'A Sangue Frio', a realidade de um assassinato - leia sua resenha
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‘A Sangue Frio’, a realidade de um assassinato – leia sua resenha

‘A Sangue Frio’, a realidade de um assassinato – leia sua resenha

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​Escrito pelo renomado autor Truman Capote, o romance de não-ficção A Sangue Frio foi considerado uma das obras mais importantes do Jornalismo e uma das precursoras do New Journalism. Dividida em quatro partes, a reportagem foi revelada pela revista The New Yorker, em 1965, mas somente no ano seguinte foi publicada em formato de livro.

A edição é composta por 432 páginas, nas quais Truman conta detalhadamente a história de quatro membros da família Clutter que foram brutalmente assassinados na cidade de Holcomb, interior do Kansas, Estados Unidos. Sem o paradeiro dos assassinos e sem pistas, o crime instigou Capote, que procurou saber mais sobre o caso. O escritor conversou com os familiares das vítimas, teve acesso aos documentos oficiais do crime e acompanhou todo o andamento da tragédia.

a sangue frio
Livro A Sangue Frio. | Foto: Reprodução.

A Sangue Frio – leia a resenha do livro

Ao longo da obra, Truman nos mostra que a família Clutter era extremamente respeitada e que ninguém imaginava o porquê de alguém fazer mal a eles. Ao mesmo tempo, o autor faz uso de flashbacks para o leitor entender o que levou os assassinos Perry Smith e Richard Hickock (“Dick”) a cometerem o ato de tamanha crueldade. Esse vai e volta torna o livro extremamente envolvente, já que o leitor vai desvendando o assassinato de forma clara e gradual.

Por meio de detalhes minuciosos, o escritor mostra tudo o que ocorreu, desde quando surgiu a ideia do crime até o enforcamento dos culpados. Além de narrar a catástrofe, Truman tenta aproximar as personagens do leitor, gerando sentimentos negativos, como o repúdio pelos assassinos, mas também positivos, como a empatia pela família Clutter.

A provocante leitura ressalta as diversas perspectivas do caso. Uma delas é a do detetive Alvin Dewey, a personagem com quem o leitor mais se identifica ao longo da obra. Junto com Dewey, nós sentimos a angústia gerada pelo caso mal resolvido e o desejo de descobrir os motivos que levaram alguém a cometer um ato de tamanha crueldade.

Porém, como um bom jornalista, Capote não poderia se limitar à versão das vítimas. O autor também contou a história do ponto de vista de Perry Smith e de Dick, tornando a trama ainda mais cativante. Truman não somente descreveu detalhadamente as características dos assassinos, mas fez o leitor querer saber mais sobre essas enigmáticas personalidades.

Por fim, a edição relata a execução dos dois homens culpados e os cinco anos que eles passaram no corredor da morte. Seguramente, esse é um dos trechos mais pesados da obra, visto que aborda temas extremamente sensíveis, como o sistema carcerário e a pena de morte. Apesar disso, é interessante o fato de Truman poder acompanhar até mesmo o enforcamento de Perry Smith, com quem o autor desenvolveu certo relacionamento.

O livro-reportagem narra um acontecimento real, e os detalhes descritos por Truman são cruciais para estimular a leitura. O autor expõe os fatos sem defender algum lado da história, fazendo com que o leitor fique instigado a solucionar o crime. A escrita rica e revolucionária de Truman não só conta, mas emociona o leitor. Um marco na literatura e no jornalismo, A Sangue Frio é fascinante e deve ser lido por todo amante de um bom livro, principalmente aqueles interessados em investigação criminal.

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Por Letícia Felix – Fala! Cásper

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