O futebol em tempos de Gripe Espanhola e de Covid-19
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O futebol em tempos de Gripe Espanhola e de Covid-19

O futebol em tempos de Gripe Espanhola e de Covid-19

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Não é a primeira vez que o futebol sofre uma paralisação global. Há 102 anos, o mundo sofria com a pandemia da gripe espanhola. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas morreram ao redor do mundo. Em entrevista concedida ao Estadão, o professor de história Ronan de Oliveira Cordeiro, afirma que isolamento social, fechamento de comércio, clubes, teatros, restaurantes e proibição de reuniões foram algumas atitudes tomadas naquela época. E os esportes não passariam ilesos disso, como em 2020.

Paralisação

Em 1918, o futebol também parou. No Brasil, os estaduais eram os principais campeonatos com duração de até nove meses, aproximadamente. O Campeonato Paulista, por exemplo, ficou paralisado por três meses e só voltaram a jogar os clubes com chances matemáticas de títulos.

Na situação, o Clube Athletico Paulistano venceu a competição e também ofereceu espaço no clube para a construção de um hospital de campanha. Além disso, o Palmeiras também cedeu sua sede para o tratamento da doença na época. Já em 2020, muitos estádios estão sendo usados da mesma forma.

Além dos estaduais, a Copa América, na época chamada de de Campeonato Sul Americano, também foi adiado para 1919, mantendo o Rio de Janeiro como sede. No final, a seleção brasileira sagrou-se campeã do torneio e conquistou a sua primeiro grande título na história.  

Consequências para os clubes

Diferentemente da pandemia atual, a medicina do século passado não possuía tantos recursos e impulsionava os casos letais de Gripe Espanhola. No Rio de Janeiro, cidade mais populosa do país na época, chegou a contabilizar cerca de 1000 mortes em um único dia. Até o momento, felizmente, não houve óbitos de jogadores causados pela Covid-19, e sim contaminações.

Porém, os atletas do século passado não tiveram a mesma sorte. O Fluminense comemorava o título carioca daquele ano, mas chorava a morte do seu atacante inglês Archibald “Archie” French. Outro falecimento decorrente dessa pandemia foi de João Cantuária, fundador e jogador do São Cristóvão, cujo hino faz referência ao ídolo alvinegro. O último caso é de Octavio Egydio, jogador do Palmeiras, que atuava na meia esquerda e está marcado na história após atuar na primeira partida oficial da seleção brasileira.  

Retorno aos jogos

Como percebido no retorno da Bundesliga, os jogos de futebol não são mais os mesmo comparados aos da pré-pandemia. Muitas medidas ainda precisam ser tomadas nas partidas, pois os contágios de coronavírus ainda estão longe de um fim. Mas com a Gripe Espanhola foi diferente. Após as duas ondas epidêmicas do vírus Influenza, os casos diminuíram abruptamente. Assim, houve o retorno do futebol sem a necessidade de mudanças para prevenção à doença. Diferentemente do que pode ser visto hoje nos jogos sem torcida.

Além disso, há a necessidade dos jogadores seguirem um protocolo, que exige distanciamento na entrada em campo, comemorações sem contato e uso de máscara no banco de reservas. Até na transmissão é possível notar algumas alterações, como um atraso na narração da jogada, o famoso “delay”, ou até escutar caixas de som reproduzirem cânticos da torcida nas arenas vazias. 

Borussia Dortmund
Time do Borussia Dortmund faz a tradicional saudação ao setor da Muralha Amarela, desta vez vazio, e com o distanciamento social exigido. | Foto: Reprodução.

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Por José Mário Santos – Fala! UFRJ

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