Igualdade X Equidade: Os reflexos na sociedade brasileira
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Igualdade X Equidade: Os reflexos na sociedade brasileira

Igualdade X Equidade: Os reflexos na sociedade brasileira

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É fato que os conceitos de igualdade e equidade são semelhantes e passíveis de confusão. Entretanto, o uso correto desses termos e a prática deles na sociedade é essencial. Enquanto a igualdade preza pela equivalência, ou seja, o estabelecimento de situações iguais para todas as pessoas e situações, a equidade prima pela análise individual dos casos, o que evita a desigualdade e promove a justiça social. 

Conceitos de igualdade e equidade

Igualdade

Substantivo feminino 1. fato de não apresentar diferença quantitativa. 2. fato de não se apresentar diferença de qualidade ou valor, ou de, numa comparação, mostrarem-se as mesmas proporções, dimensões, naturezas, aparências, intensidades; uniformidade; paridade; estabilidade.

Equidade 

Substantivo feminino 1. apreciação, julgamento justo. 2. virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos.

diferença entre equidade e igualdade
Princípio da igualdade e da equidade representado na ilustração. | Foto: Reprodução.

Desse modo, ao analisarmos a nossa sociedade, que é plural, heterogênea e miscigenada, não é possível falar de igualdade, ou seja, de um padrão. Isso ocorre pois, se nem todos são iguais, as chances também não serão, o que acarreta em desvantagens para as classes que não são privilegiadas, como as mulheres, a população negra, os idosos e as classes baixas.

igualdade e equidade
Quando a sociedade é heterogênea não é possível falar de igualdade. | Foto: Reprodução.

Na opinião da estudante Raíssa Sousa, as oportunidades e vagas de emprego são restritas a uma classe predominante, a de pessoas brancas e ricas. Dessa forma, as universidades públicas, que deveriam ser a porta de entrada dos menos favorecidos ao mercado de trabalho, concentram apenas os que tiveram uma educação de qualidade e, em grande maioria, a pele branca.

Isso é provado ao analisarmos os últimos dados do IBGE, os quais indicam que a taxa de analfabetismo dos negros é o dobro da dos brancos, apenas 18,3% dos estudantes de ensino superior são pardos e negros e 75% da população mais pobre é formada por pessoas negras.

Assim, confirma-se que para este grupo social, existem duas barreiras: a renda e a cor da pele, o que demonstra a não aplicação do conceito igualdade, pois as condições sociais não são as mesmas.

A futura universitária Lara Bessa afirma ver o negro inserido no mercado de trabalho, mas apenas em profissões informais, como pedreiros e faxineiros. Nesse contexto, a população negra é maioria em um único setor que não exige especialização e não é integrada às grandes corporações e ao resto da coletividade. 

Para as entrevistadas, uma medida reparadora da situação e que busca a equidade é o sistema de cotas, já que ele permite não só a diversidade, mas também a ascensão social da população negra e desfavorecida.

Além disso, ambas concordam que é importante fazer um panorama histórico pois, após o fim da escravidão, os negros não foram reinseridos na sociedade, mas sim, marginalizados, o que levou à criação de um estereótipo de inferioridade. Esse rótulo é recorrente até hoje e precisa, mais do que nunca, ser quebrado. 

Dessa maneira, é possível concluir que a igualdade não basta em nossa sociedade. É injusto aplicar condições iguais a pessoas de realidades tão diferentes. É desejável que haja a diversidade, a equiparação de direitos, a equidade. 

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Representação da igualdade e da equidade na sociedade. | Foto: Reprodução.

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Por Maria Cunha – Fala! Cásper

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