Crônica - Apesar das mudanças, a vida pode ser boa
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Crônica – Apesar das mudanças, a vida pode ser boa

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É estranho como a vida da gente pode mudar em questão de minutos. A minha levou exatos mil quatrocentos e quarenta minutos para virar de cabeça para baixo. Poderia ter sido mais uma terça-feira de março como as outras, mas, desde então, a vida não voltou ao que era. Nem voltará tão cedo.

Engana-se quem pensa que vejo toda essa mudança somente pelo lado negativo. Há alguns ganhos também. O tempo é um deles, por sinal. A valorização de cada segundo ao lado de quem ama, a admiração pelas fases do céu ao longo do dia e saber aproveitar da melhor maneira o tempo que a gente tem são algumas das conquistas. Aprendizados, com toda certeza.

No entanto, sou privilegiada. Tive o tempo de refletir sobre o assunto em um dos finais de semana em que não tive aulas da faculdade para assistir, ou textos do trabalho para revisar. Infelizmente, a realidade de muitos não é igual à minha. Enquanto alguns trabalham de segunda à sexta, outros labutam de domingo a domingo, sem descanso, para colocar a comida na mesa. As mil e uma realidades de um país, os vários “Brasis”.

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A vida pode ser boa, mesmo com várias mudanças. | Foto: Unsplash.

Quarentena é o nome que demos para essa nova vivência longe de tudo e todos. Nos primeiros dias desse isolamento social, não foi fácil aceitar o que estava acontecendo. Com o passar dos dias, as dores começaram a diminuir — não foram embora, mas são mais suportáveis. Os presentes que a vida nos dá, sem querer, acabam por ajudar nesse quesito.

O coronavírus tirou algumas coisas de mim. O que ele não esperava era que também fosse me presentear com tantas outras. Retornei à Sorocaba, onde cresci até os 18 anos, e comecei a ter uma rotina que muito se assemelha aos tempos da escola. Há pouco mais de ano, morava sozinha na cidade que não para, conhecida como São Paulo. Foram duas grandes mudanças em menos de um ano e meio.

Nessa situação, ganhei a oportunidade de viver 24h ao lado dos meus pais, assim como nos “velhos” tempos. As manias que sentia falta, as longas conversas pessoalmente e as sessões de cinema em casa retornaram — e como isso tem sido bom! Comi feijão com arroz como se fosse uma princesa, dancei e gargalhei como se ouvisse música, como nas sábias palavras de Chico.

Se antes eu achava que era favorecida, hoje, tenho a certeza disso. Ganhei tanto com essa quarentena que nem ouso reclamar. Saudade de São Paulo é inevitável, uma vez que a cidade pode oferecer tantas chances que nem seriam imaginadas. Os amigos, as palhaçadas e a correria fazem falta, sim. No entanto, como bons seres humanos que somos, nos adaptamos às nossas realidades. Talvez seja mais fácil porque penso que algumas coisas voltarão a ser o que foram um dia, aprendi a dar um passo de cada vez — estava mais do que na hora.

O que temos para hoje é a quarentena, o amanhã mesmo não temos ainda. Não adianta pensar no que faremos nos próximos dias, mas o que construiremos hoje. Mesmo em situações adversas, a vida pode ser boa.

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Por Isabela Cagliari – Redação Fala!

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