Após o assassinato do americano George Floyd por um policial branco em Minneapolis, no estado de Minnesota (EUA), protestos antirracistas aos gritos de Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) reúnem aqueles que querem dar um basta a este problema social instaurado. Diante disso, podemos lembrar de muitos ícones na luta a favor dos direitos da população negra. Um deles é Rosa Louise McCauley, mais conhecida como Rosa Parks (04/02/1913 – 24/10/2005).

A costureira, nascida em Tuskegee, no estado do Alabama, recusou-se a ceder seu assento a um branco no ônibus que tomava todos os dias para ir e voltar do trabalho. O episódio ocorreu em Montgomery, no mesmo estado, em 01/12/1955.
Mesmo estando na sessão destinada a “pessoas de cor”, segundo o livro Rosa Parks: A Biography, de Joyce A. Hanson, se um branco ficasse em pé no veículo, era obrigatório que um negro levantasse. Porém, Rosa não o fez. Ela foi levada à delegacia e liberada no mesmo dia, após pagar uma fiança de cem dólares.
O episódio fez com que houvesse um boicote de pouco mais de um ano às empresas de ônibus e foi um marco na luta pelo fim da segregação racial nos Estados Unidos da América. Ela contou com o ativista Martin Luther King e Malcom X, além da população negra de forma geral.

Rosa Parks e a segregação racial
A coleção Resistência, da editora SM, reúne livros que romanceiam personagens históricos que se voltaram contra aspectos os quais consideravam injustos e abusivos. Um deles é Rosa Parks: não à discriminação racial, escrito por Nimrod, nascido no Chade.
A história é narrada em primeira pessoa, o que dá a impressão de que é Rosa quem relata sua trajetória. Isso foi feito propositalmente por Nimrod e pode ser confirmado no texto da contracapa: “Neste livro, [o autor] utiliza a escrita para dar vazão à raiva de Rosa Parks”.

No caso de Rosa, o aspecto injusto e condenável era a segregação racial, institucionalizada pelas Leis Jim Crow – que vigoraram entre 1876 e 1965 –, no sul dos Estados Unidos.
Essa porção do país tinha como sustento econômico a escravidão, que teve seu auge nos séculos XVIII e XIX. E mesmo com a proibição oficial desta prática em 1865 pelo Congresso americano, a sociedade continuou pautada na discriminação, o que deu origem à separação entre negros e brancos na vida cotidiana: bebedouros diferenciados, escolas exclusivas para cada raça, assentos específicos para cada raça nos ônibus…
Até surgiram organizações terroristas, como a Ku Klux Klan (KKK), a qual defende, até hoje, a supremacia branca e praticava crimes de ódio contra negros, como torturas e assassinatos. O grupo também ataca judeus e estrangeiros.
Isso tudo apenas chegou oficialmente ao fim em 1964, quando o então presidente, Lyndon Johnson, assinou a Lei de Direitos Civis, que acabou com a segregação racial institucionalmente.
No entanto, o racismo ainda persiste claramente em todo o mundo e a luta continua. O movimento Black Lives Matter é o maior exemplo disso atualmente, diante das manifestações a favor de igualdade racial e fim da violência declarada contra negros. Há registros de violência em confrontos entre policiais e manifestantes em protestos que, em sua maioria, são pacíficos. Mas isso motiva que, cada vez mais, sintamo-nos mais fortes e enfrentemos o que está posto, assim como fez Rosa Parks.
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Por Mariene Lino – Fala! PUC – RIO