Contas no Twitter viram plataformas para mulheres exporem assediadores
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Contas no Twitter viram plataformas para mulheres exporem assediadores

Contas no Twitter viram plataformas para mulheres exporem assediadores

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Mulheres, em sua maioria jovens, estão usando contas do Twitter para denunciar abusos sexuais e assédios que sofreram de amigos, colegas e até professores de forma anônima.

“Em uma resenha, fiquei muito bêbada, acabei apagando e um menino me estuprou”. “Hoje faço terapia porque desenvolvi estresse pós-traumático por conta de todo abuso e manipulação emocional”. “Estávamos na cama e ele simplesmente enfiou do nada, sem camisinha”.

Esses são apenas alguns relatos de jovens do Rio de Janeiro que passaram por aquilo que nenhuma mulher deveria passar. Foram casos emocionantes, revoltantes e assustadores de assédio e abusos sexuais praticados por homens, em geral, próximos delas.

Mulheres expõem assediadores no Twitter
Mulheres expõem assediadores no Twitter. | Foto: Reprodução.

Mulheres expõem assediadores no Twitter

Felizmente, essas mulheres conseguem, hoje, expor seus algozes de forma anônima por meio de contas no Twitter, como Mais uma vítima, Exposedzsul e ExposedZonaNorte. Essas plataformas, criadas no fim de maio e começo de junho, tinham juntas, dois dias depois de suas criações, mais de 5 mil seguidores na rede social.

Uma dessas contas, a ExposedZonaNorte se propôs a denunciar os casos dessa área da cidade do Rio, com a maioria das acusações na Grande Tijuca. Segundo o criador da página, no seu primeiro dia de funcionamento, a página recebeu mais de 50 depoimentos de jovens que “imploraram para não ser expostas, que morrem de medo”.

O medo também foi o motivo pelo qual a página foi desativada na madrugada do dia 4 de junho. A nota oficial dizia: “Muitos abusadores não se sentem confortáveis com a proporção que a página acabou tomando e o risco de levarmos um processo judicial é bem grande”. As exposições da intimidade sexual dos supostos assediadores poderiam se enquadrar no Art. 218 do Cod. Penal Brasileiro e levaria os donos da página a uma reclusão de 1 a 5 anos, além de multa.

Na seção do comentário desse aviso, porém, o que se vê são agradecimentos de vítimas e amigos, além de admiradores do trabalho da página e pedidos para que o serviço continue.

Para a jovem Amanda Viegas, o anonimato que a página proporcionava era importante para a segurança física, verbal e psicológica das acusadoras. Ela, que sofreu na pele um relacionamento abusivo, conhecia diversas jovens que contaram sua história nessas plataformas e apoiava firmemente as contas. Contas essas que, para ela, permitiam que mulheres assediadas falassem sobre assuntos muito difíceis, tanto para elas quanto para a sociedade em geral, protegendo sua imagem e, ao mesmo tempo, dando o espaço para não se calarem frente ao abuso.

A boa notícia é que, segundo o administrador da ExposedZonaNorte, os acusados, em sua maioria, estão dispostos a assumirem seus erros e melhorarem suas atitudes no futuro. Um dos acusados confirma: “Pedi desculpas publicamente porque a página não podia mandar para cada garota e imagino como deve ser difícil se abrir daquela forma”. Apesar da maioria, a conta até teve que lidar com alguns casos de raiva por parte dos supostos abusadores, mas eles foram “logo cancelados”, ou seja, “boicotados” virtualmente. 

Acima de tudo, o que deve ficar de lição dessa explosão de denúncias via Twitter é que, não importa quanto tempo tenha se passado, qual foi agressão ou o quão próximo é o assediador, a denúncia é a maior arma das mulheres contra o perigo que vem do lado, do amigo, do professor.

Essas jovens corajosas mostraram que a força da mulher não vem da idade ou da situação. Ela vem tanto de dentro, ao reunir a bravura de expor seus traumas, quanto de fora, de uma comunidade feminina unida, disposta a ouvir e apoiar umas às outras.

Todas as contas mencionadas nessa matéria podem ser tiradas do ar, todos os administradores podem sofrer consequências e podem tentar calá-las. Mas não vão conseguir. 

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Por Camila Sant’Anna – Fala! UFRJ

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