Crítica: filme 'Batman' (ou, a vingança nunca é plena)
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Crítica: filme ‘Batman’ (ou, a vingança nunca é plena)

Crítica: filme ‘Batman’ (ou, a vingança nunca é plena)

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Mais um filme do Batman chegou! Depois de contar uma história tantas vezes é fácil cair no ostracismo. Mas o diretor Matt Reeves sabe com o que está lidando e nos dá uma maneira diferente de enxergar o homem morcego. O novo filme de Batman já é um verdadeiro sucesso. A seguir, confira uma análise crítica sobre a produção.

O novo Batman é interpretado por Robert Pattinson e traz novidades
O novo Batman é interpretado por Robert Pattinson e traz novidades. | Foto: Divulgação/Montagem.

Uma análise crítica de Batman

Para quem subestimou Robert Pattinson no papel de Bruce Wayne, com certeza estará mordendo a língua depois de assistir esse filme. Vemos um personagem muito mais psicologicamente atraente que seus inimigos. Carregado de traumas e arrastando uma nuvem de tormentos, Bruce Wayne nunca conseguiu lidar com a perda dos pais, por isso, se veste de morcego e espanca criminosos em estações de metrô.

Não é preciso pensar muito para entender que a ideia de um bilionário que sai pela noite transformando a cara de bandidos em mingau é no mínimo absurda e que essas ações trariam consequências.

O diretor está o tempo todo nos lembrando que o Batman não é um ser onipotente, como já foi muitas vezes representado em outras mídias, estando sempre um passo à frente de todos. Quando nos é apresentada uma cena do nosso protagonista mostrando o quanto ele é superior aos seus inimigos, Matt Reeves nos puxa de volta para a realidade com algo que dá errado. Afinal, o Batman é apenas um ser humano movendo-se com passos firmes e de poucas palavras.

Charada, vilão do filme 'O Batman'
Charada, vilão do filme ‘O Batman’. | Foto: Divulgação.

O vilão principal da trama, Charada (Paul Dano), tem inteligência e habilidade tecnológica para fazer estragos, eliminando criminosos do colarinho branco. Um adversário que vai testando o psicológico de Bruce, tornando-se um personagem totalmente plausível no mundo real, ainda mais com o impacto que a internet e teorias da conspiração tem na vida das pessoas, capaz de reunir grupos com visões distorcidas.

É isso que esses dois tem em comum, ambos querem salvar Gotham, ambos têm sua maneira de enxergar o mundo. Mas, na verdade, são dois seres obcecados pelo seu oficio que perderam a noção da realidade. Talvez isso que tenha chamado mais atenção nesse filme.

É impossível não comparar com a trilogia do diretor Christopher Nolan, mas seria injusto até, pois ainda temos um terreno pouco explorado, apesar de complexo. Ouso dizer que esse Batman é tão realista quanto o de Nolan. Pois, mesmo que a proposta dos filmes fosse de imaginar como o Batman seria no mundo real, só tínhamos uma perspectiva do playboy Bruce Wayne. Neste filme temos uma visão de como as pessoas enxergam o vigilante. Para todos, incluindo policiais e marginais, ele é apenas um esquisito. Não muito diferente do Charada.

Destaque para a Mulher-gato (Zoë Kravitz) que não é uma sedutora caricata igual suas representações antigas e sim uma sobrevivente e lutadora habilidosa, com forte senso do que é certo. Tendo excelente química com o protagonista.

E o irreconhecível Colin Farrell, encarnado o futuro vilão Pinguim, que nos presenteia com uma das melhores cenas de perseguição dos filmes do morcego, com um Batmóvel que parece ter saído direto de Mad Max.

Fica clara as influências do diretor aos filmes de Zodíaco (2007) e Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), algumas vezes se tornado pedante até.

Tem tudo que você espera de um filme do cavaleiro das trevas, só que com um clima de investigação mais presente do que nos outros longas e com uma nova maneira de interpretar o personagem que não havia sido abordada antes. Um pouco anticlimático por causa dessa maldição que alguns trailers tem de mostrar as principais cenas dos filmes.

E no final vemos o peso da responsabilidade que o Batman carrega, sendo uma das inspirações para o Charada ter cometido tantas atrocidades. Mesmo sabendo que não conseguirá resolver os problemas de Gotham com os próprios punhos, ele continua tentando, percebendo que não precisa ser a vingança encarnada para as pessoas e sim a esperança na vida delas de que algum dia o mundo se tornará um lugar melhor.

Existem duas cenas muito específicas que certamente servem de gancho para os próximos filmes e deixaram uma pulga atrás da orelha de muita gente. Além disso, se você for ao cinema e ficar até o final, poderá pesquisar o site que aparece no pós-créditos, é uma experiência bastante inovadora.

Por fim, um bom Batman, com um filme mais que merecido.

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Por Matheus Cosmo – Fala! FIAM FAAM

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