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Crítica: uma análise completa sobre a série ‘Dinastia’

Dinastia é uma série norte-americana que se passa na cidade de Atlanta, estado da Geórgia, e narra os conflitos de duas famílias: os Carrington e os Colby. A história inicia com o patriarca magnata da energia Blake Carrington (Grant Show) anunciando o seu casamento com uma funcionária do alto escalão de sua empresa, Cristal Flores (Nathalie Kelley), o que desagrada a filha mimada do bilionário Fallon (Elizabeth Gillies), que espera ser a sucessora na presidência das empresas e  passa a tentar sabotar a união do casal.

Confira uma análise crítica da série Dinastia!

ALERTA SPOILER!

Dinastia
Elizabeth Gillies, Grant Show e Nathalie Kelley na 1ª temporada da série. | Foto: Reprodução/CW

Análise Crítica da série Dinastia

A trama

 A série é um remake da original, exibida entre 1981 e 1989. Com a disputa de poder e dinheiro entre os ricos, Dinastia aborda com bastante bom humor as futilidades de quem põe dinheiro acima de tudo, inclusive de relações amorosas e familiares.

A personagem Fallon, de Elizabeth Gillies, que conduz a maioria dos conflitos da história, é um exemplo clássico da hipocrisia da alta sociedade, de quem não mede esforços para alcançar seus objetivos. Mas ela não é a única: por dinheiro, poder e status, todos os personagens envolvidos nas tramas dos Carrington e Colby agem de formas desonestas, egoístas e friamente calculadas.

Blake, o patriarca, apesar do amor pela família e pelos filhos, não hesita em sabotá-los quando se trata de aumentar sua fortuna ou retomar o controle de alguma de suas empresas. Em diversos momentos da série, o bilionário trava uma batalha pelo poder com a própria filha Fallon.

Troca de atrizes

Os bastidores de Dinastia foram marcados por trocas de intérpretes de algumas personagens. A personagem Cristal foi interpretado por três atrizes diferentes ao longo das suas 4 temporadas, o que comprometeu o desenvolvimento e foco da história principal.

O mote inicial, do conflito da filha e futura madrasta, foi encerrado ao fim da primeira temporada. Na segunda temporada, a personagem foi, literalmente, trocada pela chamada “nova Cristal” ou “verdadeira Cristal”. Da segunda para a terceira temporada, a personagem permaneceu a mesma, apenas trocando as intérpretes (saiu Ana Brenda e entrou Daniella Alonso) e mantendo a história.

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Nathalie Kelley, Ana Brenda Contreras e Daniella Alonso são as 3 intérpretes da personagem Cristal. | Foto: Reprodução

 O mérito do roteiro foi fazer piada da própria troca e rir do absurdo, como costuma fazer em todas as outras histórias.

Outra mudança ocorreu com a personagem Alexis Carrington, a primeira esposa de Blake que retorna para atormentar a vida do ex marido e dos filhos. Saiu a atriz Nicollette Sheridan e entrou Elaine Hendrix. Para a troca das atrizes, houve um período de transição, com a atriz Elizabeth Gillies, intérprete de Fallon, fazendo também o papel de sua mãe Alexis.

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Nicollette Sheridan e Elaine Hendrix como Alexis Carrington. | Foto: Reprodução

 A solução foi das mais absurdas e bem humoradas: Alexis foi empurrada pelo próprio filho, o vilão psicopata Adam (Sam Underwood), em uma lareira acesa e precisou fazer plásticas no rosto após ser queimada. Como o vilão tem obsessão pela irmã Fallon, ele decide usar fotos da jovem como modelo na cirurgia.

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Elizabeth Gillies como Alexis Carrington. A atriz interpretou Alexis e Fallon durante alguns episódios. | Foto: Reprodução

Saída e entrada de personagens na série Dinastia

Alguns outros personagens entraram e saíram ao longo das temporadas. Steven, inicialmente o filho mais velho de Blake e Alexis, saiu durante a segunda temporada. A saída do personagem foi o mote para a entrada do primeiro filho “desaparecido” do casal, Adam, mudando os rumos da história.

Ao final da segunda temporada também foi o momento da chegada de Dominique Deveraux, matriarca da família Colby e meia irmã de Blake.

Na quarta temporada é a vez de Amanda, a “nova” filha dos Carrington que chega para entrar em conflito com a irmã, Fallon.

A Série

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Elizabeth Gillies e Adam Huber em cena de Dinastia. | Foto: Reprodução

Quem assistiu a série em sua primeira temporada percebe nitidamente que ela já não tem mais o mesmo foco atualmente, em sua quinta temporada. As mudanças de atores, a entrada e a saída de personagens, e até mesmo a pandemia, impactaram nos rumos da produção.

O mérito de conseguir se manter interessante em meio a tantas mudanças é o roteiro escrachado, bem humorado e que se permite rir de si mesmo diante de tantas adversidades.

A história, apesar de abordar temas como corrupção, traição, assassinatos e segredos nunca se propôs a se levar a sério ao ponto de tentar esconder o esvaziamento dos plots ou a aparente falta de rumos dos personagens que possa surgir pelo caminho. A série segue ágil, explorando ao máximo o carisma dos personagens e suas possibilidades, ainda que eventualmente os assuntos se tornem repetitivos.

Quem busca uma série bem humorada (mas não necessariamente de humor), com bons ganchos e personagens interessantes pode encontrar em Dinastia um entretenimento divertido. Personagens como Sammy Jo divertem só de entrar em cena. Apesar do personagem ter perdido boa parte de sua função após a saída de Steven, seu par romântico, ele continua se mantendo relevante durante os episódios, apesar de por vezes em alguns plots simples demais para a força do personagem.

Os dramas profundos e sensíveis até existem, mas logo dão lugar aos conflitos exageradamente dramáticos sobre poder, ganância e traições em família.

    Dinastia está em sua quinta temporada e é exibida nos Estados Unidos pelo canal CW e suas 4 temporadas completas estão disponíveis no catálogo da Netflix, com a atual temporada prevista para chegar ao streaming em 2022.

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Por Gustavo Torquato – Fala! Universidade Federal Fluminense

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