Levante do Gueto de Varsóvia: Evento que completa 77 anos neste mês
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Levante do Gueto de Varsóvia: Evento que completa 77 anos neste mês

Levante do Gueto de Varsóvia: Evento que completa 77 anos neste mês

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No dia 19 de abril de 1943, teve início um dos maiores marcos da resistência contra o regime totalitário nazista: o Levante do Gueto de Varsóvia. Em um momento mais avançado da guerra, no qual o governo encabeçado por Adolf Hitler não media esforços na busca pelo extermínio total da população judaica, o episódio em questão consiste em um símbolo de coragem e heroísmo que carrega fundamental importância. 

Inicialmente, vale ressaltar os fatores que levaram uma parcela da comunidade judaica a dar início à revolta. O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto construído pelos nazistas, habitava cerca de 380 mil judeus, isto é, 30% da população total de Varsóvia e ocupava apenas 2,4% do território da cidade. Fome e enfermidades eram muito frequentes em meio às condições de vida deploráveis às quais os moradores eram submetidos.

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O Levante do Gueto de Varsóvia foi um dos marcos da resistência contra o regime totalitário nazista. | Foto: Reprodução.

O estopim deu-se em julho de 1942, quando aproximadamente 300 mil judeus foram deportados para o campo de extermínio Treblinka, e alguns dos poucos habitantes restantes do gueto passaram a organizar-se militarmente, cientes dos assassinatos massivos que tomavam parte, e preferindo uma morte lutando do que aquela que os esperava em Treblinka. 

Nesse contexto, destacam-se dois grupos de fundamental importância: a ZOB (Organização de Luta Judaica), de esquerda, e a ZZW (Organização Militar Judaica), de direita. Ambos com uma quantidade similar de integrantes (250-500 combatentes), uniram-se em detrimento das divergências ideológicas, visando maior eficiência no ataque.

Assim, lutaram juntos em diferentes pontos de atuação no gueto simultaneamente, um liderado por Mordechai Anilewitz (ZOB) e outro liderado por Pawel Frankel, Leon Rodal e Dawid Epelbaum (ZZW). A ZZW caracterizava-se por um maior acervo de armamentos, dispondo de fuzis, coquetéis molotov, pistolas, entre outros. 

Outro marco determinante para a mobilização dos grupos foi quando membros da ZZW obtiveram um receptor de rádio clandestino e descobriram, a partir de uma transmissão, no Natal de 1942, que os exércitos alemães haviam sido derrotados na África e na Rússia e que os americanos e britânicos sucederam em derrotar o regime fascista de Benito Mussolini.

Concluíram, também, que líderes mundiais sabiam da situação vivida na Alemanha nazista e, todavia, não se mobilizaram, provando a necessidade de que eles se organizassem para morrer com dignidade e matar a maior quantidade de nazistas. 

A primeira batalha em janeiro de 1943 sucedeu, surpreendendo a SS e obrigando os nazistas a recuarem. Após três meses de trégua, tropas nazistas retornaram e ainda foram rechaçadas nas duas primeiras tentativas. Um momento extremamente simbólico foi quando membros do ZOB hastearam a bandeira de Israel e da Polônia (submetida à ocupação nazista) durante a batalha, até hoje sobreviventes rememoram esse marco, pois era possível enxergar as bandeiras até mesmo de fora do campo.

Somente após ordens diretas de Hitler para a utilização de todos os métodos possíveis e interferência da aviação alemã que os alemães assumiram o controle do levante. Muitos foram assassinados, alguns conseguiram refugiar-se nos focos de resistência em florestas ao redor de Varsóvia, Anielewitz e seus companheiros se recusaram a render-se. O extermínio do gueto finalizou-se com a destruição da sinagoga, marcando o fim de um ato heróico que viria a ser conhecido por toda a história. 

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Anielewitz. | Foto: Reprodução.

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Por Melissa Charcat – Fala! Cásper

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