A crise de 1929 e a consequente moda do saco de farinha
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A crise de 1929 e a consequente moda do saco de farinha

A crise de 1929 e a consequente moda do saco de farinha

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Logo depois da Primeira Guerra Mundial, nos anos 20, os Estados Unidos viveram uma época de prosperidade. O consumismo era moda e a produção de bens de consumo acontecia a todo vapor. Mas, quando tudo o que parecia ir bem desmoronou, a crise de 1929 derrubou os EUA e, com eles, o resto do mundo. 

crise de 1929
A moda dos anos 30 e a Grande Depressão. | Foto: Reprodução/The Baroness’ Tea Club.

O universo fashion sempre refletiu a sociedade e nesse caso não foi diferente. A moda da década de 30 espelhou perfeitamente o momento delicado pelo qual o mundo estava passando. Por isso, analisá-la é o mesmo que entender as urgências e inspirações trazidas pela crise.

O que foi a crise de 1929?

Após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos passaram por um período de ouro. As indústrias produziam sem parar, as pessoas compravam até não poder mais e grande parte da população, dos mais ricos até os mais pobres, investiam na bolsa de valores. 

Na época, o país tornou-se responsável por 42% da produção mundial de mercadorias e o que mais emprestava dinheiro para os países europeus que estavam se reconstruindo. Além disso, os Estados Unidos eram responsáveis pela compra de 40% das matérias-primas comercializadas pelos 15 maiores países comercializadores da época.

A quebra da bolsa de Nova Iorque

Acontece que, naquele tempo, os investimentos na bolsa eram baseados em especulação, ou seja, as pessoas compravam ações quando estavam baratas e vendiam quando estavam caras, não eram feitos investimentos de longo prazo, pensando no desenvolvimento do país. 

Além disso, os salários não acompanhavam o alto volume de produção das indústrias e essa produção começou a ultrapassar o poder de compra da população. Então, nem o mercado nacional, nem o internacional, conseguiu dar conta da quantidade de mercadoria fabricada. Por isso, as ações das empresas começaram a cair.

Mas ninguém esperava o que viria em seguida. No dia 24 de outubro de 1929, mais de 12 milhões de pessoas resolveram vender suas ações, com o tempo, os preços caíram significativamente, bilhões de dólares desapareceram, os Estados Unidos quebraram e o resto do mundo sentiu as consequências.

Como a crise afetou a moda da década de 30?

Foi nesse clima de economia falida que a moda teve que se reinventar. As mesmas pessoas que antes gastavam sem se preocupar, agora tinham que acostumar-se a viver com o mínimo. Os Estados Unidos foram do céu ao fundo do poço e o universo fashion teve o dever de abraçar esse marco.

Simplicidade e elegância

Quando os milionários ficaram pobres, milhões de pessoas perderam os empregos e diversas empresas declararam falência, a moda adotou a simplicidade. Além disso, o natural e o harmonioso tornaram-se exigências marcantes da época.

Diferente dos anos 20, a década de 30 chegou ressaltando as curvas femininas com modelos mais marcados. Os vestidos eram justos, retos e elegantes, sem muita ousadia. Os trajes da noite característicos dos anos 30 tinham decotes profundos nas costas e tecidos mais baratos eram priorizados.

Moda do saco de farinha

Foi assim que os sacos de farinha surgiram como opção para os guarda-roupas da crise. O DIY (faça você mesmo) virou febre por pura necessidade. As pessoas mais pobres não podiam mais se dar ao luxo de comprar roupas, por isso faziam o que estava ao seu alcance.

Foi assim que essas pessoas começaram a reutilizar os sacos de farinha que eram feitos de algodão. As mães esvaziavam os sacos e utilizavam o pano para fazer roupas para os filhos e para elas. Ainda, esse mesmo material podia ser encontrado em bolsas, cortinas, toalhas e colchas, até em brinquedos.

Quando descobriram isso, os fabricantes começaram a fazer os sacos com estampas diferentes, a fim de que as roupas fossem mais atraentes. E isso deu tão certo que os fabricantes passaram a se preocupar com as informações que iam impressas na embalagem, já que da forma como elas eram impressas até aquele momento impedia o produto de ser usado em sua totalidade. Então, começaram a escrevê-las em etiquetas de papel ou com tinta apagável.

Moda
Moda do saco de farinha. | Foto: Reprodução/Stylo Urbano. 

Com a aproximação da Segunda Guerra Mundial no final dos anos 30, as roupas começaram a apresentar inclinação militar. Esse foi o sinal de que a moda já se preparava para enfrentar mais um grande marco histórico mundial, ainda pior do que a crise de 1929.

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Por Bianca Sousa – Fala! Faculdade Paulista de Comunicação

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