Crítica: O Homem do Norte (2022), novo filme sobre mitologia nórdica
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Crítica: O Homem do Norte (2022), novo filme sobre mitologia nórdica

Crítica: O Homem do Norte (2022), novo filme sobre mitologia nórdica

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Robert Eggers iniciou sua carreira cinematográfica com curtas-metragens, a partir do ano de 2007. Apesar disso, seu sucesso veio com o longa A Bruxa (2015) que, por sua vez, foi comprado e lançado pela distribuidora A24 após sua estreia no Festival de Sundance. O filme, em questão, mostrou que Robert exercia domínio e, ainda, autenticidade nas vertentes do horror, visto que, ao invés de sustos, ele preferia criar climas sinistros para deixar os espectadores curiosos e, ao mesmo tempo, incomodados. Sua técnica e seu sucesso prosseguiram com O Farol (2019), em que ele conseguiu criar ambientes perturbadores e, também, deixar claro uma de suas inspirações: o cinema expressionista alemão. Mas não foi o que aconteceu em O Homem do Norte.

Em O Homem do Norte (2022), no entanto, ele decidiu seguir um caminho distinto considerando o que se sobressaiu em suas duas outras grandes obras, isso porque, além de características do terror, Robert deu predominância ao gênero aventura no longa, devido a temática nórdica abordada em seu enredo.

O Homem do Norte
Filme O Homem do Norte. | Foto: Reprodução

O enredo de O Homem do Norte 

Baseado no livro Hamlet, de Shakespeare, o filme conta a história de Amleth (Alexander Skarsgård), príncipe que está perto de chegar a maioridade e, consequentemente, se tornar rei. Mas, antes mesmo disso acontecer, seu pai, Horvendill (Ethan Hawke), é assassinado pelo seu irmão Fjölnir (Claes Bang). Após isso, Amleth é perseguido pelos aliados de seu tio e, então, foge da ilha em que mora, jurando um dia voltar para vingar seu pai. Vinte anos depois, ele, agora um homem viking que sobrevive saqueando aldeias eslavas, conhece uma vidente (Björk) que, por sua vez, o lembra que chegou a hora de cumprir a promessa que fez há anos atrás: salvar sua mãe, matar seu tio e vingar seu pai. Então, o ex-príncipe se prepara para executar, enfim, o que havia tanto esperado.

A originalidade de Eggers e a cultura Viking lado-a-lado

Vikings
O enredo traz detalhes da cultura Viking. | Foto: Reprodução

Como dito anteriormente, Robert comanda o terror em seus longas de forma autêntica, o que torna sua marca autoral um destaque em meio aos demais filmes incluídos neste gênero. Desse modo, ele também consegue fazer com que o público reconheça sua técnica logo de “cara”. 

Em O Homem do Norte, essa marca ainda se faz presente, mas ela passa a ser conduzida de outra forma para que, assim, se equilibre com a cultura viking que é apresentada durante o longa. 

Mas, afinal, onde a marca de Eggers entra nesse contexto?

É possível enxergar a autoria de Robert nas ações dos personagens, principalmente nas de Amleth, que está sedento por vingança. Isso, portanto, se transparece na violência gerada por ele, em inúmeros contextos, no longa.

A atuação do ator Alexander Skarsgård é digna de menção, visto que ela consegue expressar o ódio de Amleth que, por consequência, carrega suspense e brutalidade junto aos cenários sanguinários e sombrios criados pelo diretor, o que também abrange referências aos vikings. Diante disso, os dois ângulos se entrelaçam, conseguindo, logo, expressar a identidade histórica necessária para trazer sentido ao filme e, também, a identidade cinematográfica de Eggers. Esses tópicos, notoriamente,  são retratados fielmente no aspecto visual e, também, nas ações dos personagens, que se refletem no roteiro.

A aplicação dos vikings em O Homem do Norte

Vikings
Vikings no filme O Homem do Norte. | Foto: Reprodução

Robert sempre mostrou grande contextualização histórica em seus filmes, como por exemplo em O Farol, em que ele baseou o filme na história de três faroleiros que sumiram do farol da ilha de Eilean Mór, na Escócia. Seguindo, então, de forma precisa, os fatos documentados sobre o ocorrido de 1900.

Em O Homem do Norte isso não é diferente, já que ele mostra amplo conhecimento e cuidado ao apresentar costumes, tradições e, até mesmo, trajes utilizados pelos Vikings no período entre 793 d.C. a 1066 d.C. Isso, em questão, é nítido nas cenas de violência que, além de carregar todos esses elementos, também carregam a autoria de Eggers.

A fotografia cuidadosa e seus dois viés

O Homem do Norte
A fotografia é um dos pontos de destaque do filme. | Foto: Reprodução

Ao mesmo tempo que a fotografia destaca atos e cenários brutais, ela também destaca a natureza, mostrando elementos medievais e paisagens da Irlanda do Norte, local onde o filme foi gravado.

Cada take parece ser minuciosamente pensado para capturar os detalhes do longa. Esse fator pode ser visto tanto no enfoque que é dado para as cenas de violências e atos sanguinários, quanto no enfoque dado no ambiente natural.

Os efeitos noturnos também são admiráveis, visto que, quando anoitece, há o uso frequente do preto e branco e, perto do amanhecer, as cores vão retomando seu lugar. Amleth coloca parte do seu plano de vingança em ação durante a noite, o que se associa a esse efeito,  visto que a junção desses aspectos traz um ar de suspense a essas cenas e, assim, faz com que eles funcionem bem como um único elemento de terror.

A relevância dos personagens coadjuvantes 

O Homem do Norte
Os personagens coadjuvantes são bem construídos. | Foto: Reprodução

Olga (Anya Taylor-Joy), a bruxa eslava (Björk) e Heimir (Willem Dafoe) não possuem tanto destaque quanto Amleth, mas ainda assim conseguem ter aparições bem produzidas. 

Anteriormente, Anya já trabalhou com Eggers protagonizando A Bruxa, filme que fez a estreia da atriz nas telonas. Como neste filme, a atuação dela em O Homem do Norte também merece destaque, visto que ela cai bem com o misticismo e o romance da trama, ganhando espaço pouco a pouco conforme o enredo avança. 

Vale a pena assistir?

O Homem do Norte entrega inovação e, ao mesmo tempo, uma cultura já retratada há muito tempo no entretenimento. A direção de Eggers faz toda a diferença para trazer esse efeito, visto que os caminhos que o filme toma são originais se comparados com a maioria de filmes sobre mitologia nórdica. A fotografia se interliga muito bem com esse fator e, ainda, mostra tudo o que o roteiro tem a oferecer de forma visual. Além disso, as atuações dão realce a esse conjunto, o que deixa o filme mais cativante antes mesmo de sua reviravolta. 

Robert, nitidamente, acertou mais uma vez. Mesmo que fora de sua zona de conforto, ele conseguiu provar que é capaz de exercer domínio em outros gêneros.

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Por Giovanna Pavan – Fala! Anhembi Morumbi 

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