Felicidade no cotidiano
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“Nada melhor para felicidade do que trocar preocupações por ocupações, e quem diz felicidade diz saúde. A verdade é que o trabalho é a lei profunda da humanidade, e que todo aquele que nega essa lei renuncia ao mesmo tempo a todas as alegrias elevadas e duráveis”. (Jules Payot- A educação da vontade).

A grande preocupação da filosofia ética da Grécia antiga residia em definir, caracterizar e, por fim, praticar a vida feliz. A felicidade estava no cerne dos grandes debates dos pensadores gregos. A própria concepção aristotélica de Ética pressupõe a noção de felicidade enquanto finalidade das ações e condutas humanas.

Contudo, creio que as ponderações de São Tomás de Aquino, na Idade Média, foram nevrálgicas para a estruturação do pensamento moral acerca dos pressupostos elementares da vida feliz. Portanto, a cosmovisão tomista pode ser de grande valia para nossa vida cotidiana. 

Felicidade
Felicidade. | Foto: Reprodução.

A verdadeira felicidade

São Tomás analisa as ações humanas sob a óptica do princípio da finalidade. Tudo na Natureza está orientado para um fim, até mesmo as atitudes mais banais dos indivíduos. Contudo, o ser humano, como racional, apresenta uma finalidade mais nobre, uma vocação grandiosa, a saber: a felicidade. A felicidade é finalidade última e derradeira a que a natureza do homem está orientada.

Na concepção do Doutor da Igreja, o Sumo Bem é a grande felicidade. Prazeres banais podem oferecer uma sensação temporária de realização pessoal, mas não passam de um autoengano. Portanto, devemos orientar nossas ações para um Bem moralmente definido. 

É impossível que o homem encontre a verdadeira felicidade que deseja naturalmente em um bem limitado (prazeres, riquezas, honra, glória, poder, conhecimento das ciências, etc), porque nossa inteligência constatando imediatamente o limite, concebe um bem superior e nos leva a desejá-lo.

Garrigou Lagrange em O homem e a eternidade.

Tudo o que eu faço no cotidiano, em última instância, deve ser dirigido para uma finalidade nobre, a saber: o bem do próximo, a caridade, o bem comum, a saúde pessoal, a estabilidade familiar, a santidade. Existe uma gradação na escala de “bens morais” a serem perseguidos. Por exemplo, o exercício físico. Se eu o realizo visando apenas a vaidade e vitória em competições, não existe aí uma virtude sequer.

Contudo, se realizo esportes na expectativa de melhorar minha saúde, para que assim eu possa ser mais útil ao próximo e aos membros da comunidade, eis aí um ato de virtude que, em última instância, corrobora para a felicidade. Outra dica para a prática da vida feliz reside no conselho de São Gabriel da Nossa Senhora das Dores, a saber: “Nossa perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias; mas em executar bem as ordinárias”. 

Sendo assim, as simples ações de bondade e amor são mais úteis para felicidade do que grandes feitos pessoais. A prática constante das simples obrigações morais ordinárias pode vir a ser de grande valia para afastar o sofrimento, a angústia e a tristeza.

Portanto, tendo em vista que o ser humano é um projeto a ser realizado, nossas ações devem estar orientadas a um bem moral, mesmo que ordinário. Somente assim podemos crescer diariamente na verdadeira felicidade. Claro que, na concepção tomista, o Sumo Bem é Deus, o único capaz de preencher o vazio existencial do homem. Concluindo, nas palavras de Santa Teresa de Lisieux: “Não perca sequer uma oportunidade de fazer um pequeno sacrifício. Um sorriso aqui; uma palavra gentil acolá. Sempre fazendo pequenos atos de bondade; e sempre fazendo tudo por amor”.

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Por Leonardo Leite – Reaviva Mack – Universidade Presbiteriana Mackenzie

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