Abril Azul: Mês de conscientização sobre o autismo 
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Abril Azul: Mês de conscientização sobre o autismo 

Abril Azul: Mês de conscientização sobre o autismo 

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A Campanha de conscientização ao Autismo foi criada no dia 02 de Abril de 2007, a fim de ampliar o conhecimento sobre o tema e reduzir o estigma em torno da condição. Mais de 70 milhões de pessoas são portadores de autismo, o que corresponde a cerca de 1% da população mundial, de acordo com a (ONU) Organização das Nações Unidas.

Ainda segundo a ONU, uma a cada 160 crianças é diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O transtorno tem causa neurobiológica, acarretando alterações em alguns aspectos da vida do indivíduo. O TEA pode ser diagnosticado ainda na infância e a tendência é que permaneça  na adolescência e na fase adulta. Sendo assim, crianças autistas precisam receber acompanhamento médico precocemente, já que, neste período da vida, o tratamento com multiprofissionais promove resultados significativos. 

Autismo
Abril é considerado o mês de conscientização sobre o autismo. | Foto: Reprodução

Sinais de autismo 

Os primeiros sinais que pais e responsáveis devem ficar atentos são os chamados “marcos do desenvolvimento”. Por exemplo: com até um ano, a criança olha para os pais quando é chamada pelo nome, se fala algumas palavras com significado que as pessoas que estão ao seu redor compreendam. Especialmente se a criança tinha alguma habilidade que deixou de apresentar, como por exemplo: batia palminhas e depois parou, falava tchau e depois não mais. Sempre procurando profissionais que tenham conhecimento no assunto para auxiliar no processo de pesquisa sobre um possível diagnóstico.

No Mês da Conscientização sobre o Autismo, entrevistamos a psicóloga Michelly Oliveira Brandão, especialista em Educação Especial com ênfase em deficiência e também a psicóloga Francine Zamberlan Garcia Ferreira, especialista em Saúde mental. 

Autismo
Francine Zamberlan. | Foto/ Reprodução: Acervo Pessoal
Michelly Oliveira
Foto/ Reprodução: Acervo Pessoal

Em entrevista ao Fala! Universidades, a psicóloga Michelly falou sobre o transtorno e as dificuldades enfrentadas pelas famílias que convivem com essa situação, dando dicas de como identificar os sinais do problema em uma criança. De acordo com a psicóloga, para ser classificado como Transtorno do Espectro autista (TEA), é necessário apresentar déficit persistente na área da comunicação, da interação e da socialização.

“Do autismo a gente precisa entender que os sinais são individuais, cada criança vai apresentar de uma forma diferente. Existem crianças em específico que dão sinais de autismo, antes dos 12 meses de vida. A luta é para que o diagnóstico seja precoce!”

Sinais antes dos 12 meses de vida

  • Desatenção aos chamados;
  • Não estende os braços para pedir colo;
  • Falta de contato visual;
  • Não interage com pessoas ao se redor.

Sinais de autismo até os 16 meses de vida

  • Não procura com o olhar quando é chamada pelo nome;
  • Dificuldade em demonstrar desejo sobre algo;
  • Não gosta de ser tocado;
  • Andar nas pontas dos pés.

Sinais a partir de 17 meses

  • Sensibilidade auditiva;
  • Estereotipias motoras;
  • Sensibilidade a textura;
  • Selecionar brinquedos por cores;
  • Hiperfoco em aprender.

De acordo com a psicóloga Francine Zamberlan, não existem marcadores biológicos específicos ainda para se fechar um diagnóstico de autismo, como no caso da Síndrome de Down (por exemplo) em que há uma trissomia no cromossomo 21. 

“Hoje já se sabe que existem diversos genes envolvidos nesse processo, mas não especificamente há somente uma combinação genética a ser encontrada para que se “bata o martelo” sobre ser autismo ou não.”, relata a psicóloga.

Sempre é preciso examinar outras questões biológicas (exames de audição, por exemplo podem ser pedidos pelo médico) enquanto se faz uma pesquisa clínica, ou seja, o médico e os profissionais capacitados irão observar comportamento, interação com o ambiente, fatores contextuais e também os biológicos para poderem, em conjunto, chegar a um diagnóstico. Diagnóstico esse que pode e até deve, vir antes dos 24 meses para que se comecem as intervenções precoces. No entanto, não significa que esse diagnóstico não possa ser refutado dentro de algum tempo, principalmente por se tratar de uma criança ou até mesmo bebê em fase de desenvolvimento. Mas o que não se pode é esperar esse diagnóstico e só então começar com intervenções.

As chamadas intervenções precoces são extremamente importantes porque, não são precoces no sentido de serem cedo, mas porque são extremamente importantes para melhorarem o desenvolvimento de habilidades de uma maneira mais específica e cuidadosa, voltada para as necessidades que a criança estiver apresentando e, com isso, proporcionar mais qualidade de vida também a família inteira envolvida, pois, saberão inclusive como lidar melhor com os desafios que estejam vivendo ou estiverem por viver.

Mãe de autista: Naira Cristina

Naira Cristina
Naira Cristina é mãe de Enzo Gabriel, diagnosticado com autismo. | Foto/ Reprodução: Acervo Pessoal

Além de entrevistarmos duas profissionais da área, conversamos também com Naira Cristina Pereira Rodrigues, mãe do Enzo Gabriel, que foi diagnosticado com autismo ainda na infância. Segundo a mãe, a criança começou a ter regressão na fala, quando tinha dois anos de idade.

“Por exemplo, falava ‘mamãe’ e quando aprendia uma nova palavra ele já não falava mais como falava antes. Eu não entendia muito bem sobre o que poderia ser, levei ele em alguns médicos que me orientavam a esperar um pouco mais, pois cada criança tem seu tempo certo de desenvolvimento e, até os 3 anos de idade ele, iria desenvolver mais. Aguardei até um certo tempo e antes mesmo dos 3 anos eu resolvi levá-lo em uma fonoaudióloga. Ela o acompanhou por um ano e no final me deu um relatório supondo que ele teria o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na hora, foi como se o mundo tivesse desabado. Eu não queria aceitar isso, não sabia nem por onde começar. Ela encaminhou ele pro neurologista e solicitou um exame de audição chamado BERA. Na consulta com o neuro, ele solicitou uma tomografia. O Enzo era muito nervoso, agitado e eu não sabia lidar com isso, pra mim foi a parte mais difícil. O exame de audição deu resultado normal, a tomografia deu alterada, foi quando o neuro solicitou uma Ressonância e pediu uma avaliação da APAE. Lá, mesmo sem o diagnóstico, eles acompanharam ele por um mês. A ressonância também deu alterada. E os profissionais da APAE fizeram outro relatório dizendo que também tinham a suspeita do TEA. E foi através desse relatório que o neurologista fechou o diagnóstico e me deu o laudo. Entre todo esse processo eu já estava me preparando para a aceitação. Na verdade, eu tinha era medo. Como era algo novo pra mim eu não sabia como lidar. Fomos muito bem acolhidos por todos os profissionais. Na APAE, eu consegui o suporte que ele precisava. Meu filho hoje, apesar de ainda ter a limitação na fala, ele é muito tranquilo, desenvolveu bastante, não tem muita dependência. Interage bem (da maneira dele), não faz uso de nenhuma medicação, frequenta o ensino regular, tem professora de apoio e 2x na semana frequenta a sala de recursos na escola mesmo com uma professora especializada”, relata a mãe da criança.

O tratamento do TEA envolve medidas multidisciplinares, isto é, conta com o apoio de diversos profissionais, como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, pedagogos e professores. Assim, vamos falar sobre estas terapias, explicando sobre como podem ser benéficas para os autistas,

Perante a lei, a pessoa autista possui os mesmos direitos que qualquer outra pessoa com deficiência, direito este conquistado há anos através da Lei nº 13.146/2015, que entrou em vigor no dia 02 de janeiro daquele ano (2015). A Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Mas, sendo ainda mais direta sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista), existe a lei Berenice Piana, Lei 12764/12 que trata especificamente sobre as pessoas autistas.

É garantido por lei o acesso da criança autista ao ensino regular, ou seja, em escola de ensino regular e, por exemplo, caso seja necessário (mediante orientação dos profissionais de saúde que tratam a criança, e mais especificamente, de uma solicitação/documento do médico que a acompanha), será benéfico para a criança que ela tenha um acompanhante terapêutico. Esse profissional (AT) que pode acompanhar o/a autista no período escolar, auxiliará (com a devida formação e conhecimentos para exercer esta função) no processo de aprendizagem e na mediação da interação do aluno com os colegas e professores, para que esse convívio gere benefícios – inclusive – sociais para todos do ambiente escolar. 

A lei Berenice Piana (12764/12) também postula a esse respeito. Existem casos, por exemplo, em que o aluno autista pode frequentar escola de ensino não regular, mas esses casos devem ser exceções, sendo constantemente avaliadas em termos de parâmetros de aprendizagem adquirida por esse/a aluno/a e ainda, principalmente, essa é uma decisão única e exclusivamente da família do/a autista, pensada em conjunto com a equipe terapêutica envolvida no tratamento, lembrando que esses casos são exceções, pois, a inclusão em escola regular é benéfica em diversos aspectos não somente para o autista mas para toda a sociedade da qual ele/a também é pertencente.

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Por Ana Flávia Moreira – Fala! Universidade Cruzeiro do Sul 

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