'O Preço da Perfeição' - leia a crítica do suspense da Netflix 'O Preço da Perfeição' - leia a crítica do suspense da Netflix
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‘O Preço da Perfeição’ – leia a crítica do suspense da Netflix

‘O Preço da Perfeição’ – leia a crítica do suspense da Netflix

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O Preço da Perfeição (2020) é uma série original da Netflix, baseada em um livro e criada por Michael MacLennan. A produção fez um grande sucesso no Brasil, mantendo-se no TOP 10 do País desde a sua estreia, em 14 de dezembro.

Os atores e atrizes não são necessariamente conhecidos pelo público geral, mas tratando-se de uma série sobre balé, nada mais justo que contratar dançarinos para compor o elenco de jovens dessa renomada academia de dança, que é a sede da história.

o preço da perfeição
Série O Preço da Perfeição é sucesso na Netflix. | Foto: Netflix.

O Preço da Perfeição – leia a crítica do sucesso da Netflix

Como a maioria dos programas de drama adolescente, O Preço da Perfeição gira em torno de uma tentativa de homicídio e procura desvendar quem empurrou Cassie Shore, a melhor bailarina da Archer School of Ballet, em Chicago, do telhado do prédio da escola. Além do mistério que a cerca, a história conta com outro elemento clichê para gerar conflito na trama: romance e sexo.

Com essa combinação digna de Shonda Rhimes, o dramalhão ganha vida em 10 episódios e causa atritos forçados – créditos ao roteiro fraco, desenvolvido por MacLennan – que só ficam mais desconfortáveis por conta das atuações caricatas. Não me leve a mal, essa combinação funciona muito bem para fazer com que os espectadores se mantenham sentados em frente à televisão e, no fim das contas, programas como esse são entretenimento e isto, ele entrega. 

Muitos assuntos relevantes são abordados por meio do roteiro ralo, mas isso não tira sua importância: assédio sexual, violência policial, distúrbios alimentares, homossexualidade. Tudo que pode servir para atrair o público, garanto, está lá.

Personagens da trama

A forma como as personagens Bette e June lidam com a necessidade de ser a melhor, de impressionar suas famílias, de ir além do possível para dançar e dançar melhor do que todos, são os fatores que fazem delas as minhas personagens favoritas. Seus arcos são bem desenvolvidos e conseguimos sentir empatia pelas suas trajetórias.

Oren e Shane são outros personagens que sofrem com dilemas, principalmente internos, que causam emoção aos espectadores. Neveah, a principal da série, carrega pontos fortes da história, como sua relação com a mãe e sua ousadia em enfrentar os ricos e poderosos que dominam a escola e o balé. Porém, sua atuação caricata e maneirismos, juntamente com um discurso clichê tipo novela das nove, feito no último episódio, me distraiu completamente da personagem.  

Com o tempo, as reviravoltas fazem com que o interesse cresça e os dançarinos são tão talentosos que as coreografias por si só já valem por tudo. Porém, para tornar a narrativa um pouco mais suportável, admito que pulei algumas cenas da atriz Jess Salgueiro, que interpreta a policial Isabel Cruz. Ela, com certeza, tentou o seu melhor, apesar do arco e texto que lhe foram dados.

A série se autoexplica a todo momento – o maior pecado na hora de se confeccionar um roteiro -, mas deixa de lado fatos importantes em relação ao passado de Cruz, que poderiam nos fazer gostar mais dela e entender suas ações, que em sua maioria certamente é ilegal no Estado de Illinois. 

Ela aparece na escola e interroga alunos menores de idade sem o menor pudor, chega a ir em eventos sociais e os ameaça sem prova nenhuma de seus envolvimentos no possível crime e chega a empurrar uma aluna simplesmente porque presumiu que ela estava mentindo. Vindo de uma mulher que serviu no exército dos Estados Unidos (algo que o roteirista insiste em nos lembrar o tempo todo, para provar o quanto ela é “durona” e “traumatizada”, mesmo sem sabermos o porquê), essas ações são, no mínimo, incoerentes com a ética da própria personagem, quem dirá com as regras da Constituição americana.

O balé recebe grande protagonismo no seriado. | Foto: Reprodução.

O protagonismo do balé

Apesar dos deslizes e além das coreografias de tirar o fôlego (de novo, se quiser pode conferir só as danças, porque são impecáveis), a narração da série é feita pela Cassie, e, para mim, é outra parte interessante da série. A forma como ela descreve o balé, o que ele faz com o corpo humano, o que ele provoca em quem o pratica e em quem o aprecia, como ele molda as relações dos adolescentes da academia, é realmente muito único.

Ela não narra a história, mas a compõe, nos colocando dentro da mente desses artistas que, por séculos, continuam a nos impressionar com sua elegância e técnica. É claro, algo que também faz parte desse mundo são os pés quebrados, os dedões sangrando, a exaustão, a disciplina e a incessante busca por algo que nunca terão: a perfeição, o preço pelo qual eles levam seus corpos ao extremo. O nome original também remete a isso: Tiny Pretty Things, ou, “pequenas coisas belas”, o que é, no fim, pré-requisito e objetivo eterno desses bailarinos.

São muitas reviravoltas, traições, beijos roubados, revelações. Muitos jovens seminus, embates, cenas de choradeira. Sem revelar muito, digo que O Preço da Perfeição entrega, mesmo que de forma forçada, o que promete: drama, drama e mais drama.

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Por Victória Clemente – Fala! Mack

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