Já existiram piratas mulheres no mundo? Saiba tudo!
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Já existiram piratas mulheres no mundo? Saiba tudo!

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Piratas: ladrões, saqueadores e conquistadores dos mares. Homens em busca de riquezas em seus trajetos marítimos. Grupos de apátridas sem destino definido, por vezes, mas organizados em suas condutas e disciplinas dentro dos navios. 

A imagem que costumamos ter dos milenares piratas marítimos é masculina e, geralmente, até bastante delimitada: homens com tapa-olhos, chapéus de três lados, ganchos, pernas de pau, armamentos afiados, como espadas e adagas, e até com os seus papagaios no ombro.

Essa imagem comum pode ser também provinda da construção da mídia cinematográfica, uma vez que, ao falarmos de pirata, logo nos vem à mente personagens como o Jack Sparrow, de Piratas do Caribe, e o Capitão Gancho, de Peter Pan, ambos filmes da Disney.

Dentre alguns filmes, ainda assim, é perceptível a presença de algumas personagens femininas no papel de saqueadoras dos mares, mesmo que não estando em evidência.

piratas
Já existiram piratas mulheres no mundo? | Foto: Reprodução.

Existiram piratas mulheres ao longo da história?

Então, por mais que haja algumas personagens femininas piratas em produções do cinema, será que realmente existiram mulheres piratas? A resposta é sim! Elas não só existiram como foram importantes e emblemáticas para a história. 

Ching Shih, por exemplo, importante pirata chinesa que viveu entre os séculos XVIII e XIX, foi a capitã de mais de 300 juncos (embarcações chinesas) compostos por 20 a 40 mil piratas, incluindo mulheres, homens e até crianças. Ela é conhecida por ser a pirata mais bem-sucedida da história.

Outro exemplo marcante é Grace O’Malley, uma das maiores piratas da Europa que viveu entre 1530 e 1603, foi uma das mulheres mais respeitadas e temidas dos mares. Desde muito jovem, a irlandesa desafiou os padrões da sociedade e, mesmo oriunda de uma família nobre, seguiu na área da navegação, liderando centenas de piratas em seu auge e sendo considerada invencível nos ataques marítimos. 

Aliás, é importante ressaltar que os primeiros casos de pirataria documentados datam do século XIV a. C., no mar mediterrâneo, na região do Egito e a Ilha de Creta, há cerca de 3 mil anos. No entanto, durante toda essa história milenar e além das piratas já antes citadas, houve também notáveis mulheres na pirataria, principalmente entre os séculos XVII e XVIII, na região do Caribe, na chamada Era de Ouro dos piratas.

Mulheres piratas

Alguns exemplos de mulheres piratas que mais se destacavam nesse contexto são: Anne Bonny e Mary Read.

Anne Bonny

piratas mulheres
Representação de Anne Bonny. | Foto: Wikimedia Commoms.

Anne Bonny, nascida Anne Comarc, entre 1697 e 1700, na Irlanda, era filha de uma criada com um advogado irlandês, fruto de um adultério. Em certo momento, quando a real esposa de Willian Comarc, o pai de Anne, descobre a traição, seus pais se juntam e emigram para a Província da Carolina, uma parte da colônia britânica que viria ser os Estados Unidos. Aos 13 anos, Anne perde sua mãe, vítima de uma febre tifoide. Posteriormente, seu pai a compromete com um pretendente, mas Bonny acaba resistindo e o contrariando ao se casar com um marinheiro chamado James Bonny.

Deserdada pelo pai, Anne parte para Nassau, nas Bahamas, junto com seu marido. Lá, ele é contratado pelo governo para ser informante acerca dos piratas, uma espécie de “X9” marítimo. Com o tempo, Anne Bonny passou a repudiar o emprego de seu esposo e se envolver mais com os piratas da região.

Assim, ela conheceu o ilustre pirata Calico Jack e resolveu fugir com ele, após o seu marido não aprovar, mesmo com Jack oferecendo uma boa quantia para o divórcio dos dois. Logo, Bonny vira parte da tripulação, desafiando uma regra de conduta popular entre os piratas caribenhos, a qual dizia que mulheres e crianças a bordo era sinal de azar e, por isso, seria proibido.

Anne, como podemos perceber, era uma mulher destemida e determinada a traçar o seu próprio caminho independentemente de quem estivesse tentando pará-la. Foi assim que conseguiu se manter ativa na embarcação.

Após algum tempo a piratear navios mercantes ao longo da costa da Jamaica, o Willian, navio de Anne e Calico Jack, foi atacado pela Marinha Real. Para escapar da condenação, Bonny afirmou que estava grávida e teve sua condenação adiada. Condenação esta que, de fato, nunca aconteceu, diferente de Calico, que foi morto após sua captura em 1720. A morte de Anne Bonny é desconhecida.

Mary Read

Mary Read
Representação de Mary Read. | Foto: Wikimedia Commoms.

A história dessa pirata é, de fato, interessante. Inglesa, Mary Read nasceu em 1695 e era fruto de um caso extraconjugal que sua mãe teve quando o marido estava em viagem marítima (ele era marinheiro). Como sua mãe já havia perdido um filho pouco antes de engravidar-se de Mary, ela teve a ideia de disfarçar a filha de menino, por medo da rejeição e do desamparo financeiro pelo esposo traído, bem como a família dele. Mary, então, ficou da infância até a juventude sob disfarce.

Tendo passando boa parte de sua vida disfarçada de homem, se alistou na Marinha Britânica. Ainda, nessa época, se apaixonou por um soldado holandês e com este se casou, bem como se instalou na Holanda até que ele veio a falecer precocemente. Quando se tornou viúva, Read já não trabalhava mais com navegação há algum tempo, pois resolveu se demitir da Marinha. Então, após isso, ela acaba se juntando à Companhia das Índias Ocidentais.

Foi então que Mary Read conheceu a Calico Jack e se juntou a sua tripulação, onde estava presente também Anne Bonny, que logo gostou da jovem (sobre disfarce de homem) e, ao descobrir que Read era mulher, se tornaram grandes amigas, além de, supostamente, terem um caso amoroso. 

Em 1720, com o ataque ao navio Willian, tendo como capitão o pirata Calico Jack, mesmo com o julgamento da maioria dos piratas da embarcação, Mary Read, que também estava na ocasião, não foi condenada ao alegar gravidez, assim como sua companheira pirata Anne Bonny.

No entanto, diferente de Anne, Mary morreu pouco tempo depois da suspensão de sua condenação, vítima de uma infecção com febre.

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Por Amanda Dutra – Fala! UFG

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