Coronavírus: A situação dos trabalhadores das praias cariocas
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Coronavírus: A situação dos trabalhadores das praias cariocas

Coronavírus: A situação dos trabalhadores das praias cariocas

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No estado do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas trabalham informalmente, segundo dados apresentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre essas estão os trabalhadores das praias cariocas

Em meio a uma crise que tem afetado tantos setores, devido à chegada do novo Covid-19, com eles não têm sido diferente. Esses profissionais que já enfrentavam diversos obstáculos em seu dia a dia, como a dependência do tempo ensolarado para conseguir vender seus produtos, agora, sofrem com mais um desafio: o coronavírus.

trabalhadores enfrentam o coronavírus
Trabalhadores das praias enfrentam novo obstáculo, o coronavírus. | Foto: Reprodução.

Desde o dia 24 de março , o prefeito Marcelo Crivella estabeleceu que todos os comércios não essenciais deveriam ser fechados e as transições de pessoas nas ruas precisariam ser evitadas, mantendo o máximo possível o isolamento social. A partir desse momento, os trabalhadores das praias cariocas ficaram impedidos de dar continuidade às suas atividades e tiveram que se recolher em suas casas. 

Cláudia Santos, moradora do Morro do Cantagalo, trabalha na praia a mais de 30 anos. Atualmente, ela tem sua própria barraca, que se chama Barraca da Cláudia, localizada na praia de Ipanema, posto 8. Ela conta que ao receber a notícia de que não poderia mais trabalhar devido a essa pandemia, ficou aflita, pois o único meio de renda que tem é a venda dos seus produtos na praia.

Mesmo em meio a essa dificuldade, alguns clientes entraram em contato com ela e deram uma contribuição financeira e, com essa, ela conseguiu ajudar outras pessoas de sua comunidade.

Está sendo muito complicado para a gente, porque eu não tenho renda nenhuma, a única que tenho é essa que retiro através do meu trabalho na praia, mas não estou podendo exercer minha função nesse momento. A minha filha conseguiu uma bolsa na faculdade e eu iria pagar com o dinheiro do meu trabalho, mas agora como posso ajudá-la?

Diz Cláudia

Uma das pessoas que Claudia tem ajudado é o seu funcionário Petherson Ribeiro. Nascido no município de Itatiaia (RJ), nunca havia conhecido a região central do Rio. Por esse motivo, no Réveillon de 2019, ele decidiu assistir à queima de fogos em Copacabana. Ao chegar, diz ter ficado apaixonado pelo lugar. Então, começou a procurar emprego para poder ficar um pouco mais.

Foi quando conheceu a Claudia e perguntou se ela tinha alguma vaga de trabalho em sua barraca, ela disse que sim e pediu que ele retornasse no dia seguinte. A partir dessa oportunidade, Petherson, com a ajuda de sua chefe, conseguiu alugar uma casa no Morro do Cantagalo. Ele diz ser muito grato, pois ela o acolheu e desde então tem lhe ajudado, mesmo diante dessa situação tão delicada.

O que eu comer você vai comer e o que eu beber você vai beber.

Diz Cláudia a seu funcionário Petherson 

Naildes Xavier, 42 anos, atualmente, moradora do Morro do Cantagalo, começou a trabalhar desde os 15 anos,  na praia de Piatã , Salvador (Ba), onde nasceu. Há 15 anos ela decidiu se mudar, junto com os seus 4 filhos, para o Rio de Janeiro, com o intuito de encontrar novas oportunidades.

Ao chegar, começou a trabalhar na praia vendendo queijo coalho e castanhas, do posto 10 do Leblon até o 8 de Ipanema. Porém, percebendo que havia muita concorrência, decidiu apostar em outro empreendimento, então, começou a vender quentinhas para os seus amigos que têm barracas nas praias e para os clientes desses. Ela diz que antes da quarentena vendia cerca de 50 quentinhas por dia, mas, hoje, consegue vender apenas 5. 

Alguns poucos clientes ainda continuam encomendando quentinhas e é desse jeito que estou me virando nessa quarenta.

Diz Naildes

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Por Allana Monteiro – Fala! UFRJ

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