Hipócrates e da existência do código de ética médica, muitos profissionais da saúde não cumprem com o seu propósito, quando discriminam seus pacientes.
Tal situação é tão recorrente que até em séries médicas ficcionais, como, por exemplo, The Resident (produzida pela Fox) houve a denúncia de situações, nas quais os indivíduos foram descriminados pela sua cor de pele e até mesmo desmerecidas por colegas de trabalho, apenas por serem mulheres.
Percebe- se que não é tão difícil encontrar casos como o da série na vida real, já que sempre existiu uma superioridade do homem branco, enraizada na sociedade brasileira desde a chegada dos portugueses ao país.

Dessa maneira, na área da medicina, os tratamentos, principalmente por questões raciais e financeiras, em algumas ocasiões, são diferenciados. Exemplo dessa injusta disparidade é que, segundo o estudo da Pesquisa Nacional de Saúde, pertencente ao IBGE, um em cada dez brasileiros já foi discriminado nos serviços de saúde público e privado do país. Com essa pesquisa, ficou claro que a discriminação é menos frequente entre pessoas brancas e mais qualificadas profissionalmente.
Com isso, além de já haver uma enorme discrepância entre a qualidade da saúde dos pobres e dos ricos por causa da privatização dos serviços de saúde e a grande dificuldade enfrentada pelo SUS, ainda existem diferenças socioeconômicas que impedem um tratamento completamente coerente por parte desses profissionais.
Ademais, quando se trata de mulheres negras, o abismo fica ainda mais perceptível. Isso pode ser claramente demonstrado pela pesquisa realizada pela Doutora em saúde pública, Maria do Carmo Leal, na qual estudou a questão da maternidade no Brasil e comprovou, por meio desta, que em mulheres negras a chance de não receberem anestesia na hora do parto é 50% maior.
Logo, é notório que não há o cumprimento do juramento de Hipócrates e do código médico, de sua forma plena, e mais uma vez a população brasileira deixa de ser totalmente assistida. Assim, além de representar um crime contra a vida, tais atitudes destoam da Constituição brasileira, já que a saúde básica é um direito essencial de todos os cidadãos.
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Por Anna Beatriz Peixoto – Fala! UFPE