Crônica: Um olhar diferente
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Crônica: Um olhar diferente

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É sempre isso. Acordo 6h da manhã junto com o despertador. Ligo o celular e não tem nenhuma mensagem. Lavo o meu rosto. Escovo os meus dentes. Tomo um café da manhã: café com leite, um pão com manteiga, mozarela e peito de peru e como uma maçã sem casca.

Vou para o quarto me arrumar. Coloco minha camisa social, minha calça e calço meus sapatos. Escovo meus dentes de novo. São 6h30 e estou saindo de casa. Estou descendo no elevador. Entro no meu carro e coloco a mão no meu bolso. Saio do meu carro. Estou subindo novamente, esqueci meus cigarros. Entrei em casa e peguei meus cigarros em cima da mesa. Pronto, estou dentro do carro novamente. Acendo um cigarro. Meu dia começou.

Estou no meu carro. Parei no primeiro semáforo. Um morador de rua veio me pedir comida, dinheiro ou sei lá mais o que. Só disse que não tenho por trás do vidro e mandei um sinal de positivo para ele. Olho para a rua e vejo uma mulher atravessando a rua, uma equipe de pessoas correndo pela rua, provavelmente por conta do crossfit que tem aqui perto e vários carros. Vários. E, dentro de cada um: pessoas. Várias.

Quantas pessoas, quanta diversidade. Como será que é a vida delas? Será que alguma delas acorda e não tem nenhuma mensagem no celular? Será que alguma não tomou café da manhã? Para onde será que elas estão indo? Todas indo trabalhar? Observo todas pela janela do meu carro enquanto o semáforo não abre. Por que será que o homem no carro ao lado está discutindo no celular? Seria o trabalho? A família? Ou, até, aquela ligação de banco chamando por um nome que não é o dele? Essas ligações realmente irritam.

Eu nunca me atentei a isso. Estou observando todos ao meu redor. Todos esperando o semáforo abrir. Todos com um problema pessoal. Todos com uma motivação para sair de casa 6h30 da manhã. Todos com dever para fazer durante o dia.

Estou me sentindo o personagem do James Stewart em Janela Indiscreta, observando todos ao meu redor. E, por ironia ou não, estou observando os outros pela minha janela e só enxergo o outro através da janela dele. Só me faltou a câmera que ele utilizava e estar com a perna machucada, mas o que estou fazendo é praticamente a mesma coisa.

Estou olhando para um carro agora, um Corolla cinza. Tem um homem dentro dele e está com um filho no banco de trás. Eles conversam e riem, mas eu vejo o carro se distanciando e, junto dele, os risos que pai e filho transmitiam. Logo me dei conta, o semáforo abriu e acelerei meu carro. Tenho deveres para cumprir hoje.

Como previamente dito: meu dia começou. Mas não só o meu, o de todos.

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Por Pedro Gallo – Fala! Mack

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