Diplomacia sem viés ideológico
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Diplomacia sem viés ideológico

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Sob influência intelectual de Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro foi eleito com um discurso anti-globalista e anti-comunista. Por isto, foi surpreendente quando, no ano passado, o presidente assinou diversos acordos bilaterais com o governo chinês. Surpreendente, no bom sentido, já que, de janeiro a outubro de 2019, o Brasil teve um superávit de 34 bi na balança comercial com a China.

O problema veio na quarta-feira, 18 de março, quando o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, afirmou que a China é uma ditadura e continuou: “mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas”.

Pelo Twitter, a conta oficial da Embaixada da China no Brasil respondeu duramente ao Deputado.

As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando as amizades entre os nossos povos.

Afirma a nota da Embaixada
Nota da Embaixada da China em resposta a Eduardo Bolsonaro
Nota da Embaixada da China em resposta a Eduardo Bolsonaro. | Foto: Reprodução/Twitter.
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Loucura ou método, o presidente não se pronunciou sobre a declaração do filho, mas, dado o controle que tem sobre ele, a ausência de um pedido de desculpas de Eduardo diz mais que uma declaração oficial de Jair.

Por fim, nesta quinta-feira à noite, após diversas declarações de autoridades brasileiras, que reiteraram que Eduardo não fala pelo país, a Embaixada chinesa afirmou que não deixará que as declarações do filho do presidente atrapalhem a situação diplomática amistosa com o Brasil. Os Bolsonaros, e o país, deram sorte da China não adotar “viés ideológico” no que toca sua relação com outros países.

Em meio à crise da Covid-19, seria desastroso uma inimizade com a China. Isto, pois, além de ser o principal parceiro comercial do Brasil, a China foi o primeiro país a controlar o novo coronavírus e disse ter intenção de ajudar os países mais afetados pelo vírus, o que inclui o Brasil.

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Todos os esforços dos governantes brasileiros devem ser a fim de contornar a crise, toda ajuda deve ser bem-vinda.

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Por Luis Soares – Fala! UFPE

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