As premiações individuais mais injustas do futebol
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As premiações individuais mais injustas do futebol

As premiações individuais mais injustas do futebol

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Já virou clichê falar que futebol e justiça nem sempre caminham lado a lado e, quando se fala em premiações individuais, isso fica bem claro.

Assim, Arsené Wenger, ex-treinador do Arsenal, um dos maiores times da Inglaterra, já declarou em entrevista ao canal de televisão francês Téléfoot que não é grande fã dessas premiações e que as considera “obsessões ridículas”.

Seja como for, há muitos que valorizam bastante esses prêmios e consideram que algumas das nomeações dos últimos anos cometeram certas injustiças.

Veja as premiações individuais mais injustas do futebol:

Franck Ribéry, pelo Bayern München – Melhor do Mundo (Bola de Ouro) de 2013

“Para mim, a Bola de Ouro de 2013 foi um roubo”. Com essas palavras, o já experiente Franck Ribéry se referiu, em entrevista ao Canal+, da França, à premiação entregue pela revista France Football ema parceria com a FIFA. 

O atual jogador da Fiorentina teve um ano mágico vestindo a camisa do Gigante da Baviera, o Bayern München. O francês levantou todos os troféus possíveis pelo seu clube, inclusive a tão desejada Champions League 2012/13. Ribéry foi a grande estrela da companhia bávara comandada por Josef “Jupp” Heynckers.

Somando todas as competições, Franck teve 34 participações em gols do Bayern, tendo atuado em 43 partidas na temporada 2012/13. Sob a batuta de Pep Guardiola, no segundo semestre de 2013, foram 15 contribuições em 13 jogos vestindo a camisa 7 do maior campeão da Bundesliga, somando 29 títulos. Para além da incrível marca de 0,87 participação em gols por jogo no ano, Ribéry foi extremamente desequilibrante nos jogos da Champions, contribuindo com um gol e cinco assistências.

Atuando com muita velocidade, dribles e verticalidade pela faixa esquerda na conquista da orelhuda e, muitas vezes, como falso nove sob o comando de Pep Guardiola, Ribéry recebeu merecidamente o prêmio Melhor Jogador da UEFA na Europa. E essa premiação dada pela entidade máxima do futebol no Velho Continente põe em contradição a Bola de Ouro entregue ao craque português Cristiano Ronaldo. Nesse ano, a hegemonia Messi-Cristiano Ronaldo deveria ter sido quebrada pelo Scarface.

Mohamed Salah, pelo Liverpool – Melhor do Mundo (FIFA The Best) de 2018

A dupla foi barrada apenas em 2018 pelo croata Luka Modric, vice-campeão da Copa do Mundo em solo russo. O favorito, porém, atendia por outro nome. O egípcio Mohamed Salah do Liverpool tinha muitos argumentos para acreditar que seria o escolhido, tendo marcado 32 gols em 36 jogos vestindo a camisa dos Reds na temporada 2017/18 da Premier League, com média de um gol a cada 91 minutos em campo.

Além dos gols, Mo Salah assistiu seus companheiros em outras 10 oportunidades na liga. Participando, ao todo, de 42 dos 84 gols marcados, o que correspondeu a 50% dos tentos do time da terra dos Beatles.

E quem pensa que para por aí, se engana, pois o camisa 11 vivenciou noites mágicas na Champions League 2017/18. Salah foi às redes em 10 oportunidades nos 11 jogos que disputou, com direito a dois gols e duas assistências no jogo de ida das semifinais contra a Roma, sua antiga equipe. A atuação do faraó de Liverpool recebeu nota 10 do aplicativo SofaScore.

No entanto, não foi só o coliseu que ficou em ruínas com o ano que viveu o extremo direito. Até porque o bom desempenho foi mantido durante o segundo semestre, como a estatística de uma participação em gol por partida na PL deixa claro. Drible, velocidade e objetividade, esses são os predicados do camisa 10 e principal estrela da seleção egípcia que disputou a Copa do Mundo.

A escolha de Luka Modric como Melhor do Mundo pegou de surpresa a todos, pois a expectativa geral era de que o prêmio seria entregue ao craque do Liverpool. A bela Copa e o título da UCL foram fundamentais para o croata ter sido o eleito, mas a sensação foi de que o africano fez mais do que suficiente para ter sido aquele a levantar o agora repaginado troféu. Mais significativo, porém, foi sua influência na queda das taxas de crimes de ódios e islamofobia nas redes sociais praticados por fãs de futebol no Reino Unido, segundo pesquisa do Immigration Policy Lab, como bem reporta o site Trivela.

Moisés, pelo Palmeiras – Craque do Brasileirão 2016

Para não falar que o certame nacional ficou de fora, aqui vem ele. Moisés, o articulador, ladrão de bolas e referência no meio do campeão brasileiro, fez um campeonato brilhante ao lado de Tchê Tchê. O Palmeiras de Cuca contou com o jogador em 34 jogos daquela edição do nacional, atuando como meia armador e segundo volante com liberdade para criar e reger o jogo. O jogador comprado junto ao HNK Rijeka, da Croácia, por 1 milhão de euros se provou uma contratação certeira da diretoria palmeirense.

Heatmap do SofaScore. | Foto: Reprodução.
Heatmap do SofaScore. | Foto: Reprodução.

Na campanha vitoriosa no Campeonato Brasileiro, Moisés foi um dos jogadores palestrinos com mais finalizações certas ao mesmo tempo em que foi o maior ladrão de bola do time alviverde, com 73 desarmes, segundo o Footstats, com uma média superior a 2 desarmes por jogo.

Além dos três gols, Moisés deu uma média de 1,1 passes decisivos por partida, de acordo com o SofaScore, que resultaram em duas assistências. A tentativa em dar passes mais arriscados faz parte da explicação para uma eficiência de apenas 76% dos passes, que não é propriamente destacável.

Todas essas estatísticas, entretanto, não traduzem a importância que o meia teve para o time de Cuca. Talvez, o melhor modo de expor sua quase onipresença nos momentos tanto ofensivo quanto defensivo seja o mapa de calor. Bem distribuído em todas as regiões da faixa central do campo, o heatmap não deixa dúvidas de que Moisés foi peça fundamental formando uma polivalente dupla de todo-campistas com Tchê Tchê, caindo com facilidade por ambos os lados. O azar de Moisés é que, na mesma época, estava surgindo o garoto Gabriel Jesus, eleito o craque, em parte, pelo hype que gerou com a imprensa, que já pensava em Seleção.

Foto: Reprodução/Liverpool.
Foto: Reprodução/Liverpool.

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Por Carlos Vinícius Magalhães – Fala! UFRJ

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