Felicidade: Busca da Verdade e vivência do Amor
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Felicidade: Busca da Verdade e vivência do Amor

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Todos os homens almejam a felicidade. Eis um dos axiomas mais claros e fundamentais da filosofia clássica. Segundo o pensador grego Aristóteles, a felicidade representa a finalidade de todas as ações e condutas humanas. Nesse sentido, a perspectiva filosófica supramencionada é teleológica, pois atribui um fim, ou melhor, um significado derradeiro para a realidade e, sobretudo, para a vida humana.

Por certo, apesar da busca incessante dos indivíduos por um estado genuíno de felicidade, é nítida a presença, na contemporaneidade, de uma profunda angústia existencial, cuja característica mais marcante é tipificada pelo fatalismo, ou seja, pelo desânimo. Portanto, é premente o resgate da possibilidade da plena realização humana e da esperança. 

Felicidade
Entenda mais sobre o conceito de felicidade. | Foto: Reprodução.

Felicidade e busca pela verdade

Em vista disso, é preciso frisar que muitos pensadores, sobretudo, os filósofos da patrística e escolástica, afirmavam que a felicidade autêntica deve ser enxergada a partir de uma visão holística, a qual leve em consideração a eminência da dimensão axiológica no bem-estar da pessoa. Sendo assim, o autor dominicano São Tomás de Aquino era categórico no pensamento segundo o qual a ordenação correta da vida, compreendida enquanto a sujeição de todos os aspectos da natureza humana ao crivo da faculdade da razão e de uma axiologia centrada na caridade e nas virtudes, representa o fundamento da felicidade. 

A felicidade consiste em ações perfeitamente conformes à virtude, e entendemos por virtude não a virtude relativa, mas a virtude absoluta. Entendemos por virtude relativa a que diz respeito às coisas necessárias e por virtude absoluta a que tem por finalidade a beleza e a honestidade.

Aristóteles.

Toda ordenação pressupõe um padrão pelo qual acontece; em outras palavras, toda ordenação tem em vista um ideal, e assim serve-se dos meios propícios para alcançá-lo. É evidente que com a vida humana não seria diferente. A pergunta fundamental do homem sobre a terra deveria ser, portanto: qual é o meu fim último, qual é o ideal que deve ser causa e motor de meus movimentos? 

Segundo o já citado Tomás de Aquino, todo ser tende à perfeição segundo sua natureza, por onde conclui-se que a finalidade do homem está inerente à sua essência. A essência, brevemente dizendo, é sua alma; aquilo que torna o homem, e não outra coisa. Se, como dito acima, o fim depende da natureza do ente, torna-se claro que o ser humano foi feito para algo ligado mais com a alma do que com qualquer outro aspecto de seu ser.

Enquanto os sentidos apreendem aspectos acidentais e servem de porta de entrada ao interior humano, é com a alma que os princípios e causas podem ser conhecidos, pelo que vale parafrasear Aristóteles na primeira parte de seu livro Metafísica: “É mais sábio aquele que conhece as causas de cada coisa”, e as causas não podem ser conhecidas apenas pelos sentidos. Conhece-se a verdade, assim, por meio da alma e das faculdades racionais, sobretudo, pela contemplação. 

Sob o mesmo ponto de vista, o filósofo contemporâneo Giovanni Reale costumava dizer que a ordenação correta da vida, bem como a genuína e autêntica dimensão valorativa e principiológica, só existem na busca pela Verdade. Mas, afinal, o que é a Verdade? Em última instância, a Verdade é adequação das ações individuais com os preceitos da caridade, ou seja, do Amor Concreto, pois o homem foi feito para se realizar pelo amor. Do mesmo modo, dizia Santa Teresinha de Lisieux: “Amemos, pois nosso coração não foi feito senão para isto”. Destarte, contemplar a verdade e praticá-la, de forma constante e cotidiana, é única forma de progredir na felicidade e, por conseguinte, na realização plena da natureza humana. 

Os melhores homens serão aqueles que mais viram e contemplaram a verdade. A vida moral depende estruturalmente da contemplação.

Giovanni Reale.

Diante do exposto, é importante resgatar uma frase do pensador Agostinho de Hipona, a saber: “Mas justamente esta é a felicidade do homem: buscar perfeitamente a verdade. Isso é chegar ao fim, além do que não se pode passar (…) É que a felicidade é a alegria que provém da verdade”. Destarte, verifica-se uma profunda relação da contemplação da Verdade com a felicidade, pois o homem é feito para a felicidade, cujo núcleo essencial reside na compreensão de um sentido para as ações individuais e esse propósito encontra-se, em última instância, na Verdade. 

Outra questão, porém, de certa maneira inclusa na anterior, permeia a existência do homem: o saber de onde veio.  Pelo conhecimento e investigação das causas, percebe-se que são todas aparentemente contingentes, dependentes umas das outras para existirem, de onde surge a luz que lhe mostrará o caminho ansiado desde a primeira questão: existe uma causa primeira, necessária para a existência de todas as outras. O princípio de tudo, que sempre existiu, portanto, Deus. Evitando delongas, é coerente que a vida humana seja orientada pela causa primeira, sua gênese, uma vez que ela está hierarquicamente acima de qualquer outra e as contêm. A crise neste ponto apresenta-se sobre a problemática de organizar os meios a esse fim tão elevado. 

Conforme destacado anteriormente, somente por um pleno entendimento da imprescindibilidade das virtudes é possível trilhar o caminho para alcançar o Sumo Bem. Dessa forma, a caridade deve ser vivida de forma intensa. O Amor Concreto, representado pela obra Redentora de Cristo, deve ser o guia de nossas condutas e anseios. O amor encerra todas as virtudes. Nas palavras de Santa Teresinha: “Nada é pequeno se feito com amor (…) A santidade não consiste em grandes obras, mas em pequenas coisas feitas com amor”. 

Em virtude do que foi apresentado, percebe-se que a busca da felicidade é uma busca pelo propósito da vida. De fato, é motivo de esperança a compreensão segundo a qual a Verdade representa o sentido da existência e, sobretudo, que o sentido, em questão, encontra-se na vivência do Amor Concreto. Por fim, “O amor é a alegria pelo bem; o bem é o único fundamento do amor. Amar significa querer fazer o bem para alguém” (São Tomás de Aquino). 

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Por Leonardo Leite (Mack) e Rafaela Brazão Martins (UEMG)

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