'Hamilton' conquistou prêmios, seguidores e seu lugar junto aos clássicos
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‘Hamilton’ conquistou prêmios, seguidores e seu lugar junto aos clássicos

‘Hamilton’ conquistou prêmios, seguidores e seu lugar junto aos clássicos

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Um compositor de origem porto-riquenha entra em uma livraria, compra uma biografia e escreve o musical da Broadway com o recorde de mais indicações ao Tony Award’s, o Oscar do teatro musical

O Richard Rodgers Theatre não estava pronto para o estouro que seria Hamilton: An American Musical. Já tendo recebido musicais icônicos como Guys and Dolls, Chicago e Footloose, quem iria imaginar que o recorde de maior público pagante da história desse palco seria o novo musical-biográfico do compositor de origem porto-riquenha Lin Manuel-Miranda? 

E esse não é o único recorde que Miranda conseguiu depois do estouro de seu musical. Hamilton e sua equipe ganharam um incrível total de 16 nomeações ao Tony Award’s de 2016, incluindo ‘Melhor Musical’, ‘Melhor Trilha Sonora Original’ e três indicações à ‘Melhor Ator Coadjuvante de Musical’. No final da premiação, venceu onze. Somado a isso, Lin Manuel-Miranda se juntou a lendas do teatro musical e do cinema, como Stephen Sondheim, Whoppi Goldberg e Audrey Hepburn, adicionando seu nome à curta lista de ganhadores dos quatro maiores prêmios do mundo da música: o Tony Awards, o Grammy, o Emmy e o Oscar, pela música original de Moana.

Mas então, o que justifica a enxurrada de prêmios e críticas positivas para esse musical sobre o até então “esquecido” Alexander Hamilton?

Musical da Broadway
Musical da Broadway, Hamilton. | Foto: Reprodução.

Hamilton não era nem de longe o fundador americano mais famoso quando Lin Manuel escolheu sua biografia para ler durante as férias. Na verdade, o próprio musical reconhece isso em linhas como “A história de todos os outros fundadores é contada, mas quando você se for, quem se lembra do seu nome?”. Mesmo assim, em sua genialidade, Miranda escreveu os dois atos e 46 músicas sobre a vida desse imigrante, sonhador e extraordinário. Além disso, resolveu escrever em forma de hip-hop e rap toda a vida desse ser histórico, desde a morte de sua mãe, passando pela formação dos Estados Unidos, chegando até a sua morte. 

E Alexander Hamilton tinha muito a contar, como suas lutas para além da independência, tocando em pautas relevantes até hoje, como racismo e imigração, dilemas pessoais e rivalidades que se acirraram até o fim de sua vida. Rivalidade essa que se tornou o narrador de sua história. Seguindo os passos de Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber, quem conta cada passo da vida do fundador é ninguém mais ninguém menos do que o homem que começou como seu amigo e acabou dando o tiro que o matou, Aaron Burr. Essa escolha dá a ambos os personagens uma nova roupagem e novos conflitos que, de outra perspectiva não seriam vistos, como a raiva e eventual culpa de Burr, a arrogância juvenil e ambição de Hamilton e os fios políticos que moveram ambas as histórias.

Além de Aaron Burr, outros personagens que poderiam ser secundários ganharam vida na escrita de Lin Manuel, como o idealizador Jonh Laurens, a feminista Angelica Schuyler e sua irmã, Elisa, a esposa de Hamilton que carregou por toda a vida a missão de manter o legado de seu marido vivo do jeito que pôde. Outros destaques vão para Daveed Diggs que se transformou em Marquis de La Fayette, amigo íntimo de Hamilton, assim como Thomas Jefferson, seu inimigo político declarado, e Jonathan Groff, interpretando o caricato Rei George. Além deles, o balé talentoso e diverso (assim como todo o cast) e os figurinos são admiráveis, assim como o cenário e o livreto do musical.

Fato é que Hamilton chegou para revolucionar as ruas da Broadway e trazer uma nova legião de fãs para o teatro musical. Chegando em 3 de julho ao Disney +, para a felicidade dos fãs que têm acesso ao serviço de streaming, Lin Manuel-Miranda e seu musical pretendem provar novamente que Hamilton e seus valores ainda são, e continuarão sendo, relevantes por muito mais tempo.

Trailer de Hamilton

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Por Camila Sant’Anna – Fala! UFRJ

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